Artigo
Análise de mercado financeiro: guerra entre Estados Unidos e Irã volta a dominar os mercados

A semana começou sem a divulgação de grandes indicadores econômicos. No entanto, isso não significa que os mercados estejam tranquilos.
As novas tensões entre Estados Unidos e Irã voltaram a elevar a cautela entre os investidores e passaram a ocupar o centro da análise de mercado financeiro. Ao mesmo tempo, o mercado aguarda a divulgação dos resultados corporativos de gigantes da tecnologia, como Tesla, Alphabet e IBM, que podem influenciar o desempenho das bolsas internacionais nos próximos dias.
No Brasil, por outro lado, o Boletim Focus apresentou a segunda revisão consecutiva para baixo nas projeções de inflação. Como resultado, o movimento reforça as expectativas de continuidade do ciclo de queda da Selic e pode favorecer ativos sensíveis aos juros.
Segundo Rodrigo Cohen, trader e analista convidado da Zero Markets Brasil, o cenário atual ainda é marcado pela indefinição. Dessa forma, qualquer mudança no noticiário internacional pode provocar novos movimentos nos principais ativos financeiros.
“Hoje, os gráficos respondem menos aos indicadores econômicos e muito mais ao noticiário geopolítico.”
Guerra devolve incerteza aos mercados
Após um breve período de estabilidade, o conflito entre Estados Unidos e Irã voltou a preocupar os investidores e ganhou destaque na análise de mercado financeiro.
Segundo Rodrigo Cohen, a retomada das tensões geopolíticas retirou força dos principais índices americanos justamente quando eles se aproximavam de novas máximas históricas. Como resultado, o mercado voltou a adotar uma postura mais cautelosa diante das incertezas internacionais.
Além disso, o cenário permanece sensível, uma vez que qualquer avanço ou recuo nas negociações pode alterar rapidamente o comportamento dos mercados e provocar novos movimentos nos principais ativos financeiros.
Semana concentra atenções nos balanços das Big Techs
Mesmo sem indicadores econômicos relevantes, o mercado terá um importante catalisador.
Entram em cena os resultados corporativos de:
Tesla;
Alphabet (Google);
IBM.
Segundo Cohen, os números dessas empresas podem definir o rumo das bolsas americanas nos próximos dias, especialmente do Nasdaq, fortemente concentrado em tecnologia.
S&P 500 permanece preso em zona decisiva
O principal índice americano segue negociando próximo de regiões importantes de suporte e resistência. Segundo Cohen:
o S&P 500 chegou muito perto de renovar máximas históricas;
mas voltou a perder força com o retorno das notícias envolvendo a guerra.
"O mercado continua sem direção clara. Tudo depende da evolução do cenário geopolítico e dos balanços corporativos."

Nasdaq pode ser o grande termômetro da semana
Na visão do analista, o Nasdaq entra em uma das semanas mais importantes do trimestre.
Além da influência da guerra, o índice será diretamente impactado pelos resultados das gigantes de tecnologia.
Caso os balanços superem as expectativas, o setor pode voltar a liderar o movimento de alta.

Boletim Focus melhora perspectivas para o Brasil
No cenário doméstico, a principal notícia veio do Boletim Focus.
Pela segunda semana consecutiva:
as projeções para a inflação recuaram;
fortalecendo as apostas em continuidade do ciclo de redução da Selic.
Segundo Cohen, esse movimento tende a favorecer principalmente ativos ligados à economia brasileira.

Ibovespa mostra resiliência
Enquanto bolsas internacionais enfrentam maior volatilidade, o mercado brasileiro continua relativamente mais forte. Segundo Cohen:
o Ibovespa conseguiu respeitar importantes níveis técnicos;
e permanece sustentado pela melhora das expectativas para inflação e juros.
Na avaliação do analista, caso o índice consiga romper a região dos 178 mil pontos, poderá retomar a trajetória de alta.

Fluxo internacional beneficia mercados emergentes
Cohen lembra que parte do movimento recente também reflete uma mudança no fluxo global de capital.
Com a realização de lucros nas empresas de inteligência artificial nos Estados Unidos, parte dos recursos voltou para mercados emergentes como o Brasil.
Esse movimento ajudou a sustentar a Bolsa brasileira nas últimas semanas.
Ouro continua em tendência de correção
Após um dos maiores ciclos de valorização dos últimos anos, o ouro permanece em fase corretiva. Segundo Cohen:
o ativo perdeu referências técnicas importantes;
e ainda não apresenta sinais consistentes de retomada da tendência de alta.
Na avaliação do analista, o momento exige cautela para novas posições.

