Panorama Macro da Semana
Comprar ações em meio à tensão entre EUA e Irã: petróleo e tarifas pressionam os mercados

A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã deve concentrar as atenções dos investidores nesta semana. Após novos episódios de tensão durante o fim de semana, o petróleo Brent voltou a superar os US$ 90 por barril na abertura desta segunda-feira, aumentando a aversão ao risco e reacendendo preocupações inflacionárias. Consequentemente, quem pretende comprar ações neste momento encontra um cenário que exige atenção redobrada.
Além disso, o avanço da commodity pode alterar as expectativas para a trajetória dos juros nas principais economias. Nos Estados Unidos, o mercado começa a reavaliar o espaço para cortes pelo Federal Reserve. No Brasil, por sua vez, o impacto do petróleo sobre os preços também pode influenciar as projeções para a inflação e, consequentemente, para a Selic.
Para além do cenário geopolítico, a agenda reúne possíveis mudanças nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, a reunião de política monetária do Banco Central Europeu, balanços de grandes empresas de tecnologia e novas sinalizações sobre a situação fiscal brasileira. Dessa forma, entender esses fatores é essencial antes de tomar qualquer decisão de comprar ações ou ajustar posições na carteira.
Cenário internacional
A guerra entre Estados Unidos e Irã voltou a determinar o humor dos mercados globais. A intensificação do conflito provocou uma forte alta do petróleo, com o Brent retomando níveis superiores a US$ 90 por barril.
Como resultado, o movimento amplia os riscos para a inflação mundial. Afinal, como o petróleo influencia custos de transporte, produção industrial e cadeias logísticas, uma alta prolongada da commodity pode dificultar o processo de desinflação observado em diferentes economias.
Nos Estados Unidos, esse cenário pode levar os investidores a revisar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve. Caso a pressão sobre os preços se mostre persistente, o banco central norte-americano poderá adotar uma postura mais cautelosa em relação a eventuais cortes de juros. Nesse sentido, o custo do dinheiro segue sendo uma variável central para quem avalia comprar ações no mercado americano.
A semana também será marcada pela decisão de política monetária do Banco Central Europeu. O mercado acompanhará não apenas a decisão sobre os juros, mas principalmente as sinalizações da instituição sobre inflação, atividade econômica e os próximos passos da política monetária na Zona do Euro.
Enquanto isso, em Wall Street, o início da temporada de resultados ganha força com a divulgação dos balanços de Alphabet, Tesla e IBM. Os números dessas empresas poderão influenciar o setor de tecnologia e ajudar a medir o comportamento da demanda, dos investimentos corporativos e das margens de lucro — informações valiosas para quem estuda comprar ações de companhias do setor.
Cenário doméstico
No Brasil, a possibilidade de o governo dos Estados Unidos anunciar uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros adiciona um novo fator de incerteza ao mercado.
Nesse contexto, uma eventual elevação tarifária poderá afetar empresas exportadoras, alterar expectativas para a balança comercial e aumentar a volatilidade do dólar. O impacto, no entanto, dependerá dos setores atingidos, da duração das medidas e de possíveis negociações entre os dois governos. Por isso, o investidor que pensa em comprar ações de exportadoras brasileiras deve acompanhar de perto o desenrolar dessas conversas.
A agenda doméstica também terá a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na Expert XP. Os investidores deverão acompanhar possíveis declarações sobre inflação, atividade econômica, câmbio e condução da Selic.
Outro evento relevante será a divulgação do Relatório Bimestral de Receitas e Despesas. O documento poderá trazer novas informações sobre arrecadação, gastos públicos, contingenciamentos e cumprimento das metas fiscais.
Portanto, esses fatores serão acompanhados em um ambiente de maior sensibilidade do Ibovespa aos movimentos externos, especialmente ao comportamento do petróleo, dos juros internacionais e do dólar.
Análises Técnicas
S&P500

