Artigo

Discurso de Trump, eleições no Brasil e recorde da Bolsa

O cenário econômico da semana foi marcado por três grandes fatores: o discurso de Donald Trump no Estado da União, novas definições sobre tarifas comerciais que impactam exportações brasileiras e a renovação das máximas históricas do Ibovespa, impulsionada por forte entrada de capital estrangeiro.

Para Rodrigo Cohen, trader profissional e analista convidado da Zero Markets Brasil, o momento exige leitura integrada entre política internacional, fluxo de capital e cenário eleitoral brasileiro.


Trump faz discurso histórico e cita Irã, Venezuela e tarifas

Em um pronunciamento que durou 1 hora e 47 minutos, um dos mais longos já registrados em discursos do Estado da União, Donald Trump abordou temas sensíveis como Irã, Venezuela, política tarifária e imigração.

Entre os principais pontos:

  • Acusou o Irã de continuar sendo um patrocinador global do terrorismo.

  • Indicou interesse em negociações, mas reforçou postura firme.

  • Citou a Venezuela como parceira comercial estratégica, destacando exportações de petróleo.

  • Comentou sobre a recente decisão da Suprema Corte americana envolvendo tarifas comerciais.

A decisão da Suprema Corte reduziu o impacto do chamado “tarifaço”, diminuindo a alíquota geral para cerca de 10%. Isso gerou alívio parcial nos mercados e trouxe benefícios diretos para produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos.


Produtos brasileiros beneficiados com redução de tarifas

Segundo estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, cerca de 46% a 47% dos produtos brasileiros exportados aos EUA foram poupados da taxação integral

Entre os itens beneficiados estão:

  • Aeronaves

  • Produtos industriais estratégicos

  • Parte do setor agrícola

Para Cohen, isso reduz o risco de impacto negativo no PIB brasileiro e ajuda a manter a confiança do investidor internacional.

“Menos tarifa significa mais competitividade. E mais competitividade significa mais exportação e potencial geração de emprego.”


Ibovespa renova máxima histórica com entrada recorde de estrangeiros

Mesmo com incertezas globais e tensão política interna, o Ibovespa voltou a renovar máximas históricas, aproximando-se dos 200 mil pontos.

O principal motivo, segundo Cohen, é o fluxo estrangeiro.

  • Só em fevereiro, foram cerca de R$ 12,2 bilhões em entrada líquida

  • No acumulado do ano, já são aproximadamente R$ 38,5 bilhões

  • Em apenas um dia, houve aporte superior a R$ 3 bilhões

Esse movimento tem um efeito direto no mercado:

  1. O investidor estrangeiro traz dólares.

  2. Para investir, precisa converter em reais.

  3. Vende dólar.

  4. Compra ações brasileiras.

Resultado:
📉 Dólar cai.
📈 Bolsa sobe.

“O fluxo é mecânico. Enquanto o capital externo entrar, a Bolsa tende a se sustentar em patamares elevados.”


Dólar atinge menor nível em dois anos

Com a forte venda de dólares para financiar compras na Bolsa, a moeda americana caiu para cerca de R$ 5,14, menor patamar em quase dois anos.

Esse movimento também reflete expectativas de possível redução de juros nos Estados Unidos ao longo do ano, o que diminui a atratividade dos títulos americanos e incentiva a busca por mercados emergentes.


Eleições 2026: Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados

A pesquisa Atlas Intel divulgada recentemente mostrou, pela primeira vez, empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro na corrida presidencial.

Ambos também apresentam elevados índices de rejeição.

Historicamente, o mercado tende a reagir a pesquisas eleitorais:

  • Candidatos percebidos como mais pró-mercado costumam gerar reação positiva na Bolsa.

  • Candidatos vistos como mais intervencionistas podem gerar volatilidade negativa.

Por enquanto, segundo Cohen, o fluxo estrangeiro tem sido mais determinante do que o cenário eleitoral.

“Hoje, o que move a Bolsa é dinheiro entrando. A eleição ainda não virou o fator principal.”


Agenda econômica: atenção ao PIB e mercado de trabalho nos EUA

Nos próximos dias, os principais destaques da agenda econômica incluem:


🇧🇷 Brasil

  • IPCA-15 (prévia da inflação)

  • PIB brasileiro

  • Boletim Focus


🇺🇸 Estados Unidos

  • ADP (emprego privado)

  • Payroll (relatório oficial de emprego)

  • Livro Bege do Fed

  • PPI (inflação ao produtor)

Além disso, há ajuste no horário de divulgação de indicadores devido à mudança no fuso horário americano, o que impacta investidores que operam mercado internacional.


Até quando a Bolsa sobe?

Essa é a principal pergunta do investidor.

Para Cohen, a questão central não é se a Bolsa já está cara, mas se o fluxo vai continuar.

“Se o estrangeiro parar de aportar, o mercado sente. A dúvida é: o investidor brasileiro vai assumir essa demanda caso isso aconteça?”

Por enquanto, o movimento permanece sustentado pelo capital internacional.


