Panorama Macro da Semana
Trade eleitoral sob teste: CPI e Brasília desafiam o recorde do Ibovespa

O trade eleitoral fechou mais uma semana no comando dos ativos brasileiros. Na prática, é o movimento em que investidores reposicionam carteiras conforme as chances de cada cenário da eleição e o que elas sinalizam para a política fiscal. Desta vez, a leitura positiva do primeiro turno, reforçada pelas primeiras pesquisas da nova etapa da disputa, empurrou o Ibovespa a sucessivos recordes, tirou mais de 150 pontos-base dos juros longos e colocou o dólar abaixo de R$ 5.
O desafio agora é outro. Depois de um avanço tão rápido, cresce o risco de realização de lucros em uma semana mais curta, com a B3 fechada na segunda-feira pelo feriado de Nossa Senhora Aparecida. Lá fora, o CPI americano dita o ritmo, ao lado da largada da temporada de balanços dos grandes bancos. Aqui, Brasília segue no centro, com a tentativa de votar a PEC que extingue a escala 6x1. A pergunta da semana é simples: quanto do trade eleitoral ainda cabe no preço?
Cenário internacional: o CPI americano e o apetite estrangeiro pelo Brasil
A semana começa com liquidez reduzida. As bolsas de Tóquio e Toronto fecham na segunda-feira, pelo Dia dos Esportes e pelo Thanksgiving canadense. Nos Estados Unidos, as ações negociam normalmente, mas o mercado de Treasuries não funciona, o que tira do primeiro pregão uma referência importante de juros.
O CPI americano é o principal evento do período. Na sequência vêm o PPI, as vendas no varejo e a produção industrial, um conjunto capaz de recalibrar as apostas para os juros do Federal Reserve. Inflação mais resistente tende a adiar a expectativa de cortes; números mais fracos reforçam a tese de alívio monetário. Para o trade eleitoral, esse recado importa: juros americanos altos por mais tempo costumam reduzir o apetite por mercados emergentes, enquanto um alívio abre espaço para o fluxