Panorama Macro da Semana

Payroll forte, CPI e petróleo: a semana que pode redefinir os juros e os mercados

Os mercados iniciam uma semana decisiva, marcada por uma combinação de fatores capazes de alterar as expectativas para juros, moedas e ativos de risco. Nos Estados Unidos, um payroll muito acima do esperado voltou a colocar a política monetária do Federal Reserve no centro das atenções. Agora, os dados de inflação, especialmente o CPI, ganham ainda mais importância para definir os próximos passos da autoridade monetária.

No Brasil, o ambiente recente foi mais favorável aos ativos domésticos. O Ibovespa encerrou a última semana na região dos 185,2 mil pontos, com valorização aproximada de 5,5%, impulsionado principalmente pela leitura do cenário eleitoral, pela queda dos juros futuros e pelo desempenho das principais empresas do índice.

Ao mesmo tempo, a forte alta do petróleo adiciona uma nova camada de risco ao cenário global. Com o Brent novamente próximo dos US$ 100, aumentam as preocupações com inflação, juros e atividade econômica.

A combinação desses fatores aponta para uma semana potencialmente mais volátil, tanto no mercado internacional quanto no Brasil.

Cenário Internacional

O payroll americano encerrou a última semana provocando uma mudança importante nas expectativas para os juros dos Estados Unidos.

A economia americana criou 162 mil vagas em agosto, quase três vezes as 56 mil esperadas pelo mercado. Além disso, os dados de junho e julho foram revisados para cima em aproximadamente 55 mil postos de trabalho.

A taxa de desemprego permaneceu em 4,1%. A força do mercado de trabalho levou os investidores a recalibrarem as expectativas para a próxima decisão do Federal Reserve. Segundo o relatório, a probabilidade atribuída pelo mercado a uma alta de 25 pontos-base em setembro avançou de aproximadamente 49% para pouco mais de 60%.

A reação dos mercados foi imediata. O dólar ganhou força no exterior, os rendimentos dos Treasuries avançaram e as bolsas americanas ficaram pressionadas. O movimento foi particularmente importante nos títulos de dois anos, que são mais sensíveis às expectativas para a política monetária.

Apesar disso, a decisão do Fed permanece aberta. Nesta semana, o mercado acompanha o PPI na quinta-feira e, principalmente, o CPI na sexta-feira. Depois da surpresa positiva no mercado de trabalho, a inflação americana passou a ser o principal indicador antes da reunião do Federal Reserve dos dias 15 e 16 de setembro.

Uma inflação acima das projeções poderá reforçar a possibilidade de juros mais elevados, fortalecendo o dólar e pressionando ativos de risco. Por outro lado, uma leitura mais moderada poderá reduzir novamente essa probabilidade e devolver parte do apetite por risco aos mercados.

Petróleo volta ao centro das atenções

Outro fator importante para o cenário global é o petróleo. A retomada das ofensivas militares no Oriente Médio e as incertezas envolvendo o fluxo pelo Estreito de Ormuz levaram os preços da commodity a uma forte valorização.

O Brent acumulou alta de aproximadamente 9,3% na semana, encerrando próximo de US$ 96,28 por barril. O WTI avançou cerca de 9,7%, para aproximadamente US$ 91,48.

A valorização favorece empresas do setor de petróleo e energia, mas também aumenta os riscos inflacionários. Caso a commodity permaneça próxima ou acima da região dos US$ 100, o mercado poderá começar a revisar novamente as expectativas para inflação e juros em diferentes economias.

Cenário Doméstico

No Brasil, o Ibovespa encerrou a semana passada próximo dos 185,2 mil pontos, acumulando valorização de aproximadamente 5,5%.

O principal catalisador foi o cenário eleitoral. Pesquisas divulgadas ao longo da semana mostraram uma disputa mais equilibrada entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Na pesquisa Datafolha mencionada pelo relatório, Lula aparece com 46% e Flávio Bolsonaro com 44% em uma eventual disputa de segundo turno, configurando empate técnico dentro da margem de erro.

A possibilidade de mudança na condução da política econômica e fiscal estimulou a entrada de recursos na Bolsa, reduziu os prêmios na curva de juros e contribuiu para a valorização do real durante boa parte da semana.

Entre as empresas de maior peso do Ibovespa, Petrobras, Vale e bancos foram alguns dos principais destaques. Petrobras também foi beneficiada pela forte valorização do petróleo e pelas expectativas relacionadas à exploração da Foz do Amazonas.

Vale acompanhou a recuperação do minério de ferro. Já empresas mais dependentes da economia doméstica responderam principalmente à redução dos juros futuros.

Dólar recua, mas encontra suporte

O dólar terminou a semana próximo de R$ 5,13, acumulando queda aproximada de 1,2%.

A moeda chegou a recuar com maior intensidade durante a reação às pesquisas eleitorais, mas recuperou parte das perdas na sexta-feira após o payroll americano fortalecer o dólar no mercado internacional.

O cenário sugere que a região próxima de R$ 5,10 poderá continuar funcionando como suporte enquanto permanecer elevada a possibilidade de juros mais altos nos Estados Unidos.

PIB confirma desaceleração gradual

Na atividade econômica, o PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre, desacelerando em relação à expansão de 1,1% registrada nos primeiros três meses do ano.

Serviços e indústria ficaram próximos da estabilidade, enquanto a agropecuária apresentou desempenho mais forte.

O resultado reforçou a percepção de perda gradual de ritmo da economia brasileira e contribuiu para manter as expectativas de um novo corte de 25 pontos-base na Selic em setembro.

Fiscal continua como risco

O mercado também avaliou o Projeto de Orçamento de 2027.A proposta prevê um superávit primário efetivo de aproximadamente R$ 18,6 bilhões.

Entretanto, o resultado considerado para o cumprimento da meta fiscal alcança R$ 83,4 bilhões após as deduções permitidas pelo arcabouço fiscal.

O documento manteve dúvidas sobre a qualidade do ajuste fiscal e sobre a capacidade de estabilização da dívida pública.

Por isso, o risco fiscal continua sendo relevante principalmente para os vencimentos mais longos da curva de juros.

IPCA será o principal dado brasileiro da semana

O principal indicador doméstico será o IPCA de agosto, previsto para sexta-feira.O dado ganha importância depois de o IPCA-15 registrar deflação de 0,40%, influenciado pelo bônus de Itaipu nas contas de energia.

Uma inflação abaixo ou próxima das expectativas poderá consolidar a perspectiva de novo corte de 25 pontos-base da Selic.

Por outro lado, uma surpresa de alta, principalmente nos preços de serviços e nas medidas subjacentes de inflação, poderá reduzir o espaço para continuidade do ciclo de flexibilização monetária.O IBGE também divulgará a Pesquisa Mensal de Serviços na quinta-feira.

Análises Técnicas

S&P 500

O ETF SPY, que replica o S&P 500, permaneceu em uma consolidação de curto prazo próxima das máximas recentes. Mesmo com a volatilidade, o ativo continua negociando acima das principais médias móveis, preservando a estrutura positiva construída nas últimas semanas.

O gráfico apresentado na página 4 do relatório mostra o preço trabalhando dentro de um retângulo de consolidação. A região superior dessa estrutura representa o principal gatilho para uma retomada mais consistente do movimento comprador. Para esta semana, a leitura do relatório permanece compradora, porém condicionada à confirmação do rompimento da máxima recente.

Enquanto esse rompimento não ocorrer, o SPY poderá continuar oscilando dentro da consolidação. Os dados de inflação americanos serão fundamentais para definir se haverá força compradora suficiente para superar a resistência. Um rompimento confirmado da parte superior da estrutura favoreceria a retomada de um movimento direcional de alta.

Ibovespa

O Ibovespa manteve a forte recuperação iniciada em agosto e acumulou uma sequência expressiva de altas.O movimento afastou o índice das médias móveis de curto e médio prazo e levou os preços diretamente para uma importante região de resistência.

No gráfico apresentado na página 5 do relatório, essa faixa aparece próxima da região de 188,8 mil pontos, nível que já conteve o avanço dos preços em diferentes momentos. Depois de uma recuperação tão rápida, aumenta a possibilidade de perda de frequência do movimento e de uma fase de lateralização.

