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Bitcoin dispara 35%, chega aos US$ 80 mil e desafia bolsas globais

O Bitcoin voltou ao centro das atenções do mercado financeiro.
Depois de atingir a região de US$ 57 mil a US$ 58 mil na mínima do ano, a criptomoeda iniciou uma forte recuperação e já acumula valorização superior a 35%, chegando novamente à região dos US$ 80 mil.
O movimento acontece justamente enquanto os principais índices americanos começam a apresentar sinais de correção, o dólar perde força e ativos como ouro também ganham destaque.
No novo review semanal da Zero Markets Brasil, o trader e analista convidado Rodrigo Cohen levanta a principal questão para os investidores:
“Será que acabou o período de queda do Bitcoin ou estamos vendo apenas um grande repique antes de uma nova correção?”
Bitcoin sobe mais de 35% e chega a uma região decisiva
Desde a mínima registrada no ano, o Bitcoin já avançou mais de 35%. Considerando apenas o movimento iniciado em 17 de agosto, a valorização chegou a aproximadamente 25%.
Agora, porém, o ativo enfrenta uma região técnica importante.

Segundo Cohen, a primeira resistência relevante está próxima de: US$ 82 mil.
Essa região corresponde ao último topo importante registrado em maio. Caso consiga romper essa faixa, a próxima resistência observada pelo analista estaria próxima de: US$ 97 mil.
“O Bitcoin subiu muito em muito pouco tempo. Agora precisamos descobrir se ele realmente rompe essa resistência ou se essa alta ainda faz parte de um movimento de recuperação.”
Ethereum e Solana também mostram força
O movimento não está restrito ao Bitcoin. O Ethereum conseguiu superar uma máxima importante próxima de US$ 2.460, realizou uma correção e voltou a subir.
A Solana também chegou à sua região de rompimento e apresentou sinal técnico semelhante.
A força conjunta das principais criptomoedas aumenta a discussão sobre uma possível mudança de comportamento do mercado cripto. Cohen, porém, mantém cautela.
Sua projeção anterior considerava que um ciclo mais consistente de alta poderia começar entre outubro e novembro.
“Estamos em agosto. A pergunta é se o mercado antecipou esse movimento ou se isso ainda é um grande repique antes de continuar caindo.”
Apostadores na queda sofreram milhões em prejuízos
A velocidade da valorização também atingiu investidores posicionados contra o Bitcoin. Segundo Cohen, o movimento provocou liquidações e stops relevantes de posições vendidas, com relatos de perdas milionárias entre traders que apostavam na continuidade da queda.
Isso pode ter contribuído para acelerar ainda mais a recuperação. Quando um investidor vendido precisa encerrar sua posição, ele precisa recomprar o ativo, aumentando a pressão compradora justamente durante a alta.
S&P 500 começa a corrigir
Enquanto as criptomoedas avançam, o cenário das bolsas americanas é menos claro. O S&P 500 apresentou um falso rompimento e iniciou movimento de correção.

Segundo a análise técnica de Cohen, regiões importantes agora aparecem próximas de:
7.565 pontos;
7.510 pontos, onde existe um gap ainda aberto.
O analista considera que o índice pode buscar essas regiões antes de definir sua próxima tendência.
Essa correção também pode se tornar importante para o Bitcoin. Caso o mercado americano entre em uma fase mais forte de aversão ao risco, as criptomoedas podem sentir o movimento.
Nasdaq também perde força
O Nasdaq apresenta comportamento semelhante. Depois de romper uma máxima anterior e não sustentar o movimento, o índice começou a corrigir.

Entre os níveis observados por Cohen estão aproximadamente: 28.200 pontos e, em um cenário de correção maior, a média móvel de 200 períodos próxima dos 27.200 pontos.
Por enquanto, porém, Cohen não vê elementos suficientes para projetar uma queda muito mais agressiva.
Ibovespa volta para cima da média de 200
No Brasil, o cenário técnico apresenta melhora. Depois de perder a média móvel de 200 períodos, o Ibovespa conseguiu retornar para cima dela.

