Panorama Macro da Semana
Fed e Copom em direções opostas: payroll, PIB e petróleo colocam os mercados em alerta

A última semana de agosto terminou com uma mudança importante na percepção dos mercados sobre a política monetária dos Estados Unidos e do Brasil. Enquanto o Federal Reserve reforçou um discurso mais duro em relação à inflação, os indicadores brasileiros continuam apontando para uma desaceleração da atividade econômica, fortalecendo as expectativas de flexibilização da Selic.
O cenário ganha complexidade com a volta do petróleo ao centro das atenções. As tensões envolvendo Estados Unidos e Irã elevam novamente o risco geopolítico e podem trazer impactos sobre os preços da energia e, consequentemente, sobre a trajetória da inflação global.
No Brasil, a agenda combina questões fiscais e atividade econômica. A apresentação do Orçamento de 2027 e a divulgação dos números fiscais de julho dividem espaço com o PIB do segundo trimestre, dado que pode ajudar o mercado a calibrar suas expectativas para as próximas decisões do Copom.
Cenário Internacional
O discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole trouxe uma sinalização mais firme sobre o combate à inflação. Segundo o relatório, o presidente do Federal Reserve se aproximou do posicionamento de outros membros da autoridade monetária americana que já vinham preparando o mercado para a possibilidade de uma nova alta dos juros.
Com isso, o payroll de agosto passa a ocupar posição central na agenda internacional desta semana. O dado do mercado de trabalho americano será acompanhado de perto porque pode reforçar ou reduzir a percepção de que o Fed ainda precisa manter uma política monetária mais restritiva.
Um mercado de trabalho resiliente tende a dificultar a convergência da inflação, enquanto sinais mais claros de desaceleração poderiam reduzir a necessidade de novos apertos.
Ao mesmo tempo, o petróleo voltou ao radar. O relatório destaca que ataques dos Estados Unidos contra alvos iranianos em Ormuz, seguidos pela promessa de resposta de Teerã, adicionaram um novo componente de risco à inflação.
Qualquer aumento mais expressivo das tensões na região pode afetar a oferta e os preços da commodity. Em um momento no qual os bancos centrais ainda acompanham de perto a inflação, uma nova pressão sobre energia poderia tornar o processo de flexibilização monetária mais difícil em diferentes economias.
Cenário Doméstico
No Brasil, a direção esperada para a política monetária é diferente.
Os números mais fracos do Caged ampliaram a sequência de indicadores que sugerem perda de dinamismo da atividade econômica. Esse processo reforça a expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual da Selic em setembro, cenário que, segundo o relatório, já está amplamente precificado.
A principal dúvida do mercado deixa de ser apenas o próximo movimento do Copom e passa a ser a extensão do ciclo de flexibilização ao longo das reuniões restantes de 2026.
O PIB do segundo trimestre será uma peça importante nessa avaliação. Uma desaceleração mais intensa da atividade pode fortalecer a expectativa por novos cortes de juros, enquanto números mais resistentes podem limitar o espaço para uma flexibilização acelerada.
A questão fiscal também permanece no centro das atenções. O Orçamento de 2027 volta a colocar a credibilidade das contas públicas à prova, ao mesmo tempo em que os dados fiscais consolidados de julho ajudam a dimensionar a situação das finanças do governo.
Essa combinação cria uma dinâmica importante para os ativos brasileiros: de um lado, uma economia perdendo força favorece juros menores; de outro, eventuais preocupações fiscais podem aumentar os prêmios de risco e limitar parte desse efeito.
Análises Técnicas
S&P 500

No gráfico apresentado na página 2 do relatório, o ETF SPY, que replica o S&P 500, tentou retomar o movimento de alta, mas não conseguiu renovar sua máxima anterior.
A formação de um topo mais baixo colocou o índice em uma configuração de triângulo descendente no curto prazo, com uma linha de tendência de baixa pressionando os preços contra o suporte localizado próximo dos US$ 762.
A leitura para a semana permanece neutra. A estrutura indica perda de momentum e aumento da indecisão, cenário que pode persistir até a divulgação do payroll na sexta-feira.
Um rompimento da linha de tendência de baixa poderia favorecer uma nova tentativa de avanço. Em sentido contrário, a perda dos US$ 762 aumentaria a possibilidade de correção em direção à média móvel de 50 períodos, situada próxima dos US$ 754.
Ibovespa

O gráfico da página 3 mostra o Ibovespa retomando parte das perdas após a forte volatilidade observada durante agosto.
O movimento recente interrompeu o canal de alta que havia orientado os preços ao longo de junho e julho, mas a recuperação ocorrida no fim do mês levou o índice novamente até uma região relevante de resistência.
O índice também conseguiu recuperar as médias móveis de curto prazo.
O ponto decisivo está nos 180 mil pontos. De acordo com o relatório, uma superação acompanhada de confirmação acima desse nível funcionaria como gatilho para o fortalecimento do fluxo comprador e poderia abrir espaço para um movimento mais direcional de alta.
Enquanto esse rompimento não ocorrer, entretanto, a faixa dos 180 mil pontos continua funcionando como resistência.
Ouro - XAU/USD

Na página 4, o ouro aparece novamente diante de uma importante linha de tendência de baixa de longo prazo, responsável por conectar alguns dos principais topos do movimento.
Essa resistência ganha relevância adicional porque coincide com a região da média móvel de 200 períodos no gráfico diário, aumentando a pressão vendedora após o último teste.
No curto prazo, o XAU/USD está comprimido entre as médias móveis de 21 e 50 períodos, que formam uma região de suporte.
Essa compressão pode favorecer uma nova tentativa de avanço em direção à linha de tendência de baixa e à média de 200 períodos.
O relatório mantém um viés comprador, inicialmente mirando justamente um novo teste dessa resistência. Um eventual rompimento da linha de tendência acompanhado pela superação da média de 200 períodos fortaleceria a recuperação e poderia abrir espaço para uma continuidade mais consistente do movimento.
EUR/USD

O gráfico da página 5 mostra o Euro/Dólar avançando novamente dentro de uma ampla estrutura de consolidação de longo prazo.
O par, entretanto, encontrou dificuldade na região central do retângulo e não conseguiu estabelecer uma tendência direcional mais clara.
O EUR/USD permanece próximo de US$ 1,16, região que também concentra as médias móveis de 21 e 200 períodos.
Essa convergência reforça o equilíbrio atual entre compradores e vendedores.
Por esse motivo, a leitura permanece neutra. Enquanto o preço continuar próximo dessa região e não houver um rompimento claro da estrutura de consolidação, o cenário mais provável permanece marcado por baixa direcionalidade.
Uma leitura mais assertiva dependerá tanto do afastamento entre as médias quanto da saída do preço da região central do retângulo.
Conclusão
A semana coloca frente a frente duas expectativas distintas de política monetária.
Nos Estados Unidos, o endurecimento do discurso do Federal Reserve aumenta a importância dos dados de emprego e mantém aberta a discussão sobre uma nova alta dos juros. No Brasil, a desaceleração dos indicadores domésticos favorece a perspectiva de corte da Selic e desloca o debate para a duração e a intensidade do ciclo de flexibilização.
Ao mesmo tempo, questões fiscais no Brasil e a nova tensão no mercado de petróleo adicionam fontes relevantes de volatilidade.Para os investidores, o cenário exige atenção especial aos rompimentos técnicos e às divulgações macroeconômicas. Payroll, PIB brasileiro, contas públicas e petróleo podem mudar rapidamente a percepção de risco e definir a direção dos mercados ao longo da semana.
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