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Decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas gera incerteza global

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de anular tarifas comerciais impostas anteriormente pelo ex-presidente Donald Trump trouxe um novo capítulo para o cenário econômico global. A medida pode beneficiar países exportadores, como o Brasil, mas também aumentou a incerteza sobre quais serão os próximos passos da política comercial americana.
Para Rodrigo Cohen, trader profissional e analista convidado da Zero Markets Brasil, o momento é típico de transição: boas notícias para alguns setores, mas instabilidade no curto prazo.
“Quando surge dúvida sobre regras do jogo - especialmente envolvendo a maior economia do mundo - o investidor tende a reduzir risco até entender qual será o novo cenário”, explica Cohen.
Brasil: Bolsa bate recorde mesmo com turbulência externa
Apesar da instabilidade internacional, o principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, voltou a renovar máximas históricas, superando a região dos 191 mil pontos.
O principal motivo, segundo Cohen, é a entrada forte de capital estrangeiro no país. Em pouco mais de um mês, cerca de 30 bilhões de dólares foram direcionados ao mercado brasileiro, volume superior ao registrado em todo o ano anterior.

Isso acontece porque investidores globais estão buscando retornos maiores fora dos Estados Unidos, principalmente em países emergentes como o Brasil.
“O investidor internacional olha onde pode ganhar mais. E, neste momento, o Brasil está oferecendo esse potencial”, afirma.
Mesmo com discussões sobre liquidação de bancos e ruídos políticos internos, o fluxo externo tem sido mais relevante para sustentar a alta da Bolsa.
Estados Unidos: mercado reage com cautela

Nos Estados Unidos, os principais índices acionários apresentaram queda superior a 1% em alguns momentos após a decisão sobre as tarifas.
Embora a anulação das tarifas possa ser positiva para o comércio global, o mercado ainda aguarda clareza sobre como o governo americano poderá reagir dentro das possibilidades legais.
Essa falta de definição gera o que os analistas chamam de “lateralização” — quando o mercado oscila sem tendência clara de alta ou baixa.
Ouro sobe forte e mostra busca por proteção

Quando há incerteza, muitos investidores procuram ativos considerados mais seguros. É o caso do ouro.
Nos últimos dias, o metal acumulou alta próxima de 6% e já sobe cerca de 20% no ano. O ouro costuma se valorizar em momentos de tensão política, comercial ou econômica.
“É um movimento clássico. Quando aumenta o medo, o ouro tende a ganhar força”, explica Cohen.
Petróleo também avança com tensão geopolítica

O petróleo Brent, referência mundial, também registra valorização relevante em 2026, acumulando alta próxima de 19%.
Parte desse movimento é explicada por tensões no Oriente Médio e incertezas envolvendo grandes produtores globais. Quando há risco de redução na oferta, o preço do petróleo tende a subir.
Bitcoin enfrenta momento de correção

No mercado de criptomoedas, o Bitcoin apresentou queda recente de cerca de 5%, aproximando-se da faixa dos 63 mil dólares.
Segundo Cohen, essa região é considerada importante do ponto de vista técnico. Caso o ativo perca o suporte próximo dos 60 mil dólares, pode haver espaço para uma correção maior.
“É um momento decisivo para o Bitcoin. O mercado precisa definir se é apenas um ajuste temporário ou início de um movimento mais amplo de queda.”
Agenda da semana e mudança de horário
A semana conta com discursos de membros do Federal Reserve (Banco Central americano), divulgação de inflação na Europa e indicadores importantes no Brasil, como o IPCA-15.
Além disso, a mudança no horário dos Estados Unidos altera o funcionamento do mercado. A Bolsa americana volta a abrir às 10h30 no horário de Brasília, e indicadores econômicos passam a ser divulgados às 9h30.
Para quem investe ou acompanha o mercado, essa alteração impacta diretamente a dinâmica dos preços ao longo do dia.
Conclusão: momento pede cautela e estratégia
O cenário atual combina:
Mudanças nas regras comerciais dos EUA
Alta histórica da Bolsa brasileira
Busca global por ativos mais seguros
Volatilidade nas criptomoedas
Para Rodrigo Cohen, o investidor precisa manter o equilíbrio.
“Em momentos de incerteza, agir por impulso costuma ser o maior erro. Entender o cenário e respeitar o risco é o que faz diferença no longo prazo.”
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