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"Brasil deixa de ser o país do futuro e vira o país do presente?"

Em seu panorama macro semanal produzido para a Zero Markets, Rodrigo Cohen, analista convidado, trouxe uma leitura abrangente sobre os principais eventos que movem os mercados neste início de 2026: o payroll americano acima do esperado, as perspectivas para os juros nos EUA, a disparada do ouro, o inverno do Bitcoin, o protagonismo das terras raras na geopolítica global e o surpreendente rally da bolsa brasileira.
Juros nos EUA: pausa mantida, mas sem corte à vista
O relatório de emprego americano (payroll) divulgado na semana trouxe uma criação de 130 mil vagas, mais do dobro do esperado e do mês anterior. O salário médio e o ganho por hora também vieram acima das projeções, enquanto a taxa de desemprego recuou.
"Mais emprego, pessoal trabalhando mais, ganhando mais. Quando você ganha mais, você gasta mais. Quando você gasta mais, a demanda sobe, e com ela, a inflação",
explica Cohen. O CPI americano, com expectativa de 2,5% ao ano e 0,3% no núcleo mensal, reforça a leitura: os juros nos Estados Unidos devem permanecer inalterados no próximo encontro do Federal Reserve. Dados da ferramenta FedWatch, da CME, apontavam 94% de probabilidade de manutenção da taxa.
"Com os juros americanos parados, o capital migra para países emergentes como o Brasil. Isso explica boa parte do nosso rally",
afirma o Cohen.
Bolsa brasileira: 17,4% de alta no ano e capital externo massivo

Com mais de R$ 30 bilhões de capital estrangeiro entrando na bolsa brasileira somente em fevereiro, superando todo o fluxo de 2024, o Ibovespa acumulava alta de 17,4% no ano no momento da análise. Em 2024, a bolsa havia encerrado com ganhos de 33,95%.
Cohen citou a leitura de André Esteves, sócio fundador do BTG Pactual, que atribuiu o movimento a uma combinação de fatores: menor percepção de risco político no Brasil, inflação em trajetória descendente, reservas cambiais robustas de US$ 360 bilhões, queda da taxa de desemprego e investimento direto externo superior ao déficit em conta corrente.
"O candidato que vencer as eleições vai receber uma conjuntura super favorável, independente de quem seja",
resumiu Cohen, acrescentando que o único ponto de atenção citado por Esteves é o ajuste fiscal ainda necessário de cerca de 2% do PIB.
"Se esse ajuste vier, o Brasil para de ser o país do futuro e vira o país do presente."
Para o analista, no entanto, o cenário até as eleições de outubro não será simples: \
"Não vai ser um ano ruim, mas não vai ser um ano tranquilo. Volatilidade vai continuar. Quem tiver disciplina e reserva de oportunidade vai se beneficiar."
Bitcoin: inverno em curso, mas oportunidade no horizonte
Desde a máxima histórica de US$ 125 mil, o Bitcoin recuou mais de 50%, testando a média móvel de 200 períodos, exatamente o suporte projetado por Cohen em análises anteriores. O analista Cohen projeta uma recuperação parcial até a faixa dos US$ 80 mil, antes de uma nova rodada de queda que poderia levar o ativo ao intervalo entre US$ 37 mil e US$ 45 mil.

"Em 2017, o Bitcoin caiu 83% e depois subiu 2.000%. Em 2021, caiu 75%. Essa queda de agora, 20% desde o topo anual, ainda não é nada. Dá pra cair mais. Mas quem tem visão de longo prazo encontra oportunidade aqui",
diz Cohen, que revelou estar fazendo aportes parciais e graduais no ativo ao longo do ano, sem recomendar a estratégia a terceiros.
Sobre as altcoins, o analista explicou que elas tendem a se valorizar quando o Bitcoin perde a dominância, fenômeno típico do final de ciclos de alta, mas que no atual estágio de mercado a cautela ainda se impõe.
Terras raras: a nova fronteira dos mercados de futuros
Um dos temas que mais chamou atenção no panorama foi o estudo da CME (Bolsa de Chicago) e da ICE (Intercontinental Exchange) para lançamento do primeiro contrato futuro de terras raras. O movimento reflete a tentativa dos Estados Unidos de reduzir a dependência da China nesse setor estratégico, que hoje controla a maior parte do fornecimento global desses minerais essenciais para semicondutores, baterias e defesa.
No Brasil, ações de empresas do setor de terras raras chegaram a disparar até 390% em meio ao interesse americano e às discussões de um marco legal para o setor.
"O Brasil é um dos maiores detentores de estoque desses minerais. O tema vai crescer e o mercado já está precificando",
destacou Cohen.

Temporada de resultados: Ambev, McDonald's e Hermès
Na temporada de balanços, Cohen destacou o desempenho da Ambev (ABEV3), cujo lucro recuou 9,9% no quarto trimestre mas cuja receita líquida cresceu organicamente 5%, chegando a R$ 24,8 bilhões. No gráfico, a ação acumulou alta de 50% desde a mínima de outubro de 2025 e 18,5% no ano, desempenho expressivo para uma empresa historicamente classificada como conservadora.
Outros resultados comentados incluíram o lucro de US$ 2,16 bilhões do McDonald's (+7% anual) e a receita de 4,9 bilhões de euros da Hermès, ambos demonstrando resiliência mesmo em ambiente de juros elevados nos países desenvolvidos.
O contexto: mercados possíveis, não fáceis
Com cenário pré-eleitoral no Brasil, Bitcoin em correção, ouro em alta sustentada e a geopolítica global ainda tensa, envolvendo Irã, Rússia e a guerra comercial sino-americana, Cohen adota uma postura que marca seu estilo: nem euforia, nem pânico.
"O que eu vejo é que os mercados estão diferentes. Não estão fáceis, mas estão possíveis. E no momento de adversidade é que surgem as maiores oportunidades, para quem tem processo, gestão de risco e não toma decisão baseada em emoção",
conclui.
SOBRE RODRIGO COHEN
Rodrigo Cohen é trader profissional com 26 anos de mercado, Engenheiro de formação e Analista CNPI. É influenciador oficial da B3, Bolsa do Brasil, e eleito o Trader Mais Influente do Brasil pela Anbima em 2021. Fundador da comunidade Trader Nation e do programa Cohen Code, já formou mais de 61 mil alunos e é pioneiro no uso de robôs e automação no trading brasileiro, desde 2012. É autor do livro autobiográfico A Vida Não Tem Simulador e casado com a Dra. Flávia Velger Cohen, médica integrativa.
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