Por isso, a leitura indicada no relatório para esta semana é neutra. Enquanto não houver um rompimento consistente da resistência, o cenário favorece uma acomodação dentro da faixa de consolidação.

Esse movimento também poderá permitir uma reaproximação das médias móveis. Um rompimento consistente da parte superior da região seria necessário para devolver maior força ao movimento comprador.

Ouro - XAU/USD

O ouro perdeu força depois de se aproximar novamente da linha de tendência de baixa de longo prazo. O ativo também encontrou dificuldade na região da média móvel de 200 períodos, aumentando a concentração de resistências acima do preço.

No gráfico apresentado na página 6, o XAU/USD permanece dentro de uma estrutura semelhante a um triângulo descendente.

Ao mesmo tempo, as médias móveis do gráfico diário começam a comprimir o preço. Esse comportamento indica redução de amplitude, baixa frequência e perda de direcionalidade no curto prazo. A leitura do relatório permanece neutra.

Com uma semana especialmente importante para as expectativas de juros nos Estados Unidos, essa compressão poderá continuar até que surja um catalisador capaz de provocar o rompimento da estrutura.

O cenário se aproxima de uma mola sendo comprimida: quanto menor a amplitude, maior poderá ser a aceleração após uma eventual saída da formação. Por isso, a estratégia sugerida pela análise é aguardar o rompimento do triângulo antes de assumir uma posição direcional.

EUR/USD

O EUR/USD perdeu força ao se aproximar novamente da região central da sua consolidação de longo prazo.O ativo permanece sem tendência claramente definida. No gráfico apresentado na página 8 do relatório, a região próxima de US$ 1,16 continua funcionando como uma zona de equilíbrio importante.

A média móvel de 200 períodos também passa próxima dessa região, reforçando o cenário de lateralização. A leitura indicada no relatório permanece neutra.

Enquanto o preço continuar sendo negociado no centro da consolidação, a relação entre risco e retorno para operações direcionais permanece pouco favorável. Uma definição mais clara deverá ocorrer somente quando o EUR/USD se afastar dessa região e recuperar frequência em direção a uma das extremidades do retângulo.

Conclusão

A semana reúne elementos capazes de provocar mudanças importantes nas expectativas dos mercados. Nos Estados Unidos, o payroll forte elevou novamente a sensibilidade dos investidores aos próximos dados de inflação.

O CPI será decisivo para determinar se o mercado continuará aumentando as apostas em juros mais altos ou se haverá espaço para uma nova redução dessas expectativas. Ao mesmo tempo, a forte valorização do petróleo representa um risco adicional para a inflação global.

No Brasil, o cenário recente permanece mais construtivo para os ativos domésticos, apoiado pela leitura eleitoral e pela expectativa de continuidade do ciclo de cortes da Selic.

Entretanto, o Ibovespa chegou a uma região técnica importante depois de uma valorização muito rápida. A combinação de resistência técnica, CPI americano, IPCA brasileiro, petróleo e cenário eleitoral poderá aumentar significativamente a volatilidade. Em um ambiente como esse, disciplina de risco, leitura dos níveis técnicos e confirmação dos movimentos continuam sendo fundamentais.

👉 Para entender melhor como esses fatores podem impactar sua estratégia, assista ao vídeo completo com Marcos Praça no canal da ZERO MARKETS BRASIL no YouTube.

📅 Data: 7 de setembro de 2026

✍ Marcos Felipe Martins da Silva Praça – CNPI-T (EM-9505)

⚠ DISCLAIMER:
As opiniões aqui expressas refletem o entendimento pessoal e independente do Diretor de Análise MARCOS FELIPE MARTINS DA SILVA PRAÇA, CNPI-T (EM-9505), inclusive em relação à pessoa jurídica à qual está vinculado. Este relatório não constitui oferta nem garantia de resultado, e o investidor é o único responsável por suas decisões. A  Zero Markets Brasil Consultoria e Análise de Valores Mobiliários LDTA, CNPJ 56.964.932/0001-09, credenciada perante a APIMEC Brasil, declara, nos termos do art. 22 da Resolução CVM nº 20/2021, não haver situação que afete a imparcialidade deste relatório ou configure conflito de interesses, ressalvado o que, se existente, será divulgado no próprio relatório.

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