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S&P 500 no topo histórico: entenda por que a bolsa brasileira perde força e o bitcoin mira US$ 40 mil

Os mercados globais entraram em uma fase de forte divergência, criando oportunidades e desafios para os investidores. Enquanto o S&P 500 e a Nasdaq voltam a mirar máximas históricas, a Bolsa brasileira acumula uma correção próxima de 9%. Essa queda ocorre, sobretudo, devido à redução do interesse estrangeiro e ao avanço das incertezas eleitorais no país.
Paralelamente, outros ativos relevantes também movimentam o cenário financeiro internacional. O ouro recupera força com a busca por proteção, ao mesmo tempo em que o petróleo ameaça voltar aos US$ 90. Por outro lado, o Bitcoin permanece sem uma direção definida, mantendo a possibilidade de buscar o patamar de US$ 40 mil.
Nesse sentido, o novo review de mercado global da Zero Markets Brasil traz análises valiosas. O trader e analista convidado Rodrigo Cohen chama atenção justamente para essa mudança de comportamento dos grandes fluxos de capital:
“O Brasil que estava descontado e era a bola da vez agora já não é mais. Portanto, é impressionante como o dinheiro muda de país e de setor rapidamente.”
S&P 500 rompe triângulo: vale a pena investir no exterior?

O grande destaque da análise do mercado global é o S&P 500, que volta a atração dos investidores globais. Logo após atingir sua máxima histórica no início de agosto, o principal índice acionário do mundo entrou em consolidação e formou um padrão técnico conhecido como triângulo.
Atualmente, o mercado trabalha para confirmar o rompimento definitivo dessa estrutura chartista. De acordo com a análise técnica realizada por Rodrigo Cohen, o cenário aponta para dados promissores:
O movimento anterior que deu origem a essa formação acumulou cerca de 6,8% de alta;
O rompimento atual pode abrir espaço direto para uma nova perna de forte valorização;
Contudo, a confirmação dessa tendência de alta depende fundamentalmente do fechamento do índice acima da região rompida.
“Consequentemente, se conseguir fechar acima e confirmar esse rompimento, tecnicamente existe uma projeção bastante relevante para cima”, explica Cohen.
Além disso, para o analista, esse movimento do mercado americano reforça a importância de o investidor brasileiro buscar a diversificação internacional. Por isso, avaliar ativos em dólar pode ser uma estratégia inteligente, desde que respeite sempre o seu perfil de risco e tolerância à volatilidade.
Nasdaq também pode voltar às máximas

O Nasdaq apresenta uma estrutura semelhante, mas ainda possui uma distância maior até suas máximas.
Segundo Cohen, o índice de tecnologia também rompeu sua região de consolidação e pode voltar a buscar os recordes caso confirme o movimento. A projeção técnica do movimento anterior chega a aproximadamente 10,7%.
O ponto central, porém, continua sendo a confirmação. “Tem que esperar o dia fechar. Rompimento intradiário não é a mesma coisa que rompimento confirmado.”
Brasil cai quase 9% e deixa de ser a “bola da vez”

Se Wall Street volta a flertar com máximas, o cenário brasileiro mudou de forma significativa.
Depois de encontrar suporte na média móvel de 200 períodos e ensaiar uma recuperação de aproximadamente 5,8%, o Ibovespa perdeu força. Desde a máxima recente analisada por Cohen, a Bolsa brasileira chegou a recuar aproximadamente 8,7%.
Para Cohen, entretanto, o último movimento gráfico deixa aberta a possibilidade de uma recuperação de curto prazo e um novo teste da média móvel de 200 períodos.
Isso não significa, porém, que o cenário estrutural tenha voltado a ser favorável.
Eleições no Brasil afetam fluxo estrangeiro
Uma das principais razões para a deterioração da percepção de risco sobre o Brasil é a aproximação do ciclo eleitoral. Nesse contexto, Rodrigo Cohen cita avaliações de instituições internacionais que indicam uma preocupação crescente com a volatilidade nas ações nacionais. Consequentemente, muitos investidores preferem redirecionar capital para índices mais consolidados, como o S&P 500.
Como resultado direto desse movimento, o mercado assiste a uma mudança drástica no fluxo financeiro. O país, que antes atraía capital internacional e caminhava rumo às máximas, agora enfrenta uma saída expressiva de recursos estrangeiros.
“O Brasil estava barato, estava descontado e atraía o investidor estrangeiro. Entretanto, o cenário mudou. E quando o estrangeiro entra forte, ele também pode sair forte”, alerta Cohen.
Portanto, a grande questão para o mercado passa a ser quando e, sob quais condições, o Brasil poderá voltar a ser atrativo. Enquanto isso, a alocação em ativos globais atrelados ao S&P 500 ganha força entre quem busca maior estabilidade e proteção patrimonial.
Alemanha resiste mesmo com tensão geopolítica

