Suprema Corte e Fed no radar: semana decisiva para os mercados
A última semana terminou sob forte turbulência em Wall Street. Investidores oscilaram entre o receio de uma possível bolha nos investimentos em inteligência artificial e a leitura ainda difusa dos indicadores econômicos dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, no Brasil, o foco saiu do mercado e migrou para Brasília, com ruídos institucionais elevando a percepção de risco.
A semana começa com liquidez reduzida, bolsas fechadas no Brasil e nos EUA, mas ganha intensidade a partir de quarta-feira, com a divulgação da ata do FOMC, seguida por IBC-Br, PCE e PIB americano. Além disso, a partir de sexta-feira, o mercado entra em alerta com o anúncio de “dias de decisão” pela Suprema Corte dos EUA, especialmente em relação ao julgamento das tarifas.
🌍 Cenário Internacional
Nos Estados Unidos, os dados recentes vieram em direções diferentes. O payroll mostrou um mercado de trabalho ainda aquecido em janeiro, enquanto indicadores antecedentes como JOLTS e ADP haviam sinalizado desaceleração mais clara na criação de vagas.
No campo inflacionário, o CPI trouxe alívio moderado, com alta ligeiramente abaixo das expectativas. Ainda assim, o conjunto de informações mantém o cenário desafiador para o Federal Reserve, que precisa calibrar o equilíbrio entre atividade resiliente e inflação em processo gradual de acomodação.
O mercado oscila entre a esperança de cortes de juros adiante e o receio de que a força do emprego postergue qualquer movimento mais agressivo de afrouxamento monetário. A ata do Federal Open Market Committee (FOMC), na quarta-feira, pode oferecer pistas mais claras sobre o grau de conforto da autoridade monetária com os dados recentes.
Na sexta-feira, o foco se volta ao PCE, indicador de inflação preferido do Fed, e ao PIB dos EUA. Surpresas nesses números podem redefinir as expectativas de política monetária para o primeiro semestre.
Além disso, a Supreme Court of the United States anunciou que “dias de decisão” estão próximos, incluindo o julgamento das tarifas, atualmente o processo mais relevante em andamento. Dependendo do desfecho, o impacto pode se estender ao comércio internacional, cadeias produtivas e precificação de ativos globais.indo exposição a narrativas excessivamente esticadas e buscando ativos mais tangíveis, em um ambiente global cada vez menos tolerante a incertezas.
🇧🇷 Cenário Doméstico
No Brasil, o noticiário político ganhou protagonismo (clique aqui e leia mais). O relatório da Polícia Federal envolvendo questionamentos sobre a atuação do ministro Dias Toffoli no chamado Caso Master gerou forte repercussão institucional.
O Supremo Tribunal Federal convocou reunião de emergência com todos os ministros. Sob pressão, Toffoli declarou-se impedido de continuar no caso, que passa agora à relatoria de André Mendonça.
O episódio adiciona ruído político a um ambiente já sensível, em meio às discussões fiscais e às expectativas sobre os próximos passos da política monetária.
Na agenda, destaque para o IBC-Br na quinta-feira, indicador antecedente do PIB brasileiro. A leitura ajudará o mercado a calibrar expectativas sobre crescimento e, consequentemente, sobre o espaço para a condução da taxa Selic.
Com a B3 fechada no início da semana e reabrindo apenas na quarta-feira a partir das 13h, o mercado local tende a incorporar de uma vez só o sentimento acumulado de quatro dias sem pregão.
Análises Técnicas
S&P 500
O S&P500 não teve força para romper a região dos 7.000 pontos e formou consolidação de topo, com suporte relevante em 6.800 pontos. A tendência primária segue de alta, mas as tendências secundária e terciária indicam lateralização. O foco técnico está no “caixote” formado entre suporte e resistência. O rompimento consistente de qualquer uma dessas extremidades tende a gerar movimento mais direcional.

Ibovespa
O Ibovespa renovou máxima histórica na região dos 190 mil pontos e apresentou correção pontual. A tendência principal permanece fortemente altista. Tecnicamente, uma correção saudável até a região dos 180 mil pontos, em confluência com a média móvel de 21 períodos no gráfico diário, não descaracteriza a tendência e pode preparar o ativo para um novo movimento de pullback e continuidade.

Ouro (XAU/USD)
O contrato de ouro (XAU/USD) encontrou resistência forte na região de US$ 5.100 por onça troy, formando um triângulo ascendente. O ativo negocia acima das médias móveis, mantendo tendência primária de alta. O vetor mais relevante, contudo, é macroeconômico: a dinâmica dos conflitos geopolíticos e as decisões do Fed tendem a ditar o ritmo e a intensidade do movimento.

EUR/USD
O EUR/USD afunilou exatamente na região de rompimento da antiga consolidação. A formação atual indica elevada incerteza e compressão de volatilidade. Esse tipo de estrutura costuma anteceder movimentos mais explosivos após o rompimento definitivo da figura gráfica, exigindo atenção redobrada à confirmação do fluxo.

Conclusão
A semana concentra eventos capazes de redefinir expectativas: ata do FOMC, IBC-Br, PCE, PIB americano e possíveis decisões da Suprema Corte dos EUA. Em um ambiente de liquidez reduzida no início e agenda carregada no final, a volatilidade tende a aumentar.
O investidor deve equilibrar cautela e estratégia. Tendências estruturais permanecem positivas em alguns ativos, mas a proximidade de eventos decisivos exige disciplina na gestão de risco.
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