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Nubank nos EUA: modelo que revolucionou os bancos no Brasil funciona em um mercado já digital?

A chegada do Nubank nos EUA representa um dos movimentos mais importantes da expansão internacional da companhia. No entanto, a principal questão talvez não seja quantos americanos abrirão uma conta na fintech brasileira.

Na prática, o verdadeiro teste é outro: o modelo que transformou o Nubank em um fenômeno na América Latina consegue produzir a mesma vantagem competitiva em um dos mercados financeiros mais desenvolvidos e disputados do mundo?

Isso porque, diferentemente do cenário encontrado pela empresa durante sua expansão no Brasil e em outros países latino-americanos, o mercado americano já possui um ecossistema financeiro altamente digitalizado. Além disso, fintechs, bancos digitais e instituições tradicionais disputam consumidores com produtos tecnológicos, aplicativos avançados e diferentes propostas de serviços financeiros.

Nesse contexto, a entrada do Nubank nos EUA poderá revelar até que ponto o crescimento da companhia foi impulsionado pela eficiência de seu modelo de negócio e quanto também esteve relacionado às características dos mercados em que construiu sua trajetória.

No novo conteúdo da Zero Markets Brasil no Youtube, o trader e analista convidado Rodrigo Cohen analisa a expansão internacional da companhia e destaca justamente essa questão central sobre a história do Nubank:

“O Nubank ganhou porque era muito bom ou porque o sistema bancário que encontrou era muito ruim? Provavelmente um pouco dos dois. Agora vamos descobrir quanto era de cada um.”


Nubank nos EUA é sobre sair do Brasil por necessidade?

A expansão americana ocorre em um momento de força da operação latino-americana da fintech.

Nesse sentido, o Nubank encerrou junho com 138,9 milhões de clientes, crescimento de 13% em um ano e registrou mais de US$ 1 bilhão de lucro líquido apenas no segundo trimestre de 2026 (FONTE: Forbes Brasil). 

Diante desse cenário, para o analista Cohen, esses números mudam a interpretação da expansão. Assim, não parece um movimento provocado por esgotamento do mercado doméstico, mas, pelo contrário, uma tentativa de descobrir até onde o modelo construído na América Latina pode chegar.

“Não tem cara de desespero. Tem cara de ambição.”

A proposta para o americano é agressiva

A estratégia inicial combina alguns dos elementos que ajudaram o Nubank a construir sua marca:

  • conta remunerada a 3,5% ao ano em dólar;

  • cartão sem anuidade;

  • cashback inicial de 1,5%, com possibilidade de chegar a 2%;

  • transferências internacionais sem tarifa para Brasil, México e Colômbia;

  • conta global com movimentação em mais de 35 países.

A companhia, porém, não parece tentar reproduzir imediatamente toda a estrutura de um grande banco para essa entrada do NuBank nos EUA. A estratégia inicial é mais específica.

O foco está em um consumidor jovem, digital, interessado em rendimento, benefícios e transferências internacionais, especialmente clientes com relações financeiras entre Estados Unidos e América Latina.

Consumidor hispânico pode ser uma porta de entrada

Um dos públicos relevantes para a expansão é o consumidor hispânico nos Estados Unidos. A lógica, segundo Cohen, é coerente com o histórico da companhia.

Um cliente que mora nos Estados Unidos, mas mantém familiares ou relações financeiras com México, Brasil, Colômbia e outros países latino-americanos, possui necessidades que o Nubank já conhece.

Transferências internacionais, câmbio, viagens e movimentação de recursos entre países podem funcionar como porta de entrada. A dificuldade será transformar essa conveniência em um relacionamento financeiro mais profundo.

O problema: os Estados Unidos não são o Brasil de 2013

Quando o Nubank começou a crescer no Brasil, encontrou um ambiente bancário muito diferente. Naquele momento, tarifas elevadas, burocracia, atendimento complexo e experiências digitais ainda pouco desenvolvidas abriram espaço para uma empresa que oferecia uma relação mais simples com o consumidor.

Nos Estados Unidos, porém, o ponto de partida é outro. A expansão do Nubank nos EUA acontece em um mercado mais maduro, digitalizado e altamente competitivo. Nesse cenário, o Nubank encontrará:

  • bancos tradicionais com aplicativos sofisticados;

  • fintechs especializadas;

  • cartões sem anuidade;

  • cashback;

  • contas remuneradas;

  • plataformas de investimento;

  • e forte competição por praticamente todos os perfis de cliente.

Além disso, segundo as informações citadas por Cohen, menos de 4% da população americana estaria fora do sistema bancário.

Ou seja, o desafio do Nubank nos EUA será diferente daquele encontrado durante sua expansão no Brasil. Em vez de conquistar alguém sem uma boa solução financeira, muitas vezes a companhia terá de convencer o consumidor a trocar algo que já funciona.

O custo para conquistar cada cliente será decisivo


Para Cohen, a primeira métrica que um investidor deveria acompanhar é o CAC (custo de aquisição de cliente).

Abrir milhões de contas pode impressionar, mas não responde sozinho se a expansão cria valor.

Cashback, campanhas publicitárias, bônus e benefícios podem acelerar a aquisição. A pergunta é quanto custa fazer isso.

“Se o Nubank precisar gastar muito mais para conquistar um americano do que gastou para crescer na América Latina, a conta econômica muda.”

O desafio não é apenas crescer. É crescer de maneira rentável.

Abrir conta é diferente de virar o banco principal

A segunda métrica é ainda mais importante: engajamento. Ter uma conta aberta não significa possuir um cliente economicamente relevante.

