Panorama Macro da Semana
Ata do Fed, China e Análise Técnica: a semana que testa os mercados

Além do cenário macroeconômico global, a análise técnica dos principais ativos revela pontos decisivos de suporte e resistência para a tomada de decisão. Os mercados iniciam a semana visivelmente divididos entre sinais mais favoráveis vindos da economia americana e uma percepção de risco crescente sobre os ativos brasileiros.
Nos Estados Unidos, dados mais comportados de inflação ajudaram a reduzir a pressão por um novo aperto monetário já em setembro. De fato, o CPI e o PPI aliviaram parte das preocupações dos investidores e favoreceram uma retomada do apetite por risco em Wall Street. Agora, contudo, o foco se desloca para a ata do Federal Reserve, que pode oferecer novas pistas sobre o caminho dos juros americanos.
No Brasil, por outro lado, o quadro é mais delicado. A proximidade do processo eleitoral começa a ganhar espaço nas decisões de investimento, enquanto risco fiscal, juros elevados e redução do fluxo estrangeiro ampliam a volatilidade. Ademais, o rebaixamento da recomendação do JPMorgan para o Brasil, de compra para neutra, reforçou esse movimento de cautela.
Cenário internacional & Análise técnica do assunto

A agenda internacional começa pela Ásia. Os números do PIB japonês no segundo trimestre e os indicadores de produção industrial e vendas no varejo da China ajudam a medir a força de duas das principais economias da região.
A China merece atenção especial porque uma eventual desaceleração mais intensa pode repercutir diretamente sobre commodities, moedas de países emergentes e empresas altamente expostas ao ciclo de matérias-primas.
Ao mesmo tempo, o mercado acompanha com atenção as tensões geopolíticas no Oriente Médio. Diante disso, a ausência de avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã voltou a sustentar os preços do petróleo, mantendo um componente adicional de incerteza para a inflação global e para os ativos de risco.
Nos Estados Unidos, o principal evento macroeconômico será a divulgação da ata do Federal Reserve. Depois de dados do CPI e PPI mais moderados, o documento será analisado detalhadamente em busca de sinais sobre o grau de preocupação dos dirigentes com a inflação, a atividade econômica e o mercado de trabalho.
Nesse sentido, uma postura menos rígida por parte do Fed pode favorecer ativos de risco. Em contrapartida, sinais de resistência a uma flexibilização monetária poderiam provocar reajustes na curva de juros e pressionar as bolsas globais.
Paralelamente, a temporada de balanços também permanece no radar, com Home Depot e Walmart ajudando a oferecer uma leitura adicional sobre o consumo e a atividade nos Estados Unidos.
Cenário doméstico
No Brasil, o mercado atravessa uma fase de deterioração relativa em comparação com Wall Street. O fluxo estrangeiro perdeu força, enquanto os investidores incorporam de maneira mais evidente o risco político associado ao ciclo eleitoral. A isso se somam, portanto, as dúvidas sobre o equilíbrio fiscal e a perspectiva de manutenção dos juros em níveis elevados.
O movimento ganhou ainda mais força com a decisão do JPMorgan de reduzir sua avaliação sobre o mercado brasileiro de compra para neutra. Essa mudança reforçou a percepção de que a combinação entre política, fiscal e juros pode limitar o desempenho dos ativos domésticos no curto prazo.
Além disso, a agenda econômica local exige atenção constante. IGP-10, Boletim Focus e IBC-Br ajudam a atualizar as expectativas para inflação, atividade econômica e política monetária. Da mesma forma, declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, permanecem relevantes para a interpretação do mercado sobre os próximos passos da Selic.
No mercado acionário, o reflexo desse ambiente ficou evidente no Ibovespa, que acumulou 11 pregões consecutivos de queda e chegou à importante região de suporte dos 165 mil pontos.
Análise Técnica dos principais ativos
Para navegar com clareza em cenários de alta volatilidade, a aplicação correta da análise técnica é fundamental para mapear os melhores pontos de entrada, saída e gestão de risco.
Análises técnicas
S&P 500

