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IPO da SpaceX: o que o maior lançamento da história ensina sobre investir

O IPO da SpaceX, na sua primeira semana, quebrou todos os recordes da Nasdaq, já passou a Amazon em valor de mercado e virou assunto entre investidores. Mas, antes de você decidir entrar no foguete, vale entender o que está realmente por trás dessa estreia e o que ela revela sobre o jeito como a gente investe. Confira o que nosso Diretor de Análise, Marcos Praça (CNPI-T EM-9505) relata sobre o assunto:
Imagine a cena. Sexta-feira, 12 de junho de 2026. O sino da Nasdaq toca, executivos sorriem para as câmeras e uma empresa que passou 24 anos longe da bolsa finalmente abre o capital. Em questão de horas, o papel sobe quase 20% (FONTE: cnnbrasil.com.br/economial) e fecha o primeiro dia valendo mais de US$ 2 trilhões. Quatro dias depois, na terça (16), a ação já acumulava alta superior a 50% sobre o preço de lançamento e ultrapassava a Amazon (FONTE: infomoney.com.br/mercados), colocando a empresa de Elon Musk entre as cinco mais valiosas do planeta.
Esse é o roteiro do IPO da SpaceX e ele é bom demais para ser só sobre a SpaceX. Na verdade, ele é uma das melhores aulas de mercado financeiro que você vai ter neste ano. Então respira, deixa a empolgação de lado por dez minutos e vem comigo entender o que aconteceu de verdade.

O IPO da SpaceX em números: por que ele entrou para a história
Vamos aos fatos verificados, com fonte. Nada de achismo. Mas se você caiu de paraquedas neste artigo e precisa entender de forma básica sobre o IPO, clique aqui para ler um artigo introdutório sobre o assunto.
Preço fixo de US$ 135 por ação. Diferente do comum, a SpaceX não deu uma faixa de preço para o mercado "decidir". Ela cravou o valor e ofereceu numa lógica de "é pegar ou largar", segundo a CNBC.
Captação de cerca de US$ 75 bilhões. Isso fez do IPO da SpaceX o maior da história, superando em mais de duas vezes e meia o recorde anterior, o da Saudi Aramco, de aproximadamente US$ 29 bilhões em 2019.
Avaliação inicial de cerca de US$ 1,77 trilhão. Já nasceu gigante.
Estreia explosiva. No primeiro pregão, as ações dispararam quase 20% e fecharam perto de US$ 161, levando o valor de mercado para além de US$ 2 trilhões logo no day one, segundo a CNBC.
A escalada na terça (16). A Reuters reportou o papel subindo mais de 14% no intraday, perto de US$ 220, alta superior a 50% sobre o preço de lançamento, e empurrando o valor de mercado para a casa dos US$ 2,8 trilhões. Com isso, a SpaceX passou a Amazon (avaliada na faixa de US$ 2,64 trilhões) e chegou a tocar brevemente a Microsoft.
Para dimensionar: uma empresa que tinha 24 anos de vida fechada se tornou, em quatro dias de bolsa, a quinta companhia mais valiosa do mundo. Faz a cabeça girar, né? Mas é justamente quando a cabeça gira que o investidor inteligente desacelera.

A parte que quase ninguém te conta: float, lock-up e a "ilusão de preço"
Aqui está o pulo do gato que a maioria das manchetes ignora. Boa parte daquela alta espetacular não veio só de fé na SpaceX. Veio de escassez.
No primeiro dia, apenas cerca de 4,2% das ações da empresa estavam efetivamente disponíveis para negociação. Esse percentual livre tem um nome: float. Quando o float é pequeno e a demanda é enorme, com pequenos investidores comprando o papel num volume comparável ao de todo o mercado americano na semana anterior, segundo a Vanda Research, o preço sobe com facilidade. É lei de oferta e procura na veia: pouca oferta, muita procura, preço pra cima.
E existe um segundo personagem nessa história: o lock-up. É um período em que os sócios antigos (funcionários, fundos, executivos) ficam proibidos de vender suas ações depois do IPO. Quando esse período expirar, o que deve acontecer ainda neste ano, no caso da SpaceX, uma enxurrada de novos papéis pode chegar ao mercado de uma vez. Mais oferta, com a mesma procura, costuma significar... pressão para baixo.
Traduzindo: o preço dos primeiros dias de qualquer IPO, e o IPO da SpaceX não é exceção, mistura valor real com um efeito de escassez temporária. Quem entende isso enxerga o gráfico com outros olhos.
A própria SpaceX fechou 2025 com receita de cerca de US$ 18,7 bilhões e prejuízo líquido perto de US$ 4,9 bilhões, em meio a investimentos elevados, incluindo IA. Não é um detalhe: é um lembrete de que crescimento e lucro são coisas diferentes.