O objetivo é conquistar aquilo que o setor financeiro chama de relacionamento principal. É a conta:

  • onde o salário entra;

  • em que o dinheiro permanece;

  • cujo cartão é utilizado;

  • onde o cliente toma crédito;

  • paga contas;

  • e eventualmente investe.

“Todo mundo pode ter um aplicativo bancário esquecido no celular. O jogo é virar o banco principal daquela pessoa.”

Se o Nubank for utilizado apenas como uma conta secundária para aproveitar rendimento ou cashback, o resultado econômico será muito diferente daquele obtido quando existe relacionamento financeiro completo.

Eficiência pode ser a maior vantagem competitiva

A terceira variável destacada por Cohen é a eficiência operacional.

Nesse sentido, essa talvez seja uma das características mais importantes construídas pelo Nubank na América Latina: atender dezenas de milhões de clientes utilizando uma estrutura mais leve do que a dos grandes bancos tradicionais.

Por isso, a capacidade de reproduzir essa estratégia será um dos pontos importantes a serem observados na expansão do Nubank nos EUA. Caso consiga manter o mesmo nível de eficiência operacional no mercado americano, a expansão ganha outra dimensão.

Assim, o Nubank nos EUA poderá testar não apenas a capacidade da companhia de conquistar novos clientes, mas também de replicar, em um mercado mais competitivo, um dos pilares que sustentaram seu crescimento na América Latina.

“Aí deixa de ser apenas uma fintech latino-americana muito bem-sucedida e passa a ser uma companhia que provou que consegue exportar o próprio modelo.”

Nubank ainda não opera como banco independente nos EUA

Existe também um ponto regulatório importante. Segundo as informações apresentadas no vídeo, a entrada está sendo realizada inicialmente por meio de uma parceria com o Lead Bank.

Ao mesmo tempo, a companhia recebeu aprovação condicional do OCC para uma licença bancária própria, mas o processo regulatório ainda está em andamento.

Portanto, a operação americana ainda está em sua fase inicial. Isso torna prematuras tanto as previsões extremamente otimistas quanto às conclusões de fracasso.

O maior teste da história do Nubank


Para Cohen, existem dois cenários bastante diferentes. No primeiro, o Nubank consegue:

  • adquirir clientes a um custo eficiente;

  • transformar contas abertas em relacionamentos principais;

  • manter uma estrutura operacional enxuta;

  • e competir com bancos e fintechs americanos.

Se isso acontecer, a companhia terá demonstrado que sua vantagem competitiva não dependia apenas das deficiências do sistema bancário latino-americano. Produto, marca, tecnologia e eficiência teriam se mostrado exportáveis.

No segundo cenário, o custo de aquisição aumenta, o cliente americano permanece pouco engajado e os produtos são percebidos como semelhantes aos que já existem.

Nesse caso, o mercado poderá descobrir que uma parcela maior do sucesso original do Nubank estava ligada ao espaço deixado pelos concorrentes brasileiros.

A expansão americana muda a pergunta sobre o Nubank

É justamente por isso que Cohen considera a notícia maior do que simplesmente a abertura de contas nos Estados Unidos.

A companhia está submetendo sua vantagem competitiva a um teste completamente novo.

“Não é simplesmente o Nubank chegando aos Estados Unidos. É o Nubank testando se aquilo que construiu aqui funciona no mundo.”

O que o investidor deve acompanhar daqui pra frente? Para avaliar o resultado da expansão, Cohen considera três indicadores particularmente importantes:

1. Custo de aquisição: quanto a companhia precisa gastar para conquistar cada cliente americano.

2. Engajamento: quantos clientes realmente transformam o Nubank em sua principal relação financeira.

3. Eficiência: se a companhia consegue preservar nos Estados Unidos a estrutura operacional enxuta que ajudou a diferenciá-la na América Latina.

Esses números poderão dizer muito mais sobre o futuro da operação do que simplesmente a quantidade de contas abertas.

Conclusão sobre a entrada do Nubank nos EUA

O Nubank construiu uma das maiores histórias empresariais recentes da América Latina ao atacar problemas claros do sistema bancário brasileiro.

Nos Estados Unidos, porém, encontrará um desafio diferente. O mercado é mais maduro, os concorrentes já são digitais, os benefícios são abundantes e, além disso, conquistar a atenção do consumidor custa caro.

Nesse contexto, a expansão do Nubank nos EUA não significa, necessariamente, que a estratégia funcionará ou fracassará. Na prática, significa que, pela primeira vez, será possível observar o modelo do Nubank competindo em um ambiente no qual ser digital deixou de ser uma vantagem por si só.

Por isso, acompanhar o desempenho do Nubank nos EUA poderá ajudar a entender até que ponto tecnologia, marca, eficiência operacional e experiência do cliente são vantagens competitivas capazes de atravessar fronteiras.

Para Rodrigo Cohen, essa é a pergunta que vale acompanhar:

“Se funcionar nos Estados Unidos, o Nubank prova que sua vantagem era realmente dele. Se não funcionar, talvez a gente descubra que uma parte importante do seu sucesso vinha do espaço que os concorrentes deixaram aberto.”

Quer entender o que realmente pode definir o futuro do Nubank nos EUA? Rodrigo Cohen aprofunda essa análise, explica os principais desafios da expansão e mostra quais indicadores merecem atenção nos próximos passos da companhia.

▶ Assista ao vídeo completo no canal da ZERO Markets Brasil no YouTube e confira a análise completa de Rodrigo Cohen.



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