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Payroll e ADP podem definir rumo das bolsas; Bitcoin tenta recuperação e Ibovespa ainda em alta

A primeira semana de setembro começa com uma agenda capaz de mudar o humor dos mercados globais. Nesse cenário, o payroll aparece entre os principais indicadores que podem influenciar as expectativas dos investidores nos próximos dias.

Nos Estados Unidos, os investidores aguardam os principais dados do mercado de trabalho, com destaque para ADP e payroll. Esses indicadores são importantes para avaliar a força da economia americana e, consequentemente, calibrar as expectativas sobre os próximos passos da política monetária dos Estados Unidos.

Além disso, no Brasil, os indicadores econômicos seguem no radar. Ao mesmo tempo, o avanço do cenário eleitoral começa a ganhar mais espaço nas decisões e estratégias dos investidores.

Diante desse contexto, no novo panorama global da Zero Markets Brasil, o trader e analista convidado Rodrigo Cohen avalia que o cenário internacional exige cautela. Enquanto isso, o Ibovespa apresenta uma recuperação expressiva, acumulando oito pregões de alta, e o Bitcoin tenta encontrar forças para retomar seu movimento de valorização.

Por isso, além do ADP, o resultado do payroll pode ser um dos principais gatilhos para a volatilidade dos mercados nesta semana.

“É uma semana com indicadores relevantes. O mercado não vai perdoar e deve ser volátil.”

Payroll pode definir próximos movimentos do S&P 500 após índice perder força

O S&P 500 vinha apresentando uma configuração técnica bastante positiva. O índice rompeu uma formação triangular, avançou e chegou a renovar suas máximas históricas. Depois disso, porém, perdeu força e iniciou uma correção justamente em uma semana marcada pela expectativa em torno do payroll dos Estados Unidos.

Nesse cenário, para Cohen, o comportamento das próximas sessões será decisivo. Além dos níveis técnicos, o resultado do payroll pode aumentar a volatilidade do mercado e influenciar diretamente o movimento das bolsas americanas.

A região dos 7.680 pontos aparece como um suporte importante. Caso esse nível seja perdido, o índice pode aprofundar a correção e buscar, inicialmente, níveis próximos dos 7.570 pontos.

Além disso, em um movimento mais intenso, a média móvel de 200 períodos voltaria ao radar.

Por outro lado, o cenário contrário também permanece em aberto. Caso o mercado receba notícias positivas, especialmente após a divulgação do payroll, e consiga superar a região dos 7.775 pontos, o S&P 500 poderia ganhar força novamente e voltar a testar novas máximas.

Portanto, a combinação entre a reação técnica do índice e os dados do payroll deve ser determinante para definir o rumo do S&P 500 nas próximas sessões.

“Por enquanto, meu viés está um pouco mais baixista. Perdendo esse fundo, vejo espaço para uma correção maior.”

ADP e Payroll ganham importância para os juros americanos

Parte da definição pode vir justamente dos dados de emprego. A semana terá a divulgação do ADP, na quarta-feira, e do Payroll, na sexta.

Os números do mercado de trabalho são acompanhados de perto porque ajudam a medir a força da economia americana e podem influenciar as expectativas para juros.

Um mercado de trabalho mais aquecido pode aumentar a preocupação com inflação e dificultar uma política monetária mais flexível.

Já dados mais fracos podem mudar a leitura dos investidores sobre os próximos movimentos dos juros americanos. Por isso, Cohen espera uma semana de maior volatilidade.

Nasdaq também apresenta sinais de correção

O Nasdaq construiu uma estrutura semelhante à do S&P 500. Depois de romper sua região de consolidação, o índice perdeu fundos recentes e passou a demonstrar maior fragilidade. Segundo Cohen, a região próxima dos 29.300 pontos merece atenção.

Caso seja perdida, poderá confirmar uma trajetória mais baixista no curto prazo. Além dos indicadores econômicos, o mercado continua sensível ao cenário geopolítico envolvendo Estados Unidos e Irã.

Ibovespa surpreende com oito pregões consecutivos de recuperação

Se os índices americanos demonstram maior fragilidade, o comportamento recente do mercado brasileiro é diferente.

O Ibovespa encontrou forte defesa na região dos 164,8 mil pontos em meados de agosto e, desde então, iniciou uma recuperação importante. Na análise apresentada por Cohen, foram oito pregões consecutivos de avanço, levando o índice novamente para a região dos 175 mil pontos.

Agora, o mercado começa a olhar para dois possíveis objetivos: 177 mil pontos e, posteriormente, a região dos 180 mil pontos.

Bolsa brasileira pode corrigir antes de continuar subindo

Apesar da força recente, Cohen considera possível uma pausa antes de novas altas. Depois de uma sequência tão longa de valorização, uma correção até aproximadamente 170 mil pontos poderia ocorrer sem necessariamente destruir a recuperação atual.

