Artigo

COE: o que é e o que o caso Ambipar e Braskem nos ensina

Nos últimos anos, um tipo de investimento que prometia “proteção na queda e participação na alta” acabou se transformando em um problema para milhares de investidores: o COE (Certificado de Operações Estruturadas), especialmente em operações ligadas a títulos de empresas como Ambipar e Braskem.

No entanto, o que pouca gente percebeu a tempo é que, por trás de nomes sofisticados e rentabilidades aparentes de dois dígitos, existia uma combinação de riscos que nem sempre era compreendida com clareza. Em muitos casos, esses riscos só se tornaram evidentes quando as perdas começaram a aparecer.

Muitos investidores acreditavam estar aplicando em um COE semelhante a uma renda fixa “turbinada”, com proteção do capital e exposição controlada a ativos de maior risco. Na prática, porém, a estrutura poderia ser bem mais complexa.

Em determinadas operações, o investidor estava exposto a opções e estruturas vinculadas a títulos de crédito de empresas já fragilizadas. Além disso, sem compreender completamente o funcionamento do produto, era possível ignorar fatores importantes, como barreiras, gatilhos de perda, risco de crédito e diferentes cenários de payoff descritos em dezenas de páginas dos documentos da operação.

Por isso, antes de investir em um COE, entender exatamente quais riscos estão por trás da estrutura é tão importante quanto observar a rentabilidade apresentada.

Como avaliar um COE com segurança depois do caso Ambipar/Braskem

O caso dos COEs ligados à Ambipar e à Braskem funcionou como um divisor de águas no mercado brasileiro de produtos estruturados. Por um lado, trouxe à tona problemas relacionados à avaliação de risco, tanto por parte de algumas distribuidoras quanto de investidores que confiaram em recomendações sem questionar, de forma mais aprofundada, o que havia por trás de cada COE. Por outro, acelerou discussões sobre mudanças regulatórias, transparência e práticas de mercado que ainda estão em curso.

Desde então, a CVM, órgão federal brasileiro que regula, normatiza, disciplina e fiscaliza o mercado de capitais no Brasil, e participantes do mercado vêm reforçando a importância da transparência na distribuição desses produtos. Nesse contexto, documentos mais claros, destaque para cenários adversos, simulações de diferentes condições de mercado e alertas sobre a possibilidade de perda parcial ou total do capital passaram a ganhar ainda mais relevância na avaliação de um COE.

Ao mesmo tempo, o mercado passou a oferecer diferentes estruturas de COE. Algumas podem apresentar características mais conservadoras, com exposição a índices de inflação ou cestas diversificadas. Outras, porém, continuam envolvendo estruturas mais complexas, exposição elevada a determinados riscos e resultados condicionados a eventos específicos.


Diante desse cenário, para o investidor, a principal questão deixou de ser simplesmente “COE é bom ou ruim?” e passou a ser: “como avaliar um COE e identificar os riscos antes de investir?”

A resposta exige ir além da rentabilidade máxima anunciada e do discurso comercial. Antes de investir em um COE, é fundamental entender qual é o ativo subjacente, quais condições precisam ser cumpridas para que haja participação nos ganhos, quais barreiras podem limitar ou zerar o retorno e quais custos estão embutidos na estrutura.

Em outras palavras, analisar um COE exige compreender não apenas quanto o produto pode render em um cenário favorável, mas também o que pode acontecer quando as condições previstas na estrutura não se concretizam.

COE é seguro? Entenda os limites da “garantia de principal”

Um ponto crítico que muita gente ignora é que o “principal garantido” nem sempre é garantido de verdade. Em diversos COEs, a garantia vale apenas se o investidor segurar o produto até o vencimento e se o emissor do título de crédito não entrar em default antes disso. Quando o emissor quebra, como aconteceu em casos recentes, a garantia pode virar letra morta e o investidor se vê na fila de credores, sem nenhuma proteção especial.

Outro detalhe importante é a diferença entre COE e ir direto no ativo ou em um fundo multimercado.  No COE, você compra uma estrutura fechada, com regras fixas, sem possibilidade de ajuste ao longo do tempo e, muitas vezes, com liquidez zero ou muito cara antes do vencimento. Em um fundo, há gestão ativa, possibilidade de rebalanceamento e transparência diária da carteira, ainda que isso implique pagar taxa de administração e, em alguns casos, performance.

Checklist para avaliar um COE antes de investir


Diante desse cenário, a pergunta que fica é: como montar uma “checklist” prática para avaliar um COE antes de assinar o termo de adesão?  O primeiro passo é identificar o emissor do título de crédito e checar sua saúde financeira, rating e concentração de negócios. Em seguida, é fundamental simular diferentes cenários de mercado (alta, lateralidade, queda) e verificar em quais condições o produto entrega algo acima da renda fixa tradicional e em quais ele devolve apenas o principal ou menos.

Também é essencial comparar o COE com alternativas mais simples: um título do Tesouro IPCA+, um CDB de banco sólido, um fundo multimercado conservador ou até uma exposição direta ao ativo via ETF ou BDR.  Se a estrutura for tão complexa que você não consegue explicar em duas frases como ganha e como perde, provavelmente não é um produto adequado para compor a base da sua carteira, independentemente da taxa prometida.