Os dois lados da mesa (e por que você precisa ouvir os dois)
No mercado, sempre que alguém compra empolgado, alguém vende cético do outro lado. E os dois têm argumentos. Olhar só para um lado é como torcer num jogo sem saber as regras.
Quem está otimista aponta três pilares de longo prazo: a Starlink e seu avanço global na internet via satélite, a tecnologia de foguetes reutilizáveis e a carteira crescente de contratos de defesa, agora somados ao braço de IA herdado da fusão com a xAI. Para esse grupo, a alta é sinal de apetite por risco e fé no futuro. Como resumiu um estrategista da Edward Jones, o movimento mostra investidores dispostos a financiar negócios de altíssimo crescimento.
Quem está cético olha para o preço e franze a testa. Uma analista do Swissquote Bank foi direta ao classificar a valuation atual como difícil de justificar, descrevendo o movimento como pura especulação, gente comprando na expectativa de que outros vão comprar depois e empurrar o preço ainda mais para cima. Some a isso um prejuízo bilionário anual e o lock-up à espreita, e o desconforto faz sentido.
Quem está certo? Honestamente, ninguém sabe ainda, e desconfie de quem afirmar ter certeza. O ponto, para você, não é escolher um time. É perceber que um bom investidor pondera os dois lados antes de mexer um centavo.
E o investidor brasileiro? Como o IPO da SpaceX chega até aqui
Essa é a pergunta que provavelmente te trouxe até aqui. A boa notícia: você não precisa, necessariamente, abrir conta lá fora para ter contato com o tema. Existem caminhos diferentes, cada um com suas características.
Compra direta na Nasdaq. Por meio de corretoras internacionais que oferecem acesso ao público brasileiro, é possível comprar o papel original da SpaceX (SPCX) em dólar. Esse caminho permite exposição direta à ação negociada no mercado americano, além de trazer diversificação cambial e geográfica. Ao mesmo tempo, é importante considerar custos operacionais, tributação, variação do dólar e o nível de risco do ativo antes de investir.
Via fundos e ETFs. Índices como o Nasdaq-100 devem passar a incluir a SpaceX, o que significa que muitos investidores podem ter uma exposição indireta ao papel por meio de fundos e ETFs que acompanham esses índices. Nesse caso, o investidor não compra diretamente a ação da empresa, mas pode ter uma pequena participação dentro de uma carteira diversificada.
BDR na B3 (código SPCX34). Outra possibilidade é o acesso por meio dos Brazilian Depositary Receipts da SpaceX, negociados em reais na bolsa brasileira. Essa alternativa pode facilitar a entrada para quem prefere operar pelo mercado local, embora mantenha exposição ao desempenho da ação lá fora e também à variação cambial.
Repare numa coisa: o IPO da SpaceX chega ao Brasil em camadas, e cada camada tem um perfil de risco e custo diferente. Não existe a "rota certa" universal. Existe a rota coerente com o seu objetivo. Inclusive, aqui na ZERO Markets Brasil temos uma consultoria de investimento excelente para cada perfil de investidor. Clique aqui e saiba mais sobre este assunto.

O custo de oportunidade que ninguém colocou na conta
Agora, o ponto mais brasileiro de todos e o mais maduro. Aqui, a taxa básica de juros roda na casa dos dois dígitos. Isso significa que o investidor brasileiro tem, ao seu lado, opções de renda fixa com retornos elevados e previsíveis.
Então a pergunta de verdade não é "a SpaceX vai subir?". A pergunta é: o que você está abrindo mão para entrar nesse tipo de ativo? Trocar a previsibilidade de um título de renda fixa pela volatilidade de uma empresa espacial que ainda dá prejuízo é uma decisão legítima, desde que seja uma decisão consciente, e não um impulso movido pela manchete do dia.
É o famoso custo de oportunidade. Cada real alocado num lugar é um real que deixou de render em outro, de outra forma, com outro perfil de investimento. O IPO da SpaceX é, nesse sentido, um espelho: ele te obriga a olhar para a sua própria estratégia, seu horizonte de tempo e a sua tolerância a sustos no caminho. Eu, Marcos Praça, não penso em investimentos ou ativos como melhor ou pior… Ele depende do objetivo e estratégia de cada investidor.
O que levar desta história
Você chegou até aqui, então deixa eu e o time da ZERO Markets Brasil sermos sinceros: este artigo nunca foi sobre comprar ou não comprar SpaceX. Ele é sobre algo mais valioso. O IPO da SpaceX te entregou, de graça, uma aula completa sobre como funcionam float, lock-up, especulação, custo de oportunidade e a diferença entre crescimento e lucro. Quem entende esses conceitos não precisa de palpite de ninguém para tomar boas decisões, porque o ideal é sempre ESTUDAR antes e pedir ajuda profissional (dependendo do grau de entendimento sobre o mercado) em qualquer ativo, em qualquer ciclo de mercado.
O foguete pode subir mais. Pode corrigir feio quando o lock-up expirar. Pode fazer as duas coisas. Mas o conhecimento que você acabou de construir não corrige, não desvaloriza e ninguém tira de você. E é por isso que nós estamos aqui e nas outras plataformas de conteúdos da ZERO Markets Brasil.
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Nenhuma parte do conteúdo deste canal deve ser interpretada como oferta, negociação ou solicitação de valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Também não configura garantia de resultados ou compromisso de retorno sobre qualquer ativo analisado. As opiniões expressas neste vídeo refletem exclusivamente (i) o entendimento independente e pessoal do Diretor de Análise da Zero Markets Brasil, MARCOS FELIPE MARTINS DA SILVA PRAÇA, CNPI-T (EM-9505); (ii) não constituem recomendação de compra e/ou venda de qualquer ativo ou valor mobiliário; e (iii) as informações, estimativas e projeções utilizadas para formar o entendimento do analista refletem a data de publicação e estão sujeitas a alterações, sem a obrigação de comunicação para atualizações ou revisões, uma vez que não constituem recomendação de investimento ou desinvestimento. O investidor que, de algum modo, utilizar as informações e opiniões aqui veiculadas em seu processo de tomada de decisão é exclusivamente responsável por suas escolhas de investimento ou abstenção de investimento, não tendo a Zero Markets Brasil nem o Analista qualquer responsabilidade sobre os resultados ou prejuízos eventualmente obtidos. Nem o Analista nem a Zero Markets Brasil receberam qualquer benefício ou retorno financeiro em razão das opiniões aqui veiculadas, o que foi feito de modo absolutamente independente e livre de qualquer conflito de interesses, nos termos da Resolução CVM 20/2021.