Na Europa, o DAX alemão permanece próximo das máximas e apresenta comportamento semelhante ao observado nos índices norte-americanos. O problema continua sendo a guerra e seus possíveis efeitos sobre energia e petróleo.
Para Cohen, a proximidade das máximas torna novas compras mais difíceis do ponto de vista de relação risco-retorno, apesar de a tendência ainda mostrar resistência.
Ouro recupera média de 200 períodos

Depois de uma fase de queda e lateralização, o ouro voltou a chamar atenção.
O metal conseguiu superar novamente sua média móvel de 200 períodos, uma referência técnica acompanhada por traders e investidores de longo prazo.
Agora, Cohen observa a região próxima de US$ 4.400–4.414 como importante para a continuidade do movimento. Caso consiga consolidar acima dela, o ouro pode voltar a apresentar uma estrutura técnica de alta mais clara.
Juros americanos podem determinar próximo movimento do dólar

Outro mercado importante neste momento é o DXY, índice que compara o dólar com uma cesta de moedas internacionais. A expectativa de redução dos juros americanos ganhou força depois de indicadores econômicos mais fracos.
Entre eles:
dados de emprego abaixo das expectativas;
payroll mais fraco;
inflação mais comportada.
O raciocínio é direto: com menor pressão inflacionária, o Federal Reserve ganha espaço para reduzir juros.
E juros menores podem diminuir a atratividade dos títulos públicos americanos, estimulando investidores a buscar oportunidades em outros mercados.
“Se o dinheiro começa a sair dos Estados Unidos para buscar retorno em outros lugares, o investidor vende dólar. Isso pode pressionar o DXY para baixo.”
Japão volta a ganhar força

O Nikkei, principal índice japonês acompanhado na análise, também apresentou melhora técnica.
Depois de uma forte correção desde suas máximas, o índice rompeu uma linha de tendência de baixa e voltou a apontar para cima. Para Cohen, o movimento recoloca as máximas históricas no radar caso a recuperação continue.
Petróleo pode voltar aos US$ 90

No petróleo, o cenário permanece diretamente ligado às negociações geopolíticas. Depois da forte queda provocada pelas expectativas de encerramento da guerra, o petróleo voltou a reagir.
Segundo Cohen, o ativo formou uma bandeira, rompeu a estrutura e realizou posteriormente um pullback.
O próximo objetivo técnico relevante seria o fechamento de um gap na região dos US$ 90. O problema é o efeito macroeconômico de uma nova alta. Petróleo mais caro significa:
energia mais cara;
pressão sobre custos;
potencial aumento da inflação;
e menor espaço para redução dos juros.
“O petróleo subindo não é bom para a economia mundial. Se ele reacende a inflação, os bancos centrais perdem liberdade para cortar juros.”
Bitcoin ainda pode buscar US$ 40 mil

O Bitcoin permanece como um dos mercados mais difíceis de interpretar neste momento. Segundo Cohen, o ativo segue lateral, alternando altas e quedas sem estabelecer uma tendência convincente. Mas a análise dos ciclos anteriores mantém aberta uma possibilidade muito mais agressiva.
Para repetir quedas semelhantes às observadas em ciclos passados, o Bitcoin poderia buscar aproximadamente US$ 40 mil. Isso não representa uma previsão determinística nem uma recomendação de venda.
É uma hipótese baseada no comportamento histórico dos ciclos anteriores.
“Pode cair até US$ 40 mil? Pode. E, para quem pensa em acumular Bitcoin no longo prazo, uma queda desse tamanho muda completamente a discussão.”
Mercado global está em rotação
A fotografia atual mostra mercados caminhando em velocidades diferentes:
S&P e Nasdaq voltam a mirar máximas;
Brasil sofre com saída de capital e incerteza eleitoral;
Europa permanece dependente da geopolítica;
Japão recupera força;
ouro volta a apresentar estrutura positiva;
dólar reage à expectativa sobre juros americanos;
petróleo ameaça nova valorização;
e Bitcoin ainda pode não ter encerrado seu ciclo de correção.
Para Rodrigo Cohen, o principal ensinamento é não tratar o mercado global como uma única operação. “O dinheiro gira. Um país que era a bola da vez deixa de ser. Um ativo que estava esquecido volta a chamar atenção. O investidor precisa entender essa rotação e não se apaixonar pela posição.”
Com juros, guerra, eleições e fluxo internacional interferindo simultaneamente nos preços, os próximos movimentos devem depender menos de uma única narrativa e mais da capacidade do investidor de acompanhar para onde o capital global está efetivamente migrando.
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As opiniões aqui expressas refletem o entendimento pessoal e independente do Diretor de Análise RODRIGO SANTOS COHEN, CNPI-T (6520), inclusive em relação à pessoa jurídica à qual está vinculado. Este relatório não constitui oferta nem garantia de resultado, e o investidor é o único responsável por suas decisões. A Zero Markets Brasil Consultoria e Análise de Valores Mobiliários LDTA, CNPJ 56.964.932/0001-09, credenciada perante a APIMEC Brasil, declara, nos termos do art. 22 da Resolução CVM nº 20/2021, não haver situação que afete a imparcialidade deste relatório ou configure conflito de interesses, ressalvado o que, se existente, será divulgado no próprio relatório.

