Panorama Macro da Semana
Eleições 2026, Copom e petróleo: fatores que colocam os mercados em alerta

As Eleições 2026 entram em uma fase decisiva justamente quando o ambiente internacional volta a testar o apetite por risco. No Brasil, pesquisas eleitorais, inflação e política monetária dividem as atenções dos investidores. No exterior, petróleo, tensões no Oriente Médio, atividade econômica e sinais dos principais bancos centrais seguem no radar.
O Datafolha divulgado em 17 de setembro mostrou Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 36% no primeiro turno. Em uma eventual disputa de segundo turno, o levantamento registrou 46% a 44%, respectivamente, configurando empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. A pesquisa ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios.
Para os ativos brasileiros, cada nova pesquisa pode alterar as expectativas dos investidores sobre o cenário político e econômico posterior à eleição. Por isso, a interação entre Eleições 2026, inflação, juros e percepção fiscal tende a continuar relevante nas próximas semanas.
Como o cenário Internacional reage às Eleições 2026
No ambiente externo, o panorama da semana destaca a melhora do apetite por risco diante do recuo do petróleo e da expectativa de avanços diplomáticos. A normalização do tráfego pelo Estreito de Ormuz contribui para aliviar a pressão sobre as cotações, embora os riscos relacionados à infraestrutura energética e às rotas marítimas do Oriente Médio continuem presentes.
A queda do petróleo tem reflexos que ultrapassam o setor de energia. Preços menores podem reduzir pressões inflacionárias e influenciar as expectativas para juros, atividade econômica e ativos de risco. No pregão desta segunda-feira, 21 de setembro, o Brent recuava 3,5% e o WTI, 4,66%, enquanto os mercados brasileiros reagiam também ao ambiente eleitoral.
Nos Estados Unidos e na Europa, os PMIs e as declarações de autoridades monetárias entram no radar. Esses indicadores podem fornecer novas pistas sobre atividade e política monetária.
Assim, as Eleições 2026 não estão isoladas do ambiente global: petróleo, juros internacionais e percepção de risco externo podem amplificar ou amortecer os movimentos provocados pelo noticiário doméstico.
E o cenário doméstico?

No Brasil, política e economia avançam lado a lado. Além da corrida presidencial, a agenda reúne ata do Copom, IPCA-15 e Relatório de Política Monetária, indicadores importantes para a formação das expectativas sobre inflação e juros.
A disputa eleitoral segue apertada. Além do Datafolha, levantamento BTG/Nexus divulgado em 21 de setembro registrou Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 37% no primeiro turno; no cenário pesquisado de segundo turno, os números foram 46% e 45%, respectivamente, também dentro da margem de erro informada. Pesquisas representam retratos do eleitorado no momento da coleta e não previsões do resultado da eleição.
O relatório também chama atenção para medidas recentes do governo, entre elas o reajuste do Bolsa Família. O Datafolha registrava Lula com maior intenção de voto entre beneficiários do programa, mas o próprio levantamento foi realizado majoritariamente antes do anúncio do reajuste, o que impede atribuir a ele qualquer efeito eleitoral observado nessa pesquisa.
Para o mercado, o ponto central permanece sendo como novas informações políticas podem alterar expectativas sobre política econômica, contas públicas e juros. Nesse ambiente, o chamado trade eleitoral pode continuar provocando ajustes rápidos nas posições dos investidores.
Análises Técnicas
S&P 500 (SPY) - O ETF SPY rompeu para cima o canal de baixa que conduzia o movimento desde as máximas de agosto, sinalizando perda de força da estrutura corretiva. O relatório passa a trabalhar com recomendação de compra, tendo como objetivo a região da máxima histórica próxima de US$ 777, principal resistência observada no gráfico. A recuperação acima das médias móveis mais curtas reforça a leitura compradora, condicionada à sustentação do rompimento.

Ibovespa - O índice permanece em consolidação, com resistência próxima de 188.778 pontos e suporte ao redor de 182 mil pontos. A leitura do relatório permanece neutra enquanto o mercado estiver dentro desse intervalo. Um rompimento acima de 188.778 pontos favoreceria a continuidade da alta; abaixo de 182 mil pontos, aumentaria a possibilidade de correção em direção às médias móveis. O gráfico das páginas 3 e 4 evidencia justamente esse retângulo de consolidação.

Ouro (XAU/USD) - O ouro mantém viés baixista no relatório, negociando abaixo da linha de tendência de baixa e pressionando o suporte de aproximadamente US$ 4.281. A leitura de venda depende da confirmação do rompimento desse nível. Caso isso aconteça, o alvo técnico apresentado fica em US$ 3.943, região que anteriormente funcionou como suporte. Sem a perda de US$ 4.281, o gatilho permanece pendente.

EUR/USD - O par permanece dentro de uma ampla consolidação e volta a se aproximar da extremidade inferior do intervalo, na região de 1,14. Uma defesa desse suporte acompanhada de reação compradora poderia criar uma oportunidade técnica, mas o relatório destaca que o gatilho ainda não foi confirmado. A recomendação, portanto, permanece neutra enquanto não houver sinal mais claro de reversão.

Conclusão sobre o cenário econômico com as Eleições 2026
A combinação entre Eleições 2026, decisões de política monetária e riscos externos cria um ambiente em que a volatilidade pode permanecer elevada. No Brasil, pesquisas eleitorais, inflação e sinais do Copom podem provocar recalibrações das expectativas. No exterior, petróleo, atividade econômica e política monetária seguem capazes de mudar rapidamente o apetite por risco.
Do ponto de vista técnico, o cenário também exige seletividade: enquanto o SPY apresentou rompimento comprador, o Ibovespa e o EUR/USD ainda aguardam definições em regiões importantes, e o ouro depende da perda efetiva do suporte para confirmar seu gatilho vendedor.
Nesse contexto, a disciplina na leitura dos níveis técnicos e atenção aos eventos macroeconômicos tornam-se particularmente importantes.
👉 Para entender melhor como esses fatores podem impactar sua estratégia, assista ao vídeo completo com Marcos Praça no canal da ZERO MARKETS BRASIL no YouTube.
📅 Data: 21 de setembro de 2026
✍ Marcos Felipe Martins da Silva Praça – CNPI-T (EM-9505)
⚠ DISCLAIMER: As opiniões aqui expressas refletem o entendimento pessoal e independente do Diretor de Análise MARCOS FELIPE MARTINS DA SILVA PRAÇA, CNPI-T (EM-9505), inclusive em relação à pessoa jurídica à qual está vinculado. Este relatório não constitui oferta nem garantia de resultado, e o investidor é o único responsável por suas decisões. A Zero Markets Brasil Consultoria e Análise de Valores Mobiliários LDTA, CNPJ 56.964.932/0001-09, credenciada perante a APIMEC Brasil, declara, nos termos do art. 22 da Resolução CVM nº 20/2021, não haver situação que afete a imparcialidade deste relatório ou configure conflito de interesses, ressalvado o que, se existente, será divulgado no próprio relatório.