Dólar segue fortalecido
No mercado internacional, o índice do dólar (DXY) continua demonstrando força. Segundo Cohen, o movimento reflete o aumento da busca por ativos considerados mais seguros em meio às incertezas globais.
"O dólar ainda mantém uma estrutura técnica favorável."

Petróleo continua dependente da guerra
O petróleo permanece diretamente ligado às notícias do Oriente Médio.
Segundo Cohen, o ativo segue extremamente sensível a qualquer informação envolvendo o conflito entre Estados Unidos e Irã.
Por isso, o comportamento dos preços continua sendo determinado muito mais pela geopolítica do que pelos fundamentos tradicionais de oferta e demanda.

Bitcoin permanece em consolidação
O Bitcoin continua negociando dentro de uma faixa lateral. Segundo Cohen:
o mercado ainda não confirmou uma retomada consistente da tendência de alta;
enquanto permanece influenciado pelo cenário global de aversão ao risco.
O analista acredita que novas oportunidades podem surgir caso o ativo realize uma correção adicional antes de um novo ciclo de valorização.

Análise de mercado financeiro: resumo do cenário global e os principais fatores de atenção
Segundo Rodrigo Cohen, a análise de mercado financeiro desta semana revela um cenário marcado por poucos indicadores econômicos relevantes, mas por acontecimentos capazes de gerar elevada volatilidade nos mercados.
Entre os principais fatores de atenção estão:
a retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã;
a divulgação dos balanços de Tesla, Alphabet e IBM;
a melhora das expectativas para a inflação no Brasil;
a possibilidade de continuidade do ciclo de queda da Selic;
o fluxo de capital favorecendo os mercados emergentes.
Diante desse cenário, Rodrigo Cohen destaca que o investidor deve manter atenção redobrada nas próximas sessões. Afinal, mesmo sem grandes indicadores macroeconômicos no calendário, os mercados podem apresentar movimentos expressivos.
Além disso, o comportamento dos principais ativos dependerá, sobretudo, da combinação entre os resultados corporativos das gigantes da tecnologia e a evolução do cenário geopolítico.
“Nem sempre o mercado é movido pelos gráficos. Em momentos como este, as notícias podem mudar completamente a direção dos ativos de um dia para o outro.”
Assista ao vídeo completo do nosso analista convidado no canal da ZERO Markets Brasil no Youtube.
DISCLAIMER: Nenhuma parte do conteúdo deste canal deve ser interpretada como oferta, negociações ou solicitações de valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Também não configura garantia de resultados ou compromisso de retorno sobre qualquer ativo analisado. As opiniões expressas neste vídeo refletem exclusivamente (I) o entendimento independente e pessoal do Analista Convidado da ZERO Markets Brasil, RODRIGO SANTOS COHEN, CNPI-T (6520); (II) não constituem recomendações de compra e/ou venda de qualquer ativo ou valor mobiliário; e (III) as informações, estimativas e projeções utilizadas para reformar o entendimento do analista refletem a data de publicação e estão sujeitas a alterações, sem a obrigação de comunicação para atualizações ou revisões, uma vez que não constituem recomendações de investimento ou desinvestimento. O investidor que, de algum modo, utilizar as informações e opiniões ou abstenção de investimento, não tendo a ZERO Markets Brasil nem o Analista qualquer responsabilidade sobre os resultados ou prejuízos eventualmente obtidos. Nem o Analista nem a ZERO Markets Brasil receberam qualquer benefício ou retorno financeiro em razão das opiniões aqui veiculadas, o que foi feito de modo absolutamente independente e livre de qualquer conflito de interesses, nos termos da Resolução CVM 20/2021. A Zero Markets Brasil Consultoria e Análise de Valores Mobiliários Ltda., na qualidade de analista de valores mobiliários pessoa jurídica credenciada perante a APIMEC Brasil, declara, nos termos do art. 22 da Resolução CVM nº 20/2021, que não possui qualquer situação que possa afetar a imparcialidade deste relatório de análise ou configurar conflito de interesses, ressalvadas aquelas que, caso existentes, serão expressamente divulgadas neste relatório.


