Panorama Macro da Semana
Crise política, Superquarta e petróleo: os mercados entram em uma semana decisiva

A semana começa com uma combinação de fatores capazes de elevar significativamente a volatilidade nos mercados globais e brasileiros. Nesse contexto, a crise política volta a dividir as atenções dos investidores com as decisões de juros nos Estados Unidos e no Brasil, enquanto a alta do petróleo acrescenta uma nova camada de incerteza ao cenário macroeconômico.
No exterior, o CPI mostrou que a inflação americana continua acima da meta do Federal Reserve. Consequentemente, as expectativas em torno da política monetária ganharam ainda mais importância nesta semana. Ao mesmo tempo, o petróleo voltou ao centro das preocupações: com o Brent acima de US$ 108, após o adiamento das conversas sobre Ormuz e novos ataques no fim de semana, cresce novamente o risco de pressão inflacionária.
No Brasil, por sua vez, a cautela aumentou. Depois de quase duas semanas impulsionado pelo chamado trade eleitoral, o mercado encerrou a última sexta-feira com um sinal de alerta. A quebra de sigilo no caso Master e as preocupações envolvendo a candidatura de Flávio Bolsonaro interromperam parte do entusiasmo observado nas últimas sessões. Assim, o risco político voltou a exercer influência relevante sobre a percepção dos investidores.
Crise política e cenário internacional: juros e petróleo ampliam a cautela
Embora os fatores domésticos tenham ganhado espaço, o cenário internacional também concentra importantes fontes de volatilidade. Em primeiro lugar, a Superquarta coloca as decisões dos principais bancos centrais no centro das negociações. O cenário apresentado no relatório trabalha com uma possível combinação de alta dos juros nos Estados Unidos, corte da Selic para 13,75% e eventual aperto monetário no Japão.
Como resultado, esse conjunto de movimentos pode alterar a dinâmica dos fluxos internacionais. Em particular, a combinação entre juros americanos mais altos e redução da Selic diminui a vantagem relativa dos juros brasileiros. Dessa forma, cria condições para maior volatilidade nos ativos domésticos.
A inflação americana permanece como outra variável fundamental. O CPI confirmou que a alta dos preços continua acima da meta do Federal Reserve. Além disso, o petróleo adiciona uma nova camada de risco ao cenário. Com o Brent negociado acima de US$ 108, uma permanência das cotações em níveis elevados pode dificultar o trabalho dos bancos centrais no combate à inflação.
Em Wall Street, há ainda outro ponto de atenção. O mercado começa a questionar a velocidade e a sustentabilidade da corrida pela inteligência artificial. Portanto, além da política monetária e das commodities, os investidores também precisam acompanhar possíveis mudanças na percepção sobre um dos principais temas recentes do mercado americano.
Cenário doméstico: política e juros voltam ao centro das atenções
No Brasil, política e juros dividem as atenções. Depois de um período de maior otimismo, a crise política voltou a interferir na dinâmica do mercado e trouxe novamente o risco eleitoral para o centro das negociações.
O mercado vinha sendo sustentado pelo trade eleitoral. Entretanto, o quadro perdeu força na sexta-feira. Segundo o Panorama Macro, a quebra do sigilo no caso Master trouxe novamente preocupações relacionadas ao filme “Dark Horse” e à candidatura de Flávio Bolsonaro.

O principal temor é que eventuais novas revelações sobre a relação entre o senador e Daniel Vorcaro, envolvendo o financiamento da produção, interrompam o processo recente de fortalecimento de Flávio na corrida presidencial. Além disso, a situação no STF contribuiu para deteriorar o ambiente político. Nesse sentido, a crise política passa a ser novamente uma variável relevante para a precificação dos ativos domésticos.
Paralelamente, a política monetária entra em uma fase importante. O cenário-base apresentado no relatório considera um possível corte da Selic para 13,75%, justamente em uma semana na qual os Estados Unidos podem elevar os juros.
Consequentemente, essa divergência tende a reduzir o diferencial de juros favorável ao Brasil e pode ampliar as oscilações dos ativos locais. No Ibovespa, esse ambiente encontra um mercado que já apresentou forte recuperação e agora enfrenta uma importante zona de resistência técnica.
Análises técnicas: níveis importantes para acompanhar
S&P 500 - SPY

