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Bolsa de Valores sobe na guerra: 3 Sinais que os Grandes Investidores Ignoram

O mercado global vive um momento que, à primeira vista, parece contraditório. A tensão geopolítica envolvendo Irã, Estados Unidos e Europa continua elevada, o petróleo segue em patamares altos, o dólar oscila com força e o noticiário internacional permanece carregado. Ainda assim, as bolsas de valores no Brasil e em parte do mundo conseguiram subir nos últimos dias, desafiando as expectativas negativas.
Portanto, no novo review global da Zero Markets Brasil, Rodrigo Cohen, trader profissional e analista convidado, chama atenção justamente para esse aparente desencontro entre manchetes e preços na bolsa de valores.
“Quando a notícia é ruim, mas a Bolsa sobe, é porque o mercado talvez esteja enxergando alguma coisa antes da maioria dos investidores comuns”, afirma Cohen. Por exemplo, ele destaca que os grandes players já precificam cenários otimistas, ignorando o ruído midiático.
Brasil: Ibovespa ganha força na Bolsa de Valores e tenta retomar tendência de alta
No mercado brasileiro, o destaque foi a recuperação explosiva do índice futuro e do próprio Ibovespa.
Segundo Cohen, o índice rompeu uma estrutura de baixa que vinha se formando desde o início de março. Em um único pregão, o mercado subiu quase 4 mil pontos, um movimento considerado forte para os padrões recentes.
Na prática, isso mostra que os compradores voltaram a atuar com mais força. Além disso, pode sinalizar o fim da correção e o início de uma nova perna altista na bolsa de valores brasileira.

No gráfico da bolsa de valores, Cohen observa que o mercado rompeu uma formação que podia ser lida como uma bandeira de baixa, um padrão técnico clássico que, quando perde força, abre espaço para retomada explosiva de alta.
A próxima referência importante está na região de 189 mil a 190 mil pontos no índice futuro. Se a força compradora continuar, a Bolsa pode até voltar a discutir os 200 mil pontos como alvo realista mais à frente.
O que está puxando essa melhora na Bolsa de Valores brasileira?
Para Cohen, parte desse movimento passa por uma combinação de fatores decisivos:
Expectativa de juros mais baixos no Brasil, aliviando o custo de capital.
Fluxo de capital estrangeiro buscando oportunidades descontadas.
Leitura de que o mercado local está excessivamente punido.
Percepção de que, apesar dos ruídos globais, algumas ações já sofreram demais e oferecem upside.
Ao mesmo tempo, a ata do Copom mostrou que o caminho para queda dos juros talvez não seja tão simples quanto imaginava parte do mercado. Mesmo assim, o investidor continua olhando para frente. Ou seja: a bolsa de valores não reage apenas ao presente, está antecipando o futuro.
Petróleo continua sendo o grande termômetro da guerra
Se existe um ativo que resume o medo atual do mercado, esse ativo é o petróleo.
Cohen destaca que o Brent chegou a bater níveis alarmantes, encostando em US$ 114 durante o pico recente de tensão. Depois, devolveu parte do movimento, mas segue em uma faixa alta e sensível às manchetes do conflito.

Para o investidor leigo, a leitura é simples:
se a guerra piora, o petróleo tende a subir;
se o cenário acalma, o petróleo tende a cair.
O problema, segundo Cohen, é que nesse tipo de contexto o petróleo deixa de respeitar muito a lógica puramente gráfica e passa a responder quase em tempo real ao noticiário.
“Em guerra, o petróleo respeita mais a manchete do que suporte e resistência.”
Estados Unidos: S&P 500 e Nasdaq testam zonas decisivas
Nos Estados Unidos, o comportamento dos índices também chama atenção.
O S&P 500 e o Nasdaq chegaram a testar a média móvel de 200 períodos, uma das referências mais importantes da análise técnica. Em vários momentos, deram sinal de possível retomada, mas ainda sem confirmação clara.

