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Super quarta: juros, guerra, petróleo e tecnologia pressionam os mercados globais

Os mercados entram em uma das semanas mais sensíveis de setembro, com as atenções concentradas na super quarta, marcada por decisões importantes de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
De um lado, investidores aguardam os próximos passos do Copom e do Federal Reserve, decisões que podem influenciar o comportamento dos mercados e a percepção de risco dos investidores. Por outro, a guerra no Oriente Médio segue sem perspectiva clara de encerramento e, consequentemente, volta a pressionar os preços do petróleo.
Além disso, o setor de tecnologia também entrou novamente no radar. Declarações recentes de executivos ligados à inteligência artificial reacenderam preocupações sobre o excesso de investimentos e, principalmente, sobre a sustentabilidade do atual ciclo tecnológico.
Nesse cenário, a super quarta ganha ainda mais relevância, já que acontece em um momento de maior cautela nos mercados globais. No novo review global da ZERO Markets Brasil, o trader e analista convidado Rodrigo Cohen destaca que diversos índices já apresentam sinais técnicos de correção.
“Quando juros, guerra e tecnologia começam a pressionar ao mesmo tempo, o mercado perde clareza e a volatilidade aumenta.”
S&P 500 perde força e pode aprofundar correção
O S&P 500 vinha operando próximo das máximas, mas perdeu fôlego nas últimas sessões.
Na análise de Cohen, o índice pode aprofundar a correção caso perca a região dos 7.570 pontos.
Nesse cenário, o próximo objetivo técnico seria o fechamento de gaps anteriores e, em uma correção mais intensa, um novo teste da média móvel de 200 períodos. Para Cohen, essa média merece atenção porque não é testada pelo índice há meses.
“Enquanto não houver rompimento de topos importantes, meu viés segue mais baixista.”

Nasdaq também entra em zona de atenção
O Nasdaq apresenta comportamento semelhante.
Segundo Cohen, o índice já perdeu fundos importantes e pode acelerar a queda caso feche abaixo da região dos 28.800 a 28.900 pontos.
O cenário é especialmente sensível porque empresas de tecnologia e inteligência artificial voltaram a sofrer pressão.
Além das expectativas de juros mais elevados, declarações recentes de executivos do setor reacenderam discussões sobre o ritmo de expansão da inteligência artificial e os riscos de crescimento excessivamente acelerado.

Juros altos pressionam empresas de tecnologia
A lógica é direta.
Empresas de tecnologia costumam ser avaliadas com base em lucros futuros.
Quando os juros sobem:
o valor presente desses lucros diminui;
títulos públicos ficam mais atraentes;
investidores migram parte do capital da Bolsa para renda fixa;
empresas de crescimento tendem a sofrer mais.
Por isso, a Super Quarta pode ganhar ainda mais importância para o Nasdaq.
Brasil entra em compasso de espera
No Brasil, o Ibovespa passou por forte valorização recente, mas agora entrou em lateralização.
Segundo Cohen, o movimento ocorre em meio a dois fatores principais:
avanço do calendário eleitoral;
aumento das tensões institucionais.
Na avaliação do analista, o índice está em uma região intermediária importante. Caso rompa a área dos 190 mil pontos, poderia voltar a mirar máximas históricas.
Por outro lado, uma perda de suportes relevantes aumentaria a chance de retorno para regiões próximas da média móvel de 200 períodos.

Eleições ganham peso sobre o Ibovespa
Com a aproximação das eleições, o comportamento do mercado passa a responder cada vez mais às pesquisas.
Cohen destaca que candidatos considerados mais favoráveis ao mercado tendem a provocar reações positivas nos ativos quando avançam, enquanto resultados opostos podem aumentar a aversão ao risco.
O problema é que o cenário eleitoral ainda está longe de estar definido.
“Hoje o Ibovespa está no meio do caminho. Não existe uma direção clara.”
DAX entra em tendência de correção
Na Europa, o índice DAX também perdeu força.
Depois de atingir máximas recentes, o mercado alemão formou uma estrutura técnica de queda e passou a caminhar em direção a um gap próximo de 25.116 pontos. Segundo Cohen, o índice pode posteriormente buscar a média móvel de 200 períodos caso o movimento vendedor continue.