“Minha impressão é que pode acontecer primeiro uma correção até os 170 mil para depois o mercado tentar ganhar força novamente.”

O próprio histórico recente do Ibovespa, porém, mostra que sequências de dez ou mais pregões direcionais já aconteceram. Por isso, o analista ressalta que não existe uma regra determinando que a recuperação precise terminar agora.

Cenário eleitoral começa a pesar no Brasil

Além dos gráficos, existe uma variável que tende a ganhar cada vez mais importância para os ativos brasileiros: as eleições.

À medida que o calendário eleitoral avança, pesquisas, propostas econômicas e expectativas sobre o próximo governo podem aumentar a volatilidade do Ibovespa, do dólar e dos juros.

Para investidores internacionais, principalmente, o ambiente político pode se tornar um componente cada vez mais relevante na avaliação do risco brasileiro.

Alemanha mantém estrutura mais positiva

Na Europa, o DAX voltou a se aproximar das máximas históricas. Cohen identifica uma estrutura técnica semelhante a uma bandeira, que, caso seja confirmada, poderia favorecer a continuidade da tendência de alta.

Entre os riscos, entretanto, permanece o cenário geopolítico e seus possíveis efeitos sobre energia e atividade econômica europeia.

Ouro cai mais de 3% e pode buscar média de 200

Depois de apresentar uma recuperação importante e superar sua média móvel de 200 períodos, o ouro voltou a perder força.

O ativo registrou três sessões consecutivas de queda, incluindo uma desvalorização superior a 3% na sexta-feira.

Para Cohen, o movimento pode continuar até um novo teste da média móvel de 200. Essa região poderá ser importante para determinar se a queda atual representa apenas uma correção dentro da recuperação ou o início de uma deterioração maior.

Dólar ganha força com aumento da aversão ao risco

Enquanto o ouro caiu, o dólar apresentou comportamento contrário. O movimento chamou atenção porque ouro e dólar podem funcionar como instrumentos procurados em momentos de maior incerteza, embora essa relação não seja constante.

Na sessão de maior aversão ao risco, o dólar avançou junto com a queda das bolsas. Para Cohen, a continuidade do movimento dependerá principalmente de:

  • indicadores americanos;

  • expectativa para juros;

  • evolução do conflito entre Estados Unidos e Irã;

  • e percepção global de risco.

Japão permanece sem direção clara

No mercado asiático, o Japão entrou em uma fase de lateralização.

Depois de uma recuperação que poderia levar o índice novamente às máximas, o movimento perdeu força. Neste momento, Cohen prefere não estabelecer uma direção.

“O Japão está muito lateral. Pode buscar o topo ou voltar para a média de 200. Neste momento, prefiro ficar sem opinião.”

Petróleo volta a reagir com incerteza sobre a guerra

O petróleo permanece entre os ativos mais dependentes das notícias geopolíticas. Após cair com expectativas de um possível acordo envolvendo Estados Unidos e Irã, voltou a ganhar força diante das dúvidas sobre a efetividade das negociações.

Tecnicamente, Cohen observa uma sequência recente de fundos mais altos e recuperação dos topos anteriores, o que mantém aberta a possibilidade de uma nova tentativa de alta.

Mas o próprio analista ressalta que, em um ambiente de guerra, o petróleo tende a responder muito mais rapidamente às manchetes do que às formações gráficas tradicionais.

Bitcoin tenta novamente buscar os US$ 82,8 mil

Depois das fortes oscilações das últimas semanas, o Bitcoin voltou a uma região técnica acompanhada por Cohen. A criptomoeda respeitou uma order block identificada anteriormente e agora tenta iniciar uma nova recuperação.

A primeira região importante está próxima dos US$ 82,8 mil. Caso consiga superar essa faixa, o movimento poderia fortalecer a tese de recuperação. Por outro lado, uma nova perda dos fundos recentes recolocaria no radar a média móvel de 200 períodos e a possibilidade de continuidade da correção.

“A pergunta continua sendo a mesma: acabou a queda do Bitcoin ou ele ainda vai perder fundos?”

Uma semana que pode mudar as expectativas para setembro

A fotografia atual dos mercados está longe de ser uniforme:

  • S&P 500 e Nasdaq apresentam sinais de maior fragilidade.

  • Ibovespa vive uma recuperação expressiva.

  • DAX permanece tecnicamente mais forte.

  • Ouro corrige depois de uma forte alta.

  • Dólar reage ao aumento da aversão ao risco.

  • Petróleo continua dependente da guerra.

E o Bitcoin tenta definir se a recuperação recente terá continuidade. Para Rodrigo Cohen, ADP e Payroll podem funcionar como importantes catalisadores para os próximos movimentos.

“É uma semana com indicadores relevantes. Quarta-feira tem ADP e sexta-feira tem Payroll. O mercado deve ser volátil e, por isso, a sugestão continua sendo diversificar.”

Para conferir essa análise completa, assista ao vídeo no nosso canal do Youtube. 

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