Panorama Macro da Semana
Eleições e mercado financeiro: payroll, Ormuz e a última semana antes das urnas

Três relógios correm ao mesmo tempo nesta semana. O primeiro marca a contagem para o primeiro turno. O segundo marca o prazo de até sete dias que o Irã deu a Washington para responder à proposta de reabertura do Estreito de Ormuz. O terceiro para na sexta-feira, com o payroll de setembro nos Estados Unidos.
A relação entre eleições e mercado financeiro nunca esteve tão direta neste ciclo. Na reta final, o governo Lula elevou o tom e anunciou o fim das bets no Brasil, uma medida de forte impacto que pode alterar a dinâmica da disputa presidencial. Em paralelo, os desdobramentos do caso Master seguem ganhando alcance em Brasília e chegaram, na última sexta-feira, ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
O investidor entra na semana com pouca visibilidade e muitos gatilhos. A leitura técnica ajuda a separar ruído de sinal.
Cenário internacional: Ormuz e emprego americano no centro
O Oriente Médio segue como principal foco de risco global. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, transferiu para Washington a decisão sobre os termos apresentados por Teerã para reabrir o Estreito de Ormuz, com prazo de até sete dias para resposta. A escolha é difícil para Trump. Aceitar pode aliviar o petróleo. Recusar mantém a pressão sobre energia, inflação e juros.
A agenda americana ganha peso ao longo da semana. Saem o JOLTS, o ADP, o PCE (a medida de inflação preferida do Fed) e o ISM industrial. O fechamento fica com o payroll de setembro. O conjunto vai mostrar se o mercado de trabalho americano desacelera no ritmo que justifica juros mais baixos ou se ainda resiste.
Aqui o tema de eleições e mercado financeiro também cruza a fronteira. Um petróleo pressionado por Ormuz encarece o combustível, contamina a inflação global e reduz o espaço para cortes de juros. Esse efeito chega ao Brasil justamente no momento em que o eleitor vai às urnas.
Cenário doméstico: Brasília dita o ritmo

A última semana antes do primeiro turno mantém Brasília no centro das atenções. Novas pesquisas eleitorais e os desdobramentos do caso Master dividem espaço com uma agenda econômica relevante.
Os dados do mercado de trabalho, com PNAD Contínua e Caged, e a produção industrial de agosto funcionam como termômetros da desaceleração da atividade. Se vierem mais fracos, reforçam o discurso de juros menores à frente. Se surpreenderem para cima, o mercado tende a recalibrar as expectativas.
Na bolsa, o reflexo aparece no gráfico. O Ibovespa perdeu força compradora e segue travado em uma faixa de consolidação. O movimento é típico de um mercado que prefere esperar a definição política antes de assumir direção.
Eleições e mercado financeiro: o que dizem os gráficos
S&P500

O ETF SPY, que replica o S&P500, voltou a ganhar força depois de encontrar sustentação na região das médias móveis de 21 e 50 períodos, em torno de US$ 765 e US$ 761. O ativo encerrou perto das máximas recentes e agora encosta na região de máxima histórica, próxima de 778 pontos, que funciona como resistência relevante. A recomendação de Marcos Praça permanece neutra. Com PCE e payroll no calendário, a volatilidade tende a subir. Um rompimento confirmado da máxima reforça a continuidade da tendência de alta. Uma nova rejeição nessa região pode abrir espaço para uma correção mais forte. A leitura é aguardar a confirmação de um dos dois cenários antes de assumir posição.
Ibovespa

O índice perdeu parte da força compradora e segue dentro do retângulo de consolidação, sem conseguir avançar até a resistência dos 189 mil pontos. No curto prazo, o movimento é de acomodação. No quadro maior, o Ibovespa segue negociado bem acima das médias móveis de 50 e 200 períodos, próximas dos 177 mil pontos, o que preserva a tendência primária de alta. A recomendação é neutra. A incerteza eleitoral pode manter o índice lateralizado. O foco técnico está nos extremos da faixa: um rompimento devolve direção ao mercado, enquanto a permanência no retângulo sustenta a baixa oscilação.
Ouro (XAU/USD)

O ouro voltou a perder força e pressionou o suporte próximo de US$ 4.286. A estrutura segue baixista: o ativo opera abaixo das principais médias móveis de curto prazo e respeita a linha de tendência de baixa (LTB) no gráfico diário. A recomendação de venda da semana anterior está mantida. O gatilho operacional é a confirmação do rompimento desse suporte. Se o nível ceder, cresce a chance de aceleração da queda em direção ao próximo suporte relevante, em torno de US$ 3.943.
EUR/USD

O par intensificou a correção e voltou a testar US$ 1,139, fundo importante da consolidação no gráfico diário. O suporte foi respeitado até aqui, o que abre espaço para uma recuperação depois da forte pressão vendedora. A recomendação passa a ser de compra, com objetivo de retorno às médias móveis de 21, 50 e 200 períodos, concentradas entre US$ 1,153 e US$ 1,159. A manutenção do fundo em US$ 1,139 sustenta esse cenário. Uma perda confirmada desse nível enfraquece a leitura compradora.
Conclusão: riscos e oportunidades nas eleições e no mercado financeiro
A semana concentra riscos binários. Ormuz pode aliviar ou pressionar o petróleo. O payroll pode confirmar ou adiar os cortes de juros nos EUA. As urnas podem reduzir ou ampliar a incerteza doméstica. Nesse ambiente, a relação entre eleições e mercado financeiro pede disciplina, não pressa.
Três dos quatro ativos analisados estão em ponto de decisão técnica. A oportunidade está em esperar o mercado mostrar a direção, e não em tentar antecipá-la. Gestão de risco, posições menores e níveis claros de invalidação fazem mais diferença nesta semana do que qualquer aposta de cenário.
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📅 Data: 28 de setembro de 2026
✍ Marcos Felipe Martins da Silva Praça – CNPI-T (EM-9505)
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