Segundo Cohen, um rompimento das máximas recentes poderia abrir espaço inicialmente para a região dos 177 mil pontos e, posteriormente, para níveis próximos dos 181 mil pontos.
Existe, porém, um componente adicional: as eleições brasileiras estão se aproximando.
Para Cohen, a proximidade do período eleitoral pode aumentar a dificuldade de investidores institucionais assumirem posições maiores no país.
Ouro ganha força e volta ao radar dos investidores
Outro ativo que voltou a chamar atenção é o ouro. Cohen cita inclusive declarações recentes de Ray Dalio sobre riscos para a economia americana e a utilização de ouro e Bitcoin como parte de uma estratégia de proteção.

Tecnicamente, o ouro voltou a apresentar estrutura de alta após recuperar níveis importantes. Mas Cohen faz uma ressalva importante sobre tentar acertar exatamente o melhor preço de entrada:
“A gente nunca sabe o momento exato de comprar ou vender. Por isso sou a favor de diversificar também no tempo, comprando aos poucos.”
Dólar perde força com expectativa de juros menores nos EUA
O DXY, índice que mede a força do dólar diante de uma cesta de moedas internacionais, apresentou queda relevante e perdeu regiões técnicas importantes.
O movimento ocorreu em meio à percepção de inflação mais controlada e à possibilidade de redução dos juros americanos ainda em 2026.

Segundo Cohen, após a ata do FOMC, divulgada em 19 de agosto, o dólar sofreu forte desvalorização. Isso pode favorecer ativos de maior risco e mercados emergentes.
Quando os juros americanos se tornam menos atraentes, parte do capital internacional tende a procurar retornos maiores em outras regiões e classes de ativos.
Alemanha tenta renovar máximas
Na Europa, o índice DAX apresenta uma configuração técnica mais construtiva. Depois de romper uma máxima histórica, o índice alemão formou uma estrutura que Cohen identifica como possível bandeira de continuação.

Caso consiga superar novamente as máximas recentes, a bolsa alemã pode retomar sua trajetória de alta.
Japão lateraliza após recuperação
O índice Nikkei também conseguiu romper uma linha de tendência de baixa, mas posteriormente perdeu força e entrou em lateralização.
Segundo Cohen, o comportamento futuro dependerá principalmente das próximas decisões de política econômica japonesa.

O analista considera, porém, que manter alguma exposição à Ásia pode fazer sentido dentro de uma estratégia global diversificada, dependendo do perfil de cada investidor.
Petróleo volta a preocupar
O petróleo também merece atenção. Depois de fechar um dos gaps observados anteriormente, o ativo voltou a formar uma estrutura técnica de alta.
O Brent pode voltar a testar regiões próximas de US$ 98, especialmente caso surjam novas notícias negativas relacionadas à guerra ou ao Estreito de Hormuz.

Esse seria um movimento particularmente delicado para a economia global.
Uma nova disparada do petróleo pode voltar a pressionar inflação e, consequentemente, alterar expectativas para juros ao redor do mundo.
Mercado entra em uma divergência importante
O cenário atual apresenta movimentos que não apontam todos para a mesma direção.
De um lado:
Bitcoin dispara;
Ethereum e Solana ganham força;
ouro avança;
dólar perde força;
Ibovespa tenta recuperar tendência de alta.
Do outro:
S&P 500 corrige;
Nasdaq perde força;
petróleo ameaça nova alta;
riscos geopolíticos permanecem.
Essa divergência torna os próximos movimentos especialmente importantes.
Conclusão
Para Rodrigo Cohen, o grande ativo a acompanhar agora é o Bitcoin. Depois de uma valorização superior a 35% desde a mínima do ano, a região dos US$ 82 mil tornou-se o primeiro grande teste.
Se romper, o mercado pode começar a olhar para níveis próximos dos US$ 97 mil. Se falhar, volta a discussão sobre a possibilidade de a alta recente ter sido apenas uma recuperação dentro de um ciclo maior de correção.
“Muitos dizem que acabou o período de queda e agora é só alta. A pergunta é: isso é um grande repique ou realmente acabou a queda?”
Com bolsas americanas corrigindo, dólar enfraquecendo, ouro avançando e petróleo novamente no radar, as próximas semanas podem definir se o mercado está entrando em um novo ciclo de apetite por risco, ou apenas vivendo uma trégua antes de uma nova correção.
Confira o vídeo completo dessa análise no canal da ZERO Markets Brasil