Conclusão: como avaliar um COE antes de investir

Em resumo, os casos envolvendo Ambipar e Braskem não significaram o fim do COE, mas reforçaram um ponto importante: esse tipo de produto exige uma análise mais detalhada do que muitos investimentos tradicionais. Por isso, antes de investir em um COE, é fundamental compreender sua estrutura, os riscos envolvidos e os diferentes cenários possíveis para o capital investido.

Nesse sentido, uma análise completa deve ir além da rentabilidade potencial apresentada. É importante saber como ler os termos da operação, identificar o ativo subjacente, entender as barreiras e condições previstas, simular cenários de ganhos e perdas e, além disso, comparar o COE com outras alternativas disponíveis no mercado, incluindo produtos de renda fixa e estratégias multimercado.

Para quem deseja aprofundar esse processo, a ZERO Markets Brasil pode ajudar a entender essas características de forma mais clara e estruturada, considerando objetivos, perfil de risco e horizonte de investimento.

Antes de decidir se um COE faz sentido para você, conhecer o próprio perfil de investidor também é essencial. Acesse nossa página, responda ao questionário de suitability e converse com um de nossos consultores especializados. Assim, você poderá avaliar as características do produto e compará-las com outras alternativas compatíveis com seus objetivos financeiros e sua tolerância ao risco.

Afinal, mais importante do que buscar apenas a rentabilidade potencial de um COE é entender como o produto funciona, quais riscos você está assumindo e se essa estrutura realmente está alinhada à sua estratégia financeira.

—————————————-

⚠ DISCLAIMER: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educacional e informativo. Não constitui recomendação de investimento, análise ou consultoria de valores mobiliários, tampouco oferta ou solicitação de compra ou venda de qualquer ativo. As informações são de natureza geral, não consideram os objetivos, a situação financeira ou as necessidades de qualquer investidor específico e não devem servir como única base para decisões de investimento. Cada investidor é o único responsável por suas escolhas e deve buscar orientação adequada ao seu perfil.

Veja mais

As últimas notícias do mundo financeiro

Invista Com Confiança

Newsletter

Junte-se à nossa comunidade e tenha acesso a conteúdos exclusivos

Ao se inscrever acima, você concorda com nossa política de privacidade

A ZERO MARKETS BRASIL ANÁLISE E CONSULTORIA DE VALORES MOBILIÁRIOS LTDA CNPJ: 56.964.932/0001-09. é regularmente autorizada e credenciada, respectivamente, pela Comissão de Valores Mobiliários (Ato Declaratório 22.522/2024) e pela APIMEC (nº de registro 260), para atuar como Consultor de Valores Mobiliários e Analista de Valores Mobiliários, conforme disposto nas Resoluções CVM 19/2021 e 20/2021. Nenhuma parte do conteúdo deste site deve ser interpretada como oferta, negociação ou solicitação de valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Também não configura garantia de resultados ou compromisso de retorno sobre qualquer ativo analisado. O conteúdo é fornecido em regime de obrigação de meio, e não de resultado. As decisões de investimento e estratégias financeiras são realizadas a exclusivo critério dos próprios usuários, não sendo de responsabilidade dos analistas, consultores ou da ZERO MARKETS BRASIL quaisquer perdas que os usuários possam suportar. Todo o conteúdo disponibilizado neste site, incluindo análises, relatórios e opiniões, reflete exclusivamente o posicionamento técnico e independente de seus profissionais responsáveis, sendo elaborado com base em informações públicas e fontes consideradas confiáveis. No entanto, a veracidade e exatidão das informações não podem ser garantidas. A ZERO MARKETS BRASIL mantém rígida segregação entre as atividades de análise e consultoria de valores mobiliários, em conformidade com as regulamentações aplicáveis, assegurando a confidencialidade e a independência necessárias. A ZERO MARKETS BRASIL não é uma corretora de títulos e valores mobiliários, razão pela qual não realiza a venda de ativos financeiros e movimentações financeiras em nome de seus usuários. A ZERO MARKETS BRASIL faz parte do Zero Markets Group, que inclui as seguintes subsidiárias regulamentadas: Zero Markets Limited (FMA, Licença nº FSP 569807); Zero Securities Pty Ltd (ASIC, Licença nº AFSL 24404); Zero Financial Ltd (FSC, Licença nº GB21026308). Ainda que existam potenciais conflitos de interesse entre as empresas do Grupo Zero Markets, todas as regras de segregação entre as atividades são devidamente observadas pelas empresas da marca. ATENÇÃO: Investimentos em valores mobiliários envolvem riscos, podendo resultar em perdas financeiras. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros. As decisões de investimento são de exclusiva responsabilidade dos usuários, que devem avaliar cuidadosamente suas estratégias e perfis de risco antes de investir. O uso, reprodução ou distribuição do conteúdo aqui disponibilizado, no todo ou em parte, é estritamente proibido sem a prévia e expressa autorização da ZERO MARKETS BRASIL, sob pena de medidas legais cabíveis. Em caso de dúvidas ou solicitações adicionais, entre em contato através de nossos canais de atendimento oficiais.

Diretor de Análise: MARCOS PRAÇA (CNPI-T 9505)

Diretor de Consultoria: OTAVIO SANTIAGO MEIRELES ARAÚJO (A. D./CVM nº 20.249/24)

Diretor de Compliance: ANDRÉ PINTO DIAS

ZERO Markets Brasil © All rights reserved