Panorama Macro da Semana
Resultados das eleições: o mercado apostou em um lado e agora reprecifica o Brasil

O investidor brasileiro começou a semana pagando por uma aposta sem proteção. Ao longo dos últimos dias, mesmo com as pesquisas apontando empate técnico, o mercado intensificou a compra de ativos de risco, apostando em uma vitória de Flávio Bolsonaro. A demanda cresceu no mercado à vista na sexta-feira e avançou no mercado futuro à noite.
Os resultados das eleições contrariaram esse posicionamento. A reeleição de Lula, confirmada pelo TSE com vantagem superior a 4 milhões de votos, obrigou os investidores a refazer as contas de uma só vez. No exterior, a semana também carrega um teste político: as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Elas já mantêm os principais ativos globais em compasso de espera.
Cenário Internacional: como os resultados das eleições afeta Wall Street
Enquanto o Brasil absorve o choque doméstico, o investidor global olha para outro calendário. A proximidade das eleições americanas sustenta uma postura defensiva. Essa cautela aparece de forma clara nos gráficos.
O S&P500 segue preso em uma faixa lateral, sem força para romper máximas. O ouro perdeu tração e voltou a testar suporte relevante. O EUR/USD acomoda após uma sequência de quedas, com o dólar ainda forte no mundo. O padrão se repete nos três ativos: consolidação, médias móveis próximas ou inclinadas para baixo e um mercado que prefere esperar.
Para quem investe no Brasil, esse pano de fundo importa. Os resultados das eleições nos EUA podem redefinir o apetite global por risco e o comportamento do dólar. Isso chega aqui por dois canais: o câmbio e o fluxo estrangeiro. Na prática, o investidor brasileiro enfrenta duas incertezas políticas ao mesmo tempo, uma já resolvida e outra ainda aberta.
Cenário Doméstico: a conta da falta de proteção
A reação começou antes mesmo da abertura da B3. Na noite de domingo, o EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, chegou a recuar quase 20%. Os ADRs da Petrobras registraram perdas próximas de 14%.
O tamanho do movimento tem uma explicação direta. Parte relevante do otimismo eleitoral já estava nos preços desde o primeiro turno e boa parte dos investidores não buscou proteção na reta final. Quando o cenário oposto se confirmou, a correção veio concentrada.
A abertura dos mercados domésticos trouxe volatilidade intensa e uma reprecificação ampla dos ativos. Os movimentos extremos acionaram mecanismos de interrupção das negociações, principalmente na bolsa. O dólar e os juros futuros absorveram boa parte da pressão inicial.
No centro dessa leitura está a política fiscal. O mercado passa a reavaliar como será a condução econômica em um quarto mandato de Lula. Até que haja sinais mais claros sobre equipe econômica e compromisso com as contas públicas, a tendência é de prêmio de risco mais elevado nos ativos locais.
Análises Técnicas para o investidor acompanhar
S&P500 (SPY)

O SPY, ETF que replica o S&P500, segue em consolidação entre o suporte de US$ 754,11 e a resistência de US$ 777,98. O ativo tem dificuldade em sustentar movimentos de alta e oscila próximo das médias móveis de 21 e 50 períodos. Como essas médias estão muito próximas uma da outra, confirmam a falta de tendência no curto prazo. O preço continua acima da média de 200 períodos, o que preserva a estrutura de alta no horizonte mais longo. A recomendação é neutra. O rompimento consistente de US$ 777,98 pode retomar o movimento comprador. A perda de US$ 754,11 sinalizaria enfraquecimento da estrutura e espaço para uma correção mais intensa. Com as eleições americanas no radar, a leitura é aguardar a definição direcional antes de abrir novas posições.
Ibovespa

O Ibovespa vinha consolidando entre 205 mil e 210 mil pontos, perto das máximas, após a forte alta do início de outubro. A estrutura de alta segue preservada, mas o índice mostrava perda de força compradora e um afastamento elevado das médias móveis. A média de 21 períodos está próxima de 198,8 mil pontos, o que aumenta a probabilidade de uma correção técnica. Os resultados das eleições agora dão gatilho a esse cenário. A recomendação é de compra, condicionada à confirmação de uma retração técnica. A região de destaque fica em torno de 180 mil pontos, próxima da retração de 61,8% de Fibonacci da alta iniciada em agosto. No caminho, os níveis de 198,8 mil, 189,3 mil e 184,3 mil pontos funcionam como referências. A estratégia prioriza esperar o recuo e a confirmação de suporte, sem antecipar entradas.
Ouro (XAU/USD)

O ouro mantém a trajetória de enfraquecimento e volta a se aproximar do suporte de US$ 3.943,71, que marca a base de uma ampla zona de consolidação no gráfico diário. Mesmo com a pressão vendedora, o rompimento desse nível ainda não se confirmou. O ativo segue dentro de uma lateralização de médio prazo limitada pela resistência de US$ 4.242,31. As médias móveis estão acima do preço e inclinadas para baixo, o que reforça a fragilidade técnica e a tendência de baixa. A recomendação é neutra. A perda de US$ 3.943,71 pode acelerar as vendas. Uma reação a partir desse suporte abre caminho para US$ 4.122,64, onde passa a média de curto prazo, e depois para US$ 4.242,31.
EUR/USD

O par Euro/Dólar consolida entre 1,1130 e 1,1260, após uma forte sequência de quedas nas semanas anteriores. As tentativas de recuperação não ganharam força, e o preço segue próximo da região intermediária de 1,1200. As médias móveis do diário estão acima do preço e com inclinação negativa, o que mantém a predominância da tendência de baixa, mesmo com a pressão vendedora mais acomodada. A recomendação é neutra. O rompimento de 1,1260 pode favorecer uma recuperação técnica até 1,1383, onde há uma média móvel relevante. A perda de 1,1130 tende a intensificar as vendas e abrir espaço para novas mínimas.
Conclusão: os resultados das eleições trocam a pergunta do investidor
A semana não testa quem acertou o vencedor. Testa quem estava preparado para os dois cenários. Os resultados das eleições no Brasil expuseram uma concentração de apostas sem proteção. O efeito apareceu na Petrobras, no dólar e na curva de juros.
O risco imediato está na volatilidade e na indefinição fiscal. A oportunidade, para quem tem estratégia, pode surgir justamente da correção. No Ibovespa, o Marcos Praça mapeia regiões técnicas de interesse, desde que o preço confirme suporte. Lá fora, o calendário político americano ainda segura S&P500, ouro e EUR/USD em compasso de espera.
A palavra da semana é disciplina: esperar confirmação, respeitar níveis técnicos e não transformar convicção política em posição sem proteção. Até a poeira baixar, os resultados das eleições seguirão no centro da formação de preços.
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📅 Data: 26 de outubro de 2026
✍ Marcos Felipe Martins da Silva Praça – CNPI-T (EM-9505)
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