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Fed mantém juros, Brasil corta Taxa Selic e mercado entra em nova fase

A semana foi marcada por uma das decisões mais importantes do ano para os mercados globais. Enquanto o Federal Reserve manteve os juros nos Estados Unidos, o Brasil corta taxa Selic em mais um movimento relevante do Banco Central brasileiro.
No entanto, apesar da divergência entre as duas autoridades monetárias, o tom adotado foi mais cauteloso. Dessa forma, a decisão reforça que, mesmo com o Brasil cortando a taxa Selic, o cenário à frente ainda exige atenção, principalmente diante das incertezas sobre inflação, atividade econômica e os próximos passos da política monetária global.
Federal Reserve mantém juros e surpreende com tom mais duro

O Federal Reserve manteve os juros americanos inalterados na faixa entre 3,50% e 3,75%, conforme amplamente esperado pelo mercado.
O destaque ficou para o chamado "Dot Plot", gráfico que reúne as projeções individuais dos membros do Fed para os juros futuros.
Segundo os dados divulgados:
9 dos 18 membros já apontam para juros mais altos.
6 deles projetam duas altas de juros ainda este ano.
A projeção de inflação medida pelo PCE foi elevada de 2,7% para 3,6%.
Para Rodrigo Cohen, o mercado esperava um discurso mais tranquilo após a redução das tensões geopolíticas, mas encontrou um Federal Reserve mais preocupado com a inflação futura.
Kevin Warsh estreia no Fed com postura mais agressiva

A reunião também marcou uma das primeiras grandes decisões sob a liderança de Kevin Warsh.
Segundo a análise apresentada:
O novo presidente adotou postura considerada mais "hawkish" (mais dura com a inflação).
Indicou preocupação com pressões inflacionárias futuras.
Anunciou cinco grupos de trabalho para reformar processos internos do Federal Reserve.
A leitura predominante foi de que o Fed continua priorizando o combate à inflação, mesmo após o alívio das tensões no Oriente Médio.
Banco Central do Brasil corta Taxa Selic para 14,25%

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual.
Com isso:
A taxa básica passou para 14,25% ao ano.
A decisão foi unânime.
O Banco Central retirou sinalizações mais claras sobre os próximos cortes.
Segundo Cohen, o mercado recebeu a redução dos juros como positiva, mas o comunicado reforçou que as próximas decisões dependerão integralmente da evolução dos dados econômicos.
Guerra perde força, mas efeitos permanecem

O acordo firmado entre Estados Unidos e Irã trouxe alívio aos mercados globais.
Entre os principais pontos:
Assinatura de 14 cláusulas entre os países.
Reabertura gradual do Estreito de Hormuz.
Retomada parcial da circulação de petroleiros.
Apesar disso, os bancos centrais continuam observando os efeitos acumulados da crise sobre inflação, energia e crescimento econômico.
Petróleo despenca 16% na semana
Com a diminuição do prêmio de risco geopolítico, o petróleo registrou forte correção.
O Brent:
Caiu aproximadamente 16% na semana.
Voltou a negociar próximo de importantes regiões técnicas.
Passou a sinalizar possível redução das pressões inflacionárias globais.
Segundo a análise, o petróleo mais barato pode ajudar a desacelerar a inflação ao longo dos próximos meses.
Inflação americana mostra sinais de desaceleração
Outro dado relevante foi a divulgação do CPI americano.
Os números mostraram:
Inflação anual (headline) de 4,2%.
Núcleo (Core CPI) avançando apenas 0,2%.
Segundo Cohen, o núcleo da inflação continua mostrando sinais de desinflação, o que gera um contraste com a postura mais cautelosa adotada pelo Fed.
SpaceX estreia na bolsa com forte valorização
A estreia da SpaceX foi um dos eventos corporativos mais comentados da semana.
Segundo os dados apresentados:
O IPO chegou a subir 19%.
Houve realização parcial de lucros após a abertura.
O mercado segue avaliando os próximos passos da companhia.
Varejo brasileiro preocupa
No Brasil, um dos indicadores que chamou atenção foi o desempenho das vendas no varejo.
Segundo os dados citados:
O setor registrou a maior queda desde 2022.
O resultado reforçou argumentos favoráveis ao corte da Selic.
O enfraquecimento da atividade econômica passou a ganhar atenção dos investidores.
Dow Jones e S&P continuam próximos das máximas
Apesar da postura mais dura do Fed, os mercados americanos seguem resilientes.
Os destaques foram:
O DJIA atingiu máxima histórica intradiária antes da decisão.
O S&P 500 permanece próximo dos recordes.
O mercado ainda precifica crescimento econômico sólido e possível melhora da inflação nos próximos meses.
Ouro perde força após o fim da guerra

O ouro devolveu parte dos ganhos acumulados durante o período mais intenso da crise geopolítica.
Segundo a análise:
O metal recuou para a região de US$ 4.325.
A redução das tensões diminuiu a busca por proteção.
A perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos também pesou sobre as cotações.
O que observar nas próximas semanas
Segundo Rodrigo Cohen, os próximos movimentos dos mercados dependerão principalmente de três fatores:
1. Inflação nos Estados Unidos
Se os próximos indicadores continuarem mostrando desaceleração, o discurso do Fed poderá mudar.
2. Petróleo
A continuidade da queda do Brent poderá aliviar as pressões inflacionárias globais.
3. Política monetária brasileira
A trajetória futura da Selic dependerá da evolução do IPCA e da atividade econômica.
Conclusão
A semana trouxe uma combinação incomum para os investidores: guerra arrefecendo, petróleo em forte queda, inflação desacelerando parcialmente, Fed mais cauteloso e o Brasil corta taxa Selic em mais um movimento importante do Banco Central brasileiro.
Como resultado, o mercado ficou dividido entre o alívio geopolítico e a preocupação com a inflação futura. Além disso, o fato de que o Brasil corta taxa Selic reforça a expectativa de um novo ciclo para os juros domésticos, embora o cenário ainda exija cautela.
Portanto, os próximos indicadores econômicos serão determinantes para confirmar qual dessas forças prevalecerá no segundo semestre: o otimismo com juros menores e petróleo em queda ou a cautela diante das incertezas inflacionárias e monetárias globais.
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