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Bolsas globais batem recordes, dólar cai no Brasil e mercado aposta no fim da guerra

Os mercados globais encerraram a semana em forte alta, com novos recordes históricos nos Estados Unidos e no Brasil, queda do dólar e recuperação de diversos ativos. O movimento, no entanto, acontece em um cenário ainda instável, marcado por incertezas geopolíticas e dúvidas sobre inflação e juros.
No panorama macro global da Zero Markets Brasil, Rodrigo Cohen, trader profissional e analista convidado, destaca que o mercado parece estar antecipando um cenário mais positivo, mas ainda sem confirmação concreta.
“O mercado está comprando a ideia de paz antes dela existir de fato. E isso pode ser uma grande oportunidade… Ou um grande risco.
Bolsas globais renovam máximas históricas
O destaque da semana foi a forte valorização dos principais índices:
S&P 500 atingiu 7.022 pontos, nova máxima histórica
Nasdaq superou os 24.000 pontos, também em recorde
Ibovespa alcançou a região de 199 mil pontos, renovando máximas
Segundo Cohen, o movimento chama atenção porque acontece em um momento em que o cenário global ainda está longe de ser resolvido.

“A bolsa não espera o fim da crise. Ela antecipa o que pode acontecer depois.”
Dólar cai abaixo de R$ 5 e surpreende o mercado
Outro ponto relevante foi o comportamento do câmbio no Brasil.
O dólar chegou a bater R$ 4,99, nível que não era visto desde 2022. A queda ocorre mesmo com inflação acima do teto da meta, o que, em teoria, deveria pressionar a moeda para cima.

Para Cohen, esse movimento reforça a entrada de capital estrangeiro no país.
“O dinheiro global está buscando oportunidade. E o Brasil, neste momento, parece barato para o investidor de fora.”
Inflação sobe e cria contradição no mercado
Apesar da alta das bolsas, os dados de inflação no Brasil continuam pressionando.
O Boletim Focus apontou projeção de IPCA em 4,71%, acima do teto da meta de 4,5%. Isso levanta uma dúvida importante: se a inflação está piorando, por que o mercado sobe?
Segundo Cohen, esse tipo de divergência acontece quando o mercado olha mais para o futuro do que para o presente.
“Alguém está olhando um cenário diferente lá na frente. A dúvida é quem está certo: os dados ou o mercado.”
Guerra segue sem definição e mantém risco elevado
O principal fator de incerteza continua sendo o conflito no Oriente Médio.
Apesar de um cessar-fogo inicial ter trazido alívio, a situação segue indefinida:
Estreito de Hormuz permanece parcialmente bloqueado
Estados Unidos mantêm presença militar na região
Irã ainda impõe restrições e taxas sobre navegação
negociações seguem frágeis

Segundo Cohen, o mercado opera hoje com base em expectativa.
expectativa de paz → bolsas sobem
risco de escalada → mercados podem corrigir rapidamente
Petróleo recua, mas ainda carrega risco
O petróleo, que chegou a ultrapassar os US$ 100 durante a crise, recuou para a faixa dos US$ 90, acompanhando o alívio momentâneo da guerra.
Ainda assim, permanece cerca de US$ 26 abaixo do pico recente, o que mostra o tamanho da volatilidade.
Para Cohen, o petróleo segue sendo o principal indicador do risco global.
Estados Unidos: economia forte complica corte de juros
Nos Estados Unidos, os dados econômicos continuam mostrando resiliência:
emprego acima do esperado
desemprego em queda
atividade econômica forte

Esse cenário reduz a pressão para cortes de juros no curto prazo.
A próxima decisão do Federal Reserve, marcada para o fim de abril, será decisiva para entender o rumo da política monetária.
Brasil se destaca entre emergentes.
Enquanto Europa e Ásia enfrentam maior sensibilidade ao conflito, o Brasil tem apresentado desempenho superior:
Ibovespa em máxima histórica
fluxo estrangeiro positivo
real valorizado
percepção de menor risco geopolítico direto
Segundo Cohen, o país tem se beneficiado de um cenário global em que investidores buscam alternativas fora dos grandes centros.
Essa é a principal questão levantada na análise.
Para Cohen, o comportamento atual dos ativos sugere que o mercado já está precificando um cenário mais positivo:
fim ou redução da guerra
queda do petróleo
alívio na inflação
retomada de crescimento
Mas o risco é claro: se essa expectativa estiver errada, a correção pode ser rápida.
Próximos dias serão decisivos
O prazo para o possível desfecho do conflito gira em torno das próximas semanas, com datas críticas próximas ao fim do cessar-fogo atual.
Isso cria um cenário que Cohen chama de evento binário:
ou o conflito diminui → mercados continuam subindo
ou a tensão volta → mercados podem cair com força
Conclusão
O cenário atual combina:
bolsas globais em máximas históricas
dólar em queda no Brasil
inflação acima da meta
petróleo ainda volátil
guerra sem definição clara
Para Rodrigo Cohen, o investidor precisa entender que o mercado hoje está mais sensível do que parece.
“Quando tudo parece perfeito, normalmente é porque o risco ainda não apareceu… ou ainda não foi percebido.”
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