O ETF SPY, que replica o S&P 500, voltou a testar a região das máximas da consolidação na última semana, mas encontrou pressão vendedora antes de confirmar o rompimento. Como consequência, a ausência de força compradora nessa faixa provocou uma realização e manteve o ativo dentro da estrutura lateral observada nas últimas semanas.
No início desta semana, o preço retorna à região central da consolidação, onde as médias móveis de 21 e 50 períodos estão praticamente sobrepostas. Essa configuração indica equilíbrio entre compradores e vendedores e, dessa forma, reduz a probabilidade de movimentos direcionais enquanto o ativo permanecer no centro da faixa.
Sendo assim, o viés permanece neutro. A relação entre risco e retorno tende a ser pouco atrativa nessa região. Uma leitura técnica mais clara, portanto, dependerá da aproximação dos extremos da consolidação ou de um rompimento consistente do suporte ou da resistência.
Ibovespa

O Ibovespa encerrou a última semana devolvendo parte da alta recente e retornando para a região da antiga consolidação. Apesar da correção, o índice ainda preserva uma estrutura técnica compatível com o movimento de recuperação observado nas semanas anteriores.
O principal ponto de atenção continua sendo a possível formação de um padrão de Ombro-Cabeça-Ombro Invertido. O índice permanece na região de construção do ombro direito, e o retorno à zona de consolidação pode fazer parte dessa formação, desde que os suportes atuais sejam preservados.
Em outras palavras, o cenário continua construtivo, mas ainda depende de confirmação. Um rompimento consistente da linha de pescoço, acompanhado por aumento da força compradora, poderá confirmar o padrão e ampliar a probabilidade de continuidade da recuperação. Antes disso, contudo, a estratégia mais prudente para quem deseja comprar ações ligadas ao índice é aguardar a conclusão da figura.
Ouro (XAU/USD)

O ouro encerrou a última semana mantendo o movimento de consolidação após a forte correção registrada nos meses anteriores. O ativo permanece dentro de uma importante região de suporte, sem força suficiente para retomar a tendência de alta, mas também sem confirmar a continuidade do movimento de baixa.
Além disso, o preço continua negociando entre duas referências horizontais relevantes, formando uma zona de equilíbrio entre compradores e vendedores. Essa estrutura reproduz um comportamento já observado anteriormente, quando o mercado permaneceu lateral antes de definir uma nova direção.
Enquanto o ativo continuar dentro dessa faixa, o viés permanece neutro. Operações no centro da consolidação, afinal, oferecem uma relação entre risco e retorno menos favorável. O rompimento consistente de uma das extremidades poderá fornecer um sinal mais confiável sobre o próximo movimento de maior amplitude.
UR/USD

O EUR/USD encerrou a última semana mantendo o movimento gradual de retorno para a zona de consolidação de longo prazo. Apesar da recuperação desde as mínimas recentes, o avanço continua lento e ainda não apresenta força suficiente para caracterizar uma retomada consistente da tendência de alta.
O par permanece próximo da base do retângulo, enquanto as médias móveis seguem sem direção definida. Essa configuração, por sua vez, reflete a falta de convicção do mercado e acompanha as constantes mudanças nas expectativas para as políticas monetárias dos Estados Unidos e da Zona do Euro.
Diante disso, a leitura técnica continua neutra. Enquanto o EUR/USD permanecer dentro da estrutura lateral, a postura mais prudente é aguardar uma definição. O rompimento consistente de um dos extremos do retângulo será necessário para produzir um sinal de maior confiabilidade.
Conclusão: é um bom momento para comprar ações?
A combinação entre tensão geopolítica, petróleo acima de US$ 90, possíveis tarifas comerciais e decisões de política monetária cria um ambiente de maior volatilidade para os mercados. Por isso, a resposta sobre comprar ações agora depende, sobretudo, do perfil de cada investidor e da leitura cuidadosa do cenário.
A alta do petróleo pode pressionar as expectativas de inflação e modificar as projeções para os juros nos Estados Unidos e no Brasil. Ao mesmo tempo, os balanços corporativos, a reunião do Banco Central Europeu e as sinalizações fiscais brasileiras poderão provocar movimentos importantes nos principais ativos.
Do ponto de vista técnico, S&P 500, ouro e EUR/USD permanecem em consolidação, exigindo confirmação antes da abertura de novas posições direcionais. O Ibovespa, por outro lado, preserva uma estrutura construtiva, mas ainda precisa romper a linha de pescoço do possível Ombro-Cabeça-Ombro Invertido.
Em suma, em um cenário cercado por incertezas, cautela, gestão de risco e disciplina na espera por confirmações técnicas tornam-se elementos essenciais da estratégia — muito antes de qualquer decisão de comprar ações.
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