O ETF SPY manteve a estrutura positiva depois de romper sua antiga região de consolidação. O preço permaneceu acima da área dos 760 pontos e passou a oscilar próximo das máximas, sem devolver parcela significativa do movimento anterior.
Sob a perspectiva da análise técnica, a configuração mantém aberta a possibilidade de formação de um padrão de mastro-bandeira no gráfico diário. O impulso anterior representa o mastro, enquanto a consolidação atual pode funcionar como a bandeira.
As médias móveis de 21 e 50 períodos permanecem ascendentes e posicionadas abaixo do preço, reforçando o viés comprador. Consequentemente, um rompimento consistente da parte superior da consolidação poderia ativar o padrão e abrir espaço para outra extensão do movimento de alta. Enquanto a região anteriormente rompida permanecer preservada, a estrutura gráfica segue favorável aos compradores.
⚬ Viés técnico da semana: Comprador.
Ibovespa

Por isso, iniciar uma nova posição vendida justamente após uma sequência tão extensa de queda e sobre um suporte relevante apresenta uma relação entre risco e retorno menos interessante.
Portanto, o mercado precisa mostrar se haverá defesa dos 165 mil pontos ou rompimento efetivo dessa região antes de uma nova definição direcional.
⚬ Viés técnico da semana: Neutro.
Ouro - XAU/USD

O ouro manteve a forte recuperação iniciada na região dos US$ 4.000 e conseguiu superar resistências de curto prazo.
Após a aceleração, o XAU/USD entrou em uma pequena consolidação, criando novamente uma possível configuração de mastro-bandeira segundo a análise técnica.
A confirmação desse padrão depende do rompimento da parte superior da estrutura atual. Caso isso ocorra, o movimento pode abrir espaço para uma nova pernada de valorização.
O principal objetivo projetado está próximo de US$ 4.570, região que também apresenta confluência com a média móvel de 200 períodos no gráfico diário. Essa combinação transforma o nível em uma resistência crucial para a continuidade da recuperação.
⚬ Viés técnico da semana: Comprador.
EUR/USD

O EUR/USD manteve a recuperação recente, mas perdeu força ao voltar para a região central de uma ampla consolidação de longo prazo.
O desafio identificado pela análise técnica está justamente na localização atual do preço. O par opera no meio do retângulo, região que normalmente oferece uma relação entre risco e retorno menos favorável para estratégias direcionais.
Além disso, o euro encontrou a média móvel de 200 períodos no gráfico diário e ainda não apresentou força suficiente para romper essa confluência.
Sem rompimento confirmado da resistência ou retorno para regiões mais extremas da consolidação, o gráfico não apresenta um gatilho direcional suficientemente claro.
⚬ Viés técnico da semana: Neutro.
As estruturas e níveis descritos acima seguem os gráficos e estudos da análise técnica apresentados no relatório semanal de 17 de agosto. o par. O dado pode modificar simultaneamente as expectativas para juros americanos e a direção do dólar.
Conclusão
Em suma, a semana combina uma melhora relativa do ambiente internacional com uma elevação da percepção de risco no mercado brasileiro.
Nos Estados Unidos, a inflação mais comportada permitiu uma redução parcial da pressão sobre o Federal Reserve. Contudo, a ata da autoridade monetária será determinante para avaliar se essa leitura encontrará respaldo entre seus dirigentes. Além disso, China, Japão, petróleo e tensões no Oriente Médio completam um quadro externo que continua exigindo acompanhamento rigoroso.
No Brasil, por outro lado, o desafio é maior. Risco eleitoral, questões fiscais, juros elevados e menor interesse do investidor estrangeiro formam uma combinação capaz de manter a volatilidade elevada.
Nos gráficos, essa diferença também se traduz claramente: enquanto o S&P 500 e o Ouro preservam estruturas de recuperação e continuidade, o Ibovespa e o EUR/USD exigem maior confirmação antes da construção de uma direção mais clara.
Em um ambiente como esse, alinhar a leitura macroeconômica com uma sólida análise técnica, mantendo a disciplina na gestão de risco e atenção aos principais níveis de preço, torna-se indispensável.
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