Panorama Macro da Semana
Ibovespa e eleições: o preço correu na frente da urna

O mercado brasileiro não esperou o segundo turno. Na sexta-feira, a bolsa já antecipava parte do movimento, com investidores reforçando apostas em uma vitória de Flávio Bolsonaro. E isso com as pesquisas apontando empate técnico com Lula ao longo das duas últimas semanas.
No domingo, Flávio superou as projeções e terminou o primeiro turno à frente. Em Nova York, o EWZ, fundo que reúne ações brasileiras, subiu 10% no after market. O sinal foi de reprecificação expressiva dos ativos locais já na abertura de segunda-feira.
É nesse ponto que a relação entre Ibovespa e eleições pede mais atenção. O preço andou em uma noite, mas a disputa só se define no dia 25 de outubro. Lula promete intensificar a campanha em busca de uma virada inédita, e o mercado agora atravessa três semanas de incerteza com parte do resultado já embutida nas cotações.
Lá fora, o roteiro também mudou. O payroll veio abaixo do esperado e reforçou a leitura de que o Fed deve manter os juros neste mês. Ao mesmo tempo, a piora no Iêmen e novos episódios no Estreito de Ormuz mantêm o petróleo no centro das atenções.
Cenário internacional: Fed em pausa e petróleo sob tensão

Mesmo em uma semana dominada por Ibovespa e eleições, o investidor brasileiro não pode desligar o radar externo. Os dois vetores que vêm de fora mexem com juros, câmbio e inflação aqui dentro.
O primeiro vem do mercado de trabalho americano. A surpresa negativa do payroll reforçou a leitura de que o Federal Reserve deve deixar os juros inalterados neste mês. Com a política monetária mais previsível no curto prazo, sai um fator de surpresa do radar, e o S&P 500 preserva a estrutura de alta no gráfico diário.
O segundo vetor é geopolítico. A escalada das tensões no Iêmen e os novos episódios no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo, mantêm a commodity entre os principais focos dos investidores. Petróleo pressionado conversa com inflação global, custo de energia e ações ligadas ao setor, como Petrobras.
No câmbio, o dólar ganhou força. O EUR/USD aprofundou a queda até uma região de suporte importante, enquanto o ouro segue em tendência de baixa no curto prazo. Os dois movimentos apontam para um dólar mais firme nesta largada de outubro.
Cenário doméstico: Senado, fiscal e a tensão com o STF

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, segundo a apuração divulgada. A diferença é estreita, mas o resultado veio acima do que as pesquisas indicavam. O mercado leu a surpresa como mudança de probabilidade para o dia 25.
O avanço da direita não ficou restrito à disputa presidencial. A nova composição do Congresso, sobretudo do Senado, alimenta expectativas por uma condução fiscal mais rigorosa. É essa leitura, mais do que a preferência por um nome, que explica a reprecificação: o investidor está colocando no preço a chance de uma trajetória fiscal diferente.
O mesmo movimento, porém, eleva a tensão entre o Legislativo e o STF, um ruído institucional que pode ganhar espaço ao longo da campanha. Do outro lado, Lula promete intensificar a campanha em busca de uma virada inédita no segundo turno.
O resultado é um mercado que subiu antes da decisão. Até o dia 25, Ibovespa e eleições caminham juntos: cada pesquisa, debate e declaração tende a mexer com bolsa, dólar e juros futuros com mais força do que o normal.
Análises técnicas: o que os gráficos indicam sobre Ibovespa e eleições
As leituras abaixo são de Marcos Praça, CNPI-T, com base no gráfico diário de cada ativo.
S&P 500 (SPY)

O SPY, ETF que replica o S&P 500, voltou a ganhar força depois de respeitar a média móvel de 21 períodos como suporte. O ativo encerrou perto das máximas recentes, em torno de 772, e preservou a estrutura de alta do gráfico diário. A recomendação de compra está mantida, com atenção redobrada à máxima histórica, próxima de 778,75. A confirmação do rompimento dessa resistência pode abrir espaço para uma nova perna de valorização. Uma nova rejeição na faixa, por outro lado, pode provocar realização de lucros no curto prazo. O comportamento do preço perto da máxima define a estratégia da semana.
Ibovespa

O Ibovespa manteve a recuperação e voltou a negociar perto das máximas, acima da média móvel de 21 períodos e com estrutura positiva no gráfico diário. Ainda assim, a recomendação permanece neutra, e o motivo está na própria combinação entre Ibovespa e eleições. Com o mercado atravessando um período de maior volatilidade e especulação ligado ao cenário eleitoral, a relação risco-retorno para novas entradas fica menos favorável. A região dos 199,5 mil pontos, antiga máxima de abril, segue como principal referência técnica do índice. A preferência é aguardar uma definição mais clara do movimento antes de assumir uma posição direcional.
Ouro (XAU/USD)

O ouro manteve a pressão vendedora e seguiu respeitando a linha de tendência de baixa (LTB), o que reforça a estrutura descendente de curto prazo. O metal opera abaixo da média móvel do gráfico diário, perto de US$ 4.140, sem sinais consistentes de reversão até aqui. A recomendação de venda está mantida, em linha com a tendência predominante. Enquanto o preço ficar abaixo da LTB, o cenário favorece a continuidade da queda, com espaço para buscar o suporte em US$ 3.976. A perda desse patamar reforçaria a pressão vendedora.
EUR/USD

O EUR/USD manteve forte pressão vendedora e aprofundou a queda até uma importante região de suporte, entre 1,1145 e 1,1213. Depois de uma sequência consistente de baixas, o movimento está bastante esticado no gráfico diário. Por isso, a recomendação é de compra, em busca de uma correção técnica pela retração de Fibonacci da última perna de queda. A primeira região de interesse fica perto de 1,1348 (38,2%), seguida por 1,1407 (50%) e 1,1465 (61,8%), caso a recuperação ganhe força. Como a operação vai contra o movimento recente, é a reação na região de suporte que confirma a retomada compradora.
Conclusão: cautela com o que já está no preço
A semana abre com um contraste útil. Os ativos brasileiros subiram de uma vez, e a leitura técnica para o Ibovespa segue neutra. Não há contradição nisso. Quando o preço antecipa um evento que ainda não aconteceu, o risco muda de lugar: sai da dúvida sobre o resultado e passa para a chance de o resultado frustrar quem já entrou.
Os riscos estão mapeados. Três semanas de campanha, a promessa de reação de Lula, a tensão entre Congresso e STF e o petróleo pressionado por Iêmen e Ormuz podem trazer volatilidade em qualquer direção. Lá fora, o S&P 500 testa a máxima histórica, ponto em que rompimentos e rejeições costumam acontecer.
As oportunidades existem, mas pedem método. A relação entre Ibovespa e eleições vai seguir no centro do noticiário até o dia 25. Nesse ambiente, separar fato de aposta, respeitar os níveis técnicos e ajustar o tamanho da exposição à volatilidade pesa mais do que acertar a direção.
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📅 Data: 05 de outubro de 2026
✍ Marcos Felipe Martins da Silva Praça – CNPI-T (EM-9505)
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