Cohen lembra que, em outras ocasiões, quando esses índices tocaram essa média e reagiram, o movimento seguinte foi forte. Agora, porém, o contexto é mais delicado por causa da guerra e da incerteza macro.
O mercado americano parece estar em compasso de espera:
não desaba de vez;
mas também ainda não conseguiu retomar a tendência com convicção.
Ouro volta a ficar estratégico no radar da Bolsa de Valores
Enquanto o petróleo continua refém do noticiário e as bolsas de valores vivem um momento de decisão, o ouro surge como um ativo que voltou a chamar atenção de Cohen.
Depois de uma correção importante, o metal retornou justamente para a média móvel de 200 períodos, um ponto que ele considera historicamente relevante para reversões altistas.

Na visão do analista, esse tipo de movimento é raro e pode representar uma oportunidade para quem acompanha o ouro como ativo de proteção e valor.
De forma didática: quando um ativo sobe muito, corrige e para exatamente em uma região importante, muitos investidores entendem que ele pode estar ganhando fôlego para um novo ciclo.

Dólar ainda inspira cautela
No mercado cambial, o comportamento do dólar segue mais confuso.
O índice DXY, que mede a força da moeda americana contra outras moedas fortes do mundo, também encostou em um ponto técnico importante. Mas, ao contrário do ouro, Cohen vê menos clareza nesse momento.

Isso porque o dólar está preso entre duas forças:
de um lado, a busca por proteção em meio à guerra;
de outro, a possibilidade de enfraquecimento caso o mercado volte a tomar mais risco.
Por isso, o analista prefere cautela antes de interpretar o movimento atual como tendência definida.
Bitcoin e Ethereum seguem laterais, mas mercado ainda está dividido
Nas criptomoedas, o cenário continua de indefinição.
O Bitcoin permanece lateral desde que tocou a região dos US$ 60 mil, e Cohen enxerga espaço para um repique até a faixa de US$ 81 mil a US$ 85 mil antes de uma eventual nova pernada de queda.

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Ao mesmo tempo, ele não descarta um cenário mais duro no médio prazo, com o mercado podendo voltar a olhar para níveis mais baixos, inclusive na faixa de US$ 45 mil.
No Ethereum, a lógica é parecida: algum espaço para recuperação técnica existe, mas o contexto geral ainda não inspira convicção total.
Em resumo: o mercado cripto continua sensível ao humor global. Se guerra e medo seguirem pressionando o apetite por risco, o fôlego pode ser limitado.
Euro/dólar pode reagir se a moeda americana perder força
Outro ponto observado por Cohen é o par euro/dólar, que também entrou em uma zona técnica interessante.
Se o dólar realmente começar a perder força no cenário global, o euro pode ganhar espaço e o par pode tentar um movimento de alta. Mas, por enquanto, ainda falta confirmação mais clara.

Mais uma vez, o padrão se repete: o mercado está em região decisiva, mas ainda aguardando fatos mais sólidos.
O que o mercado pode estar vendo antes?
Essa é a pergunta central da análise de Cohen.
Se a guerra continua no radar, o petróleo segue alto e a tensão internacional permanece forte, por que algumas bolsas estão reagindo bem?
A resposta pode estar em três hipóteses principais:
o mercado acredita que o pior da guerra já foi precificado;
investidores estão apostando que o conflito não vai escalar tanto quanto se temia;
alguns ativos ficaram baratos demais e passaram a atrair compra mesmo em cenário ruim.
Em outras palavras: o mercado talvez esteja começando a negociar não o medo atual, mas um cenário futuro menos caótico do que parecia dias atrás.
Conclusão
Para Rodrigo Cohen, o momento exige atenção redobrada porque o mercado está operando em cima de expectativa, não de conforto.
Os pontos principais do cenário atual são:
Ibovespa ganhando força técnica;
petróleo ainda muito dependente da guerra;
S&P 500 e Nasdaq em zona crítica;
ouro voltando a chamar atenção;
dólar sem direção totalmente definida;
criptomoedas ainda dividindo opiniões.
O investidor que quiser se posicionar agora precisa entender que o mercado está em fase de decisão e isso normalmente vem acompanhado de volatilidade.
“Quando tudo parece errado, mas o preço começa a subir, vale menos brigar com o mercado e mais tentar entender o que ele está antecipando.”
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