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Inflação no Brasil pressiona mercado, petróleo volta a subir e corrida eleitoral começa a ganhar tração

A semana foi marcada por uma combinação delicada de fatores econômicos e políticos: inflação em linha nos Estados Unidos, pressão inflacionária maior no Brasil, alta do petróleo por causa das tensões em Hormuz, sinais de fragilidade em grandes empresas brasileiras e um novo retrato da disputa presidencial de 2026.
No panorama macro da Zero Markets Brasil, Rodrigo Cohen, trader profissional e analista convidado, destacou que o investidor precisa olhar o cenário de forma integrada. Na prática, inflação, juros, petróleo, crédito e política acabam se conectando, e isso chega, cedo ou tarde, no bolso da população.
Inflação nos EUA veio dentro do esperado, mas o mercado segue atento
Nos Estados Unidos, o CPI, que mede a inflação ao consumidor, veio em linha com o esperado. Isso significa que o dado não trouxe uma surpresa negativa para o mercado, o que ajudou a evitar uma reação mais brusca nos ativos.
Segundo Cohen, quando a inflação vem exatamente como o mercado imaginava, o impacto costuma ser menor. O problema aparece quando o número surpreende para cima ou para baixo.

“O mercado não reage só ao dado. Ele reage à diferença entre o dado e a expectativa.”
Mesmo assim, a atenção continua alta porque o Federal Reserve ainda está observando de perto os próximos indicadores antes de tomar novas decisões sobre juros.
No Brasil, IPCA veio acima do esperado e reacendeu preocupação
Se nos Estados Unidos o número foi neutro, no Brasil a leitura foi mais preocupante. O IPCA, principal índice de inflação do país, veio acima do esperado e também acima do mês anterior.

Para Cohen, isso afeta diretamente a percepção sobre a economia brasileira porque inflação mais alta costuma dificultar a queda dos juros.
E por que isso importa?
Porque juros altos:
encarecem crédito e financiamento;
dificultam o crescimento das empresas;
reduzem consumo;
pesam sobre investimento e emprego.
Além disso, a inflação oficial nem sempre reflete totalmente a sensação real da população.
“O índice do IBGE mede uma cesta de produtos, mas muita gente sente no dia a dia um aumento maior do que o número oficial.”
Petróleo volta a subir com tensões no Estreito de Hormuz
Outro tema central da semana foi a alta do petróleo. O barril voltou a subir com força diante do aumento das tensões no Estreito de Hormuz, rota estratégica para o transporte global de energia.

Mesmo com a liberação de reservas por alguns países e discursos tentando acalmar o mercado, o petróleo voltou a encostar perto dos US$ 100 por barril.
Cohen explica que esse movimento preocupa porque o petróleo influencia praticamente toda a cadeia econômica.
Quando o petróleo sobe:
sobe o combustível;
sobe o custo do transporte;
sobe o custo da produção;
sobe a inflação.
E quando a inflação sobe, o mundo inteiro passa a discutir juros mais altos por mais tempo.
“No fim das contas, petróleo caro não pesa só para quem abastece. Pesa em tudo.”
Trump fala em fim próximo da guerra, mas o mercado ainda não comprou totalmente essa ideia
O ex-presidente Donald Trump afirmou à Axios que a guerra pode terminar em breve. A fala trouxe algum alívio momentâneo aos mercados, mas o ambiente segue instável porque do outro lado também há declarações indicando que o conflito ainda está longe de uma solução definitiva.

Esse tipo de ruído político aumenta a volatilidade. Em momentos assim, preços sobem e caem rapidamente porque o mercado reage em tempo real às manchetes.
Raízen e GPA recorrem à recuperação extrajudicial
No Brasil, duas notícias corporativas chamaram atenção: Raízen e GPA entraram com pedidos de recuperação extrajudicial, em valores bilionários.
Raízen: cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas
GPA: cerca de R$ 4,5 bilhões

Para o público leigo, Cohen explica de forma simples: recuperação extrajudicial é uma tentativa de renegociar dívidas diretamente com credores, fora de um processo judicial mais longo e complexo.

O objetivo é ganhar prazo, reorganizar pagamentos e evitar deterioração maior da empresa.
No caso do varejo e de empresas muito alavancadas, o cenário brasileiro pesa bastante:
juros altos;
consumo mais fraco;
concorrência forte;
custo financeiro elevado;
dificuldade de financiamento.
“Juro alto machuca a empresa por dentro. Fica mais caro financiar, crescer e até sobreviver.”
Flávio Bolsonaro encosta em Lula e segundo turno aparece empatado
No campo político, a pesquisa Genial/Quaest mostrou Flávio Bolsonaro mais próximo de Lula no primeiro turno e empate técnico em cenários de segundo turno.
Além da aproximação entre os dois nomes, outro dado chama atenção: ambos apresentam rejeição muito elevada.
Segundo Cohen, o mercado ainda não reagiu de forma intensa a esse movimento, mas o tema eleitoral tende a ganhar peso à medida que o calendário político avança.
Agenda econômica: sexta-feira 13 tem PIB e PCE nos Estados Unidos
O principal destaque do calendário é a sexta-feira, com dois indicadores importantes nos Estados Unidos:
PIB trimestral
PCE, índice de inflação muito acompanhado pelo Federal Reserve
O PCE é especialmente relevante porque é uma das métricas preferidas do banco central americano para avaliar se há espaço para cortar, manter ou até endurecer a política de juros.

Na semana seguinte, a grande atenção estará voltada para a decisão de juros do Fed, embora o mercado hoje aposte quase unanimemente na manutenção da taxa.
A dúvida não é tanto o que acontece agora. A dúvida é o que acontece depois.
Conclusão
Para Rodrigo Cohen, o cenário atual mistura cinco frentes que o investidor não pode ignorar:
inflação ainda pressionando no Brasil;
inflação monitorada de perto nos EUA;
petróleo em alta por risco geopolítico;
empresas brasileiras sofrendo com crédito caro;
eleições começando a entrar no radar.
O recado central é direto:
“Não adianta olhar só um pedaço do tabuleiro. O mercado hoje é inflação, petróleo, juros, política e crédito ao mesmo tempo.”
Em outras palavras: quem quiser entender para onde o dinheiro vai, precisa primeiro entender onde está o risco.