O ETF SPY, que replica o S&P 500, continua pressionado no curto prazo e permanece dentro de um canal de baixa, caracterizado por topos e fundos descendentes. Mesmo após a recuperação observada no último pregão, o ativo ainda encontra resistência na parte superior desse canal e negocia abaixo da média móvel de 21 períodos.
Além disso, a média móvel de 50 períodos, próxima dos 759 pontos, aparece como suporte relevante. Para esta semana, o relatório mantém uma leitura neutra.
A decisão do Federal Reserve pode funcionar como o principal gatilho para a saída dessa estrutura. Por um lado, uma sinalização mais favorável ao afrouxamento monetário poderia favorecer o rompimento superior e uma retomada da alta. Por outro, uma leitura mais restritiva pode renovar a pressão vendedora e levar o SPY novamente à base do canal.
Portanto, o rompimento do canal deve fornecer uma indicação mais clara sobre o próximo movimento direcional do ativo. O gráfico apresentado na página 2 do Panorama reforça visualmente essa estrutura descendente e a proximidade das regiões técnicas mencionadas.
Ibovespa

Depois da forte recuperação recente, o Ibovespa perdeu força e passou a consolidar em uma região que já havia funcionado como importante zona de negociação no início do ano.
A resistência em aproximadamente 188,8 mil pontos voltou a ser testada. Até o momento, porém, ainda não houve força suficiente para confirmar seu rompimento.
A leitura para a semana permanece neutra. Como mostra o gráfico da página 3, a região atual concentra uma importante disputa entre compradores e vendedores. Além dos fatores técnicos, a crise política adiciona uma variável de incerteza ao ambiente doméstico.
Por isso, o cenário favorece a espera por um driver mais claro, especialmente um rompimento confirmado da resistência ou a perda dos suportes da consolidação, antes da definição de uma nova direção.
Ouro - XAU/USD

O ouro manteve sua estrutura de baixa e voltou a pressionar o suporte próximo de US$ 4.309, depois de não conseguir sustentar a recuperação registrada em agosto.
O gráfico da página 4 mostra o ativo respeitando uma linha de tendência de baixa de longo prazo e formando uma configuração compatível com um triângulo descendente. Além disso, as médias mais curtas voltaram a perder inclinação.
A leitura apresentada no panorama é de venda, mas condicionada à confirmação da perda do suporte. Um rompimento consistente dos US$ 4.309 reforçaria a continuidade da pressão vendedora e abriria espaço técnico para uma possível movimentação em direção aos US$ 3.943, região que já funcionou anteriormente como suporte.
Contudo, enquanto os US$ 4.309 não forem efetivamente rompidos, o sinal ainda não está confirmado. Dessa maneira, a confirmação técnica continua sendo fundamental antes da definição de um novo movimento direcional.
EUR/USD

O EUR/USD continua sem força direcional e permanece no interior de uma ampla zona de consolidação. O par encontra dificuldade para superar a região de 1,1620, enquanto a proximidade entre as médias móveis reforça a compressão dos preços.
O gráfico da página 5 evidencia justamente esse comportamento lateral. Nesse cenário, a recomendação permanece neutra porque, enquanto o preço continuar próximo ao centro da consolidação, a relação risco-retorno de uma operação direcional tende a permanecer pouco atrativa.
Assim, o ponto de atenção será um afastamento consistente dessa região, acompanhado de retomada de frequência e, preferencialmente, do rompimento de um nível técnico relevante. Até que isso aconteça, o cenário favorece cautela diante da ausência de uma direção mais clara.
Conclusão: uma semana de decisões e possíveis mudanças de direção
A semana reúne política monetária, petróleo, inflação e risco político em um mesmo cenário. Nesse ambiente, a crise política brasileira se soma a fatores externos capazes de alterar rapidamente a percepção dos investidores.
A Superquarta pode redefinir expectativas sobre juros e fluxo de capitais. Ao mesmo tempo, o petróleo acima de US$ 108 adiciona pressão ao debate inflacionário. No Brasil, a possível redução da vantagem relativa dos juros domésticos ocorre justamente em um momento no qual o risco eleitoral volta ao centro das atenções.
Nos gráficos, o quadro também recomenda seletividade. S&P 500, Ibovespa e EUR/USD permanecem sem confirmação direcional clara. O ouro, por outro lado, apresenta uma estrutura baixista que ainda depende da perda efetiva de um suporte importante.
Portanto, em um ambiente no qual fatores políticos, monetários e geopolíticos podem provocar mudanças rápidas de direção, confirmação técnica, gestão de risco e cautela ganham relevância ao longo da semana.
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📅 Data: 14 de setembro de 2026
✍ Marcos Felipe Martins da Silva Praça – CNPI-T (EM-9505)
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