Conclusão

O cenário atual combina:

  • Redução parcial das tarifas americanas

  • Discurso forte de Trump com foco geopolítico

  • Entrada recorde de capital estrangeiro no Brasil

  • Dólar em queda

  • Eleições começando a entrar no radar

Para Rodrigo Cohen, o momento exige menos emoção e mais leitura de fluxo.

“Mercado não sobe ou cai por opinião. Sobe e cai por dinheiro. Entender para onde ele está indo é o que faz diferença.”


DISCLAIMER: Nenhuma parte do conteúdo deste canal deve ser interpretada como oferta, negociações ou solicitações de valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Também não configura garantia de resultados ou compromisso de retorno sobre qualquer ativo analisado. As opiniões expressas neste vídeo refletem exclusivamente (I) o entendimento independente e pessoal do Analista Convidado da ZERO Markets Brasil, RODRIGO SANTOS COHEN, CNPI-T (6520); (II) não constituem recomendações de compra e/ou venda de qualquer ativo ou valor mobiliário; e (III) as informações, estimativas e projeções utilizadas para reformar o entendimento do analista refletem a data de publicação e estão sujeitas a alterações, sem a obrigação de comunicação para atualizações ou revisões, uma vez que não constituem recomendações de investimento ou desinvestimento. O investidor que, de algum modo, utilizar as informações e opiniões ou abstenção de investimento, não tendo a ZERO Markets Brasil nem o Analista qualquer responsabilidade sobre os resultados ou prejuízos eventualmente obtidos. Nem o Analista nem a ZERO Markets Brasil receberam qualquer benefício ou retorno financeiro em razão das opiniões aqui veiculadas, o que foi feito de modo absolutamente independente e livre de qualquer conflito de interesses, nos termos da Resolução CVM 20/2021.

Veja mais

As últimas notícias do mundo financeiro

Invista Com Confiança

Newsletter

Junte-se à nossa comunidade e tenha acesso a conteúdos exclusivos

Ao se inscrever acima, você concorda com nossa política de privacidade

A ZERO MARKETS BRASIL ANÁLISE E CONSULTORIA DE VALORES MOBILIÁRIOS LTDA CNPJ: 56.964.932/0001-09. é regularmente autorizada e credenciada, respectivamente, pela Comissão de Valores Mobiliários (Ato Declaratório 22.522/2024) e pela APIMEC (nº de registro 260), para atuar como Consultor de Valores Mobiliários e Analista de Valores Mobiliários, conforme disposto nas Resoluções CVM 19/2021 e 20/2021. Nenhuma parte do conteúdo deste site deve ser interpretada como oferta, negociação ou solicitação de valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Também não configura garantia de resultados ou compromisso de retorno sobre qualquer ativo analisado. O conteúdo é fornecido em regime de obrigação de meio, e não de resultado. As decisões de investimento e estratégias financeiras são realizadas a exclusivo critério dos próprios usuários, não sendo de responsabilidade dos analistas, consultores ou da ZERO MARKETS BRASIL quaisquer perdas que os usuários possam suportar. Todo o conteúdo disponibilizado neste site, incluindo análises, relatórios e opiniões, reflete exclusivamente o posicionamento técnico e independente de seus profissionais responsáveis, sendo elaborado com base em informações públicas e fontes consideradas confiáveis. No entanto, a veracidade e exatidão das informações não podem ser garantidas. A ZERO MARKETS BRASIL mantém rígida segregação entre as atividades de análise e consultoria de valores mobiliários, em conformidade com as regulamentações aplicáveis, assegurando a confidencialidade e a independência necessárias. A ZERO MARKETS BRASIL não é uma corretora de títulos e valores mobiliários, razão pela qual não realiza a venda de ativos financeiros e movimentações financeiras em nome de seus usuários. A ZERO MARKETS BRASIL faz parte do Zero Markets Group, que inclui as seguintes subsidiárias regulamentadas: Zero Markets Limited (FMA, Licença nº FSP 569807); Zero Securities Pty Ltd (ASIC, Licença nº AFSL 24404); Zero Financial Ltd (FSC, Licença nº GB21026308). Ainda que existam potenciais conflitos de interesse entre as empresas do Grupo Zero Markets, todas as regras de segregação entre as atividades são devidamente observadas pelas empresas da marca. ATENÇÃO: Investimentos em valores mobiliários envolvem riscos, podendo resultar em perdas financeiras. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros. As decisões de investimento são de exclusiva responsabilidade dos usuários, que devem avaliar cuidadosamente suas estratégias e perfis de risco antes de investir. O uso, reprodução ou distribuição do conteúdo aqui disponibilizado, no todo ou em parte, é estritamente proibido sem a prévia e expressa autorização da ZERO MARKETS BRASIL, sob pena de medidas legais cabíveis. Em caso de dúvidas ou solicitações adicionais, entre em contato através de nossos canais de atendimento oficiais.

Diretor de Análise: MARCOS PRAÇA (CNPI-T 9505)

Diretor de Consultoria: OTAVIO SANTIAGO MEIRELES ARAÚJO (A. D./CVM nº 20.249/24)

Diretor de Compliance: ANDRÉ PINTO DIAS

ZERO Markets Brasil © All rights reserved