Ouro forma padrão técnico de reversão
O ouro também voltou a chamar atenção.
Depois de perder força, o metal passou a desenhar uma figura gráfica conhecida como ombro-cabeça-ombro.
Na análise de Cohen, a perda da chamada linha de pescoço, na região próxima dos 4.290 pontos, pode abrir espaço para uma queda mais profunda.
O movimento, porém, poderia criar preços mais atrativos para investidores interessados em ouro no longo prazo.

Dólar pode voltar a ganhar força
O DXY, índice que mede a força do dólar contra uma cesta de moedas internacionais, começou a apresentar uma estrutura técnica diferente.
Segundo Cohen, o ativo desenha um possível fundo duplo.
Caso consiga romper novamente a média móvel de 200 períodos, a projeção técnica passa a apontar para regiões próximas dos 101,28 pontos.
Juros elevados nos Estados Unidos também poderiam favorecer essa valorização da moeda americana.
Japão volta a perder força
O mercado japonês, que vinha de uma recuperação importante, voltou a apresentar sinais de correção.
Depois de renovar máximas em meses anteriores, o índice passou a fazer um zigue-zague descendente.
Na análise de Cohen, um novo teste da média móvel de 200 períodos não pode ser descartado.

Guerra mantém petróleo em trajetória de alta
O Brent continua sendo um dos ativos mais diretamente influenciados pela guerra.
Após sinais de possível acordo, o petróleo chegou a recuar.
Mas novos bombardeios e a ausência de uma solução definitiva recolocaram pressão compradora sobre o ativo.
Segundo Cohen, caso o Brent consiga romper a região próxima dos US$ 106,50, poderá voltar a buscar as máximas do ano, acima de US$ 110.
“Enquanto a guerra continuar, o petróleo continua sendo um dos ativos mais perigosos de tentar prever apenas pelo gráfico.”

Petróleo alto volta a ameaçar inflação
Esse movimento não afeta apenas empresas de energia.
Petróleo mais caro significa:
transporte mais caro;
energia mais cara;
aumento nos custos industriais;
pressão sobre inflação;
dificuldade maior para os bancos centrais reduzirem juros.
Ou seja, a guerra e os juros acabam se conectando.
Bitcoin segue sem direção clara
O Bitcoin voltou a apresentar comportamento divergente.
Depois de testar uma importante região técnica e iniciar uma correção, o ativo voltou a subir mesmo em um dia de queda das bolsas.
Para Cohen, isso mostra que o Bitcoin continua apresentando dinâmica própria.
A principal dúvida agora é se o ativo vai:
buscar novamente a média móvel de 200 períodos;
continuar subindo;
ou permanecer lateral.
“Bitcoin sobe, desce ou lateraliza? Hoje ainda não existe uma resposta clara.”

Super Quarta pode ser o principal gatilho da semana
O grande evento dos próximos dias será a Super Quarta.
Brasil e Estados Unidos terão decisões relevantes sobre juros.
O mercado vai observar:
decisão do Federal Reserve;
comunicação sobre próximos passos;
decisão de juros no Brasil;
tom dos bancos centrais;
reação de dólar, bolsas e renda fixa.
Mais importante do que a decisão em si será a sinalização sobre o futuro.
Conclusão
O cenário global voltou a apresentar sinais de maior fragilidade. Nesse contexto, a super quarta ganha ainda mais importância para os investidores, principalmente por concentrar decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos em um momento de maior incerteza nos mercados.
Atualmente, três forças importantes atuam simultaneamente: juros elevados, guerra prolongada e dúvidas sobre o setor de tecnologia. Além disso, a combinação desses fatores tende a ampliar a cautela dos investidores e, consequentemente, reforça a importância da gestão de risco.
Para Rodrigo Cohen, a super quarta acontece justamente em um momento no qual acompanhar os riscos pode ser mais relevante do que tentar antecipar movimentos de curto prazo do mercado.
“Essa semana promete. Juros no Brasil e nos Estados Unidos, guerra e tecnologia pressionando. É um daqueles momentos em que o investidor precisa prestar mais atenção ao risco do que tentar adivinhar o próximo candle.”
Portanto, os próximos dias serão importantes para entender os rumos dos mercados globais. As decisões da super quarta, somadas aos desdobramentos da guerra e ao comportamento do setor de tecnologia, podem ajudar a definir se a correção atual representa apenas uma pausa dentro do ciclo de alta ou o início de uma fase mais defensiva nos mercados globais.
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