Panorama Macro da Semana
Inflação, petróleo e juros: a semana que coloca Fed e Copom à prova

Os mercados começam a semana diante de uma combinação especialmente sensível: desaceleração do mercado de trabalho americano, inflação no centro das atenções, petróleo novamente pressionado por riscos geopolíticos e, no Brasil, dúvidas sobre o ritmo de continuidade do ciclo de queda da Selic.
Nos Estados Unidos, o relatório de emprego de julho mostrou perda líquida de 23 mil vagas fora do setor agrícola, enquanto a taxa de desemprego ficou em 4,1%. O resultado aumentou a importância dos próximos indicadores de preços para a avaliação do Federal Reserve. O CPI de julho será conhecido na quarta-feira, 12 de agosto, e o PPI na quinta-feira, 13 de agosto.
No Brasil, o mercado assimila a decisão do Copom de reduzir a Selic para 14,00% ao ano, anunciada em 5 de agosto, ao mesmo tempo em que acompanha os próximos números de inflação e os sinais do Banco Central sobre a condução da política monetária.
Cenário internacional
A economia americana entra em uma semana importante para a definição das expectativas de juros.
O payroll de julho trouxe um sinal claro de perda de força no mercado de trabalho. A economia dos Estados Unidos eliminou 23 mil vagas no mês, depois de um período em que a criação de empregos já vinha ocorrendo em ritmo moderado. A taxa de desemprego ficou em 4,1%.
O dado, isoladamente, reduz a pressão para que o Federal Reserve mantenha uma postura ainda mais restritiva. O problema é que o mercado de trabalho representa apenas uma parte da equação. A outra continua sendo a inflação.
É por isso que o CPI de julho assume papel central nesta semana. O indicador será divulgado em 12 de agosto e poderá alterar rapidamente a precificação dos juros americanos. Um resultado mais moderado tende a reforçar a percepção de que o Fed pode agir com maior cautela. Uma surpresa altista, por outro lado, recolocaria o risco inflacionário no centro do debate.
Na sequência, o PPI de julho, programado para 13 de agosto, permitirá avaliar as pressões de custos no nível do produtor.
O cenário se torna mais complexo com a retomada da alta do petróleo.
As incertezas envolvendo uma eventual reabertura mais ampla do Estreito de Ormuz voltaram a elevar o prêmio de risco geopolítico. Nesta segunda-feira, o Brent chegou à região de US$ 87 por barril, com investidores reagindo às dificuldades nas negociações envolvendo Irã e Estados Unidos.
O petróleo importa diretamente para a leitura de inflação. Uma alta prolongada da energia pode pressionar transporte, produção e expectativas de preços, dificultando o trabalho dos bancos centrais.
O resultado é um ambiente em que atividade mais fraca e inflação potencialmente resistente passam a ser analisadas simultaneamente.
Cenário doméstico
No Brasil, o principal ponto de partida é a última decisão do Copom.
Em 5 de agosto, o Banco Central reduziu a Selic para 14,00% ao ano. A decisão manteve o processo de flexibilização monetária, mas os próximos passos dependerão da evolução da inflação, da atividade e das expectativas.
O quadro inflacionário recente apresentou alguma moderação. Em junho, o IPCA avançou 0,16%, acumulando 3,36% no ano e 4,64% em 12 meses.
Para o mercado, entretanto, não basta observar apenas o índice cheio. A composição da inflação, especialmente serviços e componentes mais persistentes, continua relevante para avaliar o espaço disponível ao Banco Central.
Isso significa que qualquer combinação de inflação mais resistente, pressão cambial ou deterioração das expectativas pode levar o Copom a conduzir o ciclo de cortes com maior cautela.
Na bolsa, o Ibovespa encerrou a sexta-feira anterior na região de 172,5 mil pontos. O patamar coloca o índice brasileiro em uma área técnica importante depois das oscilações recentes próximas de 175 mil a 178 mil pontos.
O comportamento do petróleo também merece atenção no mercado doméstico. Por causa do peso das empresas ligadas a commodities no índice brasileiro, movimentos mais fortes na energia podem modificar a composição de forças dentro do próprio Ibovespa.
Análises técnicas
S&P 500

O S&P 500 permanece próximo das máximas recentes. O ETF SPY negociava nesta segunda-feira na região de 773 pontos, depois de alcançar máxima intradiária próxima de 775.
Tecnicamente, a faixa entre 775 e 778 pontos funciona como resistência imediata. Um rompimento acompanhado de continuidade compradora poderia abrir espaço para uma nova expansão da tendência.
Na parte inferior, 770–772 pontos constituem a primeira área de defesa. Abaixo dela, a região de 765 pontos passa a ganhar relevância.
A estrutura continua construtiva enquanto esses suportes forem preservados, mas a proximidade do CPI aumenta o risco de movimentos rápidos e falsos rompimentos.
Ibovespa

O Ibovespa fechou a sessão anterior próximo de 172,5 mil pontos, tornando a região dos 172 mil pontos o suporte imediato do índice.
Uma perda consistente dessa área colocaria 170 mil pontos como próxima referência psicológica e técnica.
Na parte superior, a primeira resistência relevante aparece entre 175 mil e 176 mil pontos, faixa recentemente negociada pelo índice. Acima dela, a região de 178 mil pontos volta a funcionar como barreira importante. Em julho, o Ibovespa chegou a fechar em 177.866 pontos.
Enquanto permanecer abaixo dessa faixa de resistência, a leitura de curto prazo exige cautela. A recuperação consistente de 175–176 mil pontos seria o primeiro sinal de melhora da estrutura.
Ouro - XAU/USD

O ouro voltou a ganhar força após os dados mais fracos do mercado de trabalho americano.
Nesta segunda-feira, o metal operava próximo de US$ 4.357 por onça, depois de alcançar aproximadamente US$ 4.372na sexta-feira.
A região de US$ 4.370–4.400 representa a resistência imediata. Um rompimento sustentado aumentaria a possibilidade de continuidade do movimento comprador.
Do lado inferior, US$ 4.330 funciona como primeira referência, seguida pela importante região psicológica de US$ 4.300.
O comportamento dos juros americanos e do dólar após o CPI deve ser determinante. Uma redução das expectativas de juros reais tende a favorecer o metal, enquanto uma retomada mais forte do dólar pode provocar realização.
EUR/USD

O EUR/USD negocia próximo de 1,154, com o dólar recuperando parte do terreno antes da divulgação da inflação americana.
A região de 1,155–1,156 funciona como resistência imediata. Um rompimento consistente pode levar o par a testar 1,160.
Na parte inferior, 1,150 aparece como primeiro suporte relevante. A perda desse nível aumentaria a pressão sobre a estrutura de curto prazo e colocaria a região de 1,145 novamente no radar.
O CPI deverá ser o principal gatilho para o par. O dado pode modificar simultaneamente as expectativas para juros americanos e a direção do dólar.
Conclusão
A semana reúne fatores capazes de alterar rapidamente a percepção dos investidores.
Nos Estados Unidos, o mercado de trabalho mais fraco aumentou o peso do CPI e do PPI na discussão sobre os próximos passos do Federal Reserve.
Ao mesmo tempo, a recuperação do petróleo mostra que o risco geopolítico continua presente e pode interferir diretamente nas expectativas de inflação.
No Brasil, a Selic em 14,00% confirma a continuidade do ciclo de flexibilização, mas não elimina a necessidade de acompanhar inflação, expectativas e condições externas.
Nos gráficos, o S&P 500 permanece próximo das máximas, o Ibovespa testa uma região importante de suporte, o ouro volta a pressionar resistências e o EUR/USD aguarda um novo catalisador para definir direção.
Em um ambiente com eventos relevantes concentrados em poucos dias, disciplina, leitura de cenário e confirmação técnica tornam-se especialmente importantes.
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