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Bolsas globais sobem forte, petróleo cai e mercado testa euforia em meio à incerteza da guerra

Após semanas de intensa volatilidade, o cenário financeiro internacional apresentou uma virada significativa. Recentemente, as bolsas globais registraram uma reação expressiva de alta, com índices nos Estados Unidos, Europa, Ásia e Brasil avançando com força total. Em contrapartida, enquanto as ações subiam, o petróleo recuou e o dólar perdeu fôlego frente a outras divisas.
Contudo, o comportamento dos ativos não foi uniforme. Ao mesmo tempo que o otimismo impulsionava a renda variável, ativos de proteção e reserva de valor, como o ouro e o Bitcoin, apresentaram movimentos bem mais moderados.
Diante desse cenário, a pergunta central que ecoa entre investidores permanece: as bolsas globais entraram em um novo ciclo de alta sustentada ou estamos apenas presenciando um "respiro" técnico antes de uma nova turbulência?
Nesse mais recente review global da ZERO Markets Brasil, Rodrigo Cohen, trader profissional e analista convidado, pondera que a situação exige cautela. De acordo com o especialista, o movimento recente pode não ser tão linear quanto o gráfico sugere.
“Quando tudo sobe ao mesmo tempo, o mercado parece fácil. No entanto, muitas vezes, é justamente nesse excesso de euforia que ele se torna mais perigoso”,
alerta Cohen.
Bolsas globais sobem em bloco e se aproximam de máximas
A semana foi marcada por um forte movimento de recuperação nos principais mercados:
S&P 500: alta próxima de 4%
Nasdaq: avanço superior a 5%
Ibovespa: alta próxima de 5%, aproximando-se de máximas históricas
DAX (Alemanha): valorização acima de 2%
Nikkei (Japão): alta próxima de 8%

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Para Cohen, quando esse tipo de movimento acontece de forma sincronizada, indica retorno do apetite por risco, mas não necessariamente estabilidade.
“O mercado voltou a comprar, mas ainda não resolveu o problema.”
Brasil se destaca e encosta nos 200 mil pontos
O Ibovespa foi um dos destaques da semana.

O índice chegou à região dos 197 mil pontos, muito próximo das máximas históricas. Segundo Cohen, a valorização tem sido impulsionada por:
entrada de capital estrangeiro;
empresas consideradas baratas em relação a pares globais;
valorização do real frente ao dólar;
e expectativa de continuidade de fluxo para mercados emergentes.
A projeção técnica indica possibilidade de o índice buscar a faixa dos 200 mil pontos, caso o cenário global continue favorável.
Petróleo devolve alta e reage à trégua temporária
Depois de semanas de forte pressão, o petróleo recuou cerca de 14% a 16%, devolvendo boa parte da alta recente.

Esse movimento foi impulsionado por expectativas de trégua no conflito no Oriente Médio e redução do risco de interrupção no Estreito de Hormuz.
Segundo Cohen, o petróleo segue sendo o principal termômetro da guerra:
tensão aumenta → petróleo sobe
tensão diminui → petróleo cai
Dólar perde força com aumento do apetite por risco
Com o ambiente mais otimista, o dólar global recuou cerca de 1,5% na semana.

Esse movimento reflete um padrão clássico:
quando o mercado busca risco, investidores vendem dólar para comprar ativos mais rentáveis, como ações.
No Brasil, o dólar atingiu níveis que não eram vistos desde 2022, reforçando o fluxo de capital estrangeiro.
Ouro sobe, mas com menos intensidade
O ouro registrou alta de cerca de 2,5%, mas ficou atrás das bolsas em termos de desempenho.

Segundo Cohen, isso mostra que o mercado está dividido:
parte ainda busca proteção;
parte já voltou a assumir risco.
Esse equilíbrio faz com que o ouro continue relevante, mas sem disparar como em momentos de pânico mais intenso.
Bitcoin perde força e reage à incerteza
O Bitcoin subiu cerca de 2,6% na semana, mas mostrou fraqueza recente, com queda de aproximadamente 3% no momento da gravação.

Para Cohen, o comportamento do ativo reforça sua sensibilidade ao cenário global:
quando o mercado está confiante → Bitcoin sobe
quando a incerteza volta → Bitcoin sofre
A ausência de acordo definitivo entre Estados Unidos e Irã voltou a pressionar o ativo no curto prazo.
Guerra volta a preocupar e pode mudar tudo
Apesar da alta recente, o principal risco continua sendo o mesmo: a guerra.
Segundo Cohen, as negociações entre Estados Unidos e Irã não avançaram como esperado. Pelo contrário, surgiram novas tensões:

divergências impediram um acordo definitivo;
ameaças políticas aumentaram o tom do conflito;
e novas restrições no Estreito de Hormuz voltaram ao radar.
Isso cria um cenário delicado para a abertura dos mercados.
“O que subiu rápido pode cair rápido também. O mercado ainda está dependente da manchete.”
Próxima semana: poucos dados, foco total na guerra
A agenda econômica da próxima semana é relativamente leve, com poucos indicadores relevantes:
IPP (inflação ao produtor) nos EUA
Livro Beige do Fed
IBC-Br (prévia do PIB brasileiro)
discursos de membros do Federal Reserve
Segundo Cohen, isso significa que o mercado ficará ainda mais sensível ao noticiário geopolítico.
Sem dados fortes para direcionar, o foco será totalmente na evolução do conflito.
Conclusão
Atualmente, o mercado financeiro vive um momento de transição decisivo. Após uma forte recuperação em diversos setores, os ativos alcançaram patamares técnicos importantes. Entretanto, ainda não há uma confirmação clara de tendência para os próximos meses.
Para entender o panorama atual, os principais pontos de atenção são:
Bolsas globais: Operando em forte alta e testando resistências;
Petróleo: Em trajetória de queda após o alívio das tensões geopolíticas;
Dólar: Apresentando enfraquecimento perante moedas emergentes;
Ouro: Mantendo-se como um ativo relevante de proteção;
Bitcoin: Sem direção clara, aguardando novos gatilhos de volume;
Guerra: Permanecendo como o principal fator de risco externo.
Nesse sentido, Rodrigo Cohen enfatiza que o momento exige cautela e equilíbrio por parte do investidor. Afinal, o otimismo recente nas bolsas globais pode ser interpretado de duas formas.
“O mercado pode estar começando uma nova alta… ou apenas respvirando antes da próxima queda”, pontua o analista.
Quer entender os próximos passos do mercado?
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