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União Europeia avança, emprego nos EUA surpreende e tensão no Estreito de Ormuz eleva risco global

A semana foi marcada por uma combinação rara, e explosiva, de fatores: avanço relevante na agenda comercial do Brasil, sinais mistos da economia americana e escalada de tensão geopolítica no Oriente Médio com impacto direto sobre petróleo, inflação e apetite por risco nos mercados.
No novo Panorama Macro Global da Zero Markets Brasil, Rodrigo Cohen, trader profissional e analista convidado, destaca que o investidor precisa olhar o cenário como um tabuleiro único: emprego, juros, guerra e comércio internacional conversam entre si, e o preço reage antes da “conclusão” chegar.
Mercosul e União Europeia: acordo entra em fase decisiva no Brasil
Um dos destaques positivos da semana foi a aprovação, por unanimidade no Senado, do acordo entre Mercosul e União Europeia. Com a etapa legislativa concluída, o texto segue para o processo de ratificação no Poder Executivo.
Segundo Cohen, a importância do acordo é prática: ele amplia a previsibilidade e abre espaço para aumento do comércio, investimentos e integração produtiva entre blocos que negociam há mais de duas décadas.

Em termos simples para o público leigo: com menos barreiras comerciais, produtos podem circular com mais facilidade, o que tende a favorecer exportações, cadeias industriais e setores com competitividade internacional.
Emprego nos EUA: ADP vem acima do esperado e mexe com dólar e bolsas
Na quarta-feira, o relatório ADP, que mede a criação de empregos no setor privado americano, apontou 63 mil vagas em fevereiro, acima das 48 mil esperadas, e no maior nível desde julho de 2025.

Cohen explica por que um número “bom” pode causar nervosismo no mercado:
Mais emprego → economia mais forte
Economia forte → consumo segue alto
Consumo alto → inflação pode resistir
Inflação resistente → juros demoram a cair
Ou seja: quando o emprego vem forte, cresce a chance de o Federal Reserve manter juros altos por mais tempo, o que costuma fortalecer o dólar e pressionar ativos de risco no curto prazo.
Beige Book do Fed: EUA não “quebram”, mas também não aceleram
Ainda nos Estados Unidos, o Beige Book (relatório do Fed que reúne informações econômicas por regiões) confirmou um cenário de equilíbrio delicado: a economia não está em colapso, mas também não mostra aceleração forte.
O documento indicou crescimento leve a moderado, com aumento no número de regiões em que a atividade ficou estável ou encolheu, sinal de que a economia pode estar perdendo fôlego em alguns pontos.

Para Cohen, esse tipo de cenário é exatamente o que os bancos centrais buscam: nem superaquecimento (que gera inflação), nem fraqueza profunda (que derruba emprego). O desafio é manter a economia “rodando” com inflação sob controle.
Guerra e risco no Estreito de Ormuz: o fator que pode empurrar inflação para cima
O grande vetor de risco da semana, segundo Cohen, é o Oriente Médio, especialmente a ameaça ao fluxo de petróleo e gás no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.
Ele destaca que, mesmo com promessas de escolta e segurança, navios têm evitado a passagem, gerando filas e paralisia logística. O mercado reage porque petróleo é sensível a risco de oferta: basta a ameaça de interrupção para o preço disparar.

Cohen também chama atenção para o efeito dominó:
se petróleo sobe demais, combustíveis e fretes encarecem;
custos sobem → inflação pode subir;
inflação sobe → juros podem ficar altos por mais tempo;
juros altos → ativos de risco sofrem.
Em outras palavras: guerra pode bater na inflação do mundo inteiro.
Ouro, petróleo e Bitcoin: cada ativo “conta” uma parte da história
No panorama apresentado:
Ouro: recua na semana, mas segue como termômetro de medo no médio prazo. Em crises, costuma servir como proteção.
Petróleo: ganha destaque com volatilidade forte e risco de alta adicional caso o bloqueio se agrave.
Bitcoin: apresenta recuperação relevante na semana, com movimento técnico que, segundo Cohen, pode abrir espaço para buscar regiões mais altas caso rompa resistências importantes.
Cohen reforça que, em períodos de alta tensão, não é raro ver ativos se movimentando em direções diferentes no mesmo dia: o mercado muda de humor rápido, e o fluxo troca de mãos com pressa.
Agenda: sexta-feira tem Payroll, o dado que pode virar o jogo
O principal compromisso do calendário é o Payroll, divulgado na primeira sexta-feira do mês nos EUA. O relatório mostra:
criação de vagas (economia aquecendo ou esfriando),
taxa de desemprego,
ganho médio por hora (importante para medir pressão salarial).

A expectativa citada no vídeo é de criação de vagas moderadas, mas Cohen observa que, como o ADP veio acima do esperado, o Payroll pode surpreender.
Na prática: Payroll forte tende a adiar cortes de juros; Payroll fraco tende a aumentar apostas em cortes.
Conclusão: mercado está sendo puxado por três forças ao mesmo tempo
Para Rodrigo Cohen, o investidor está diante de um cenário em que três motores atuam simultaneamente:
Abertura comercial e oportunidades para o Brasil (Mercosul–UE)
Economia americana em “meio-termo” (emprego e atividade sem colapso, sem euforia)
Guerra e energia (petróleo como risco direto para inflação e juros)
Em cenários assim, ele reforça que disciplina e leitura de risco valem mais do que “adivinhar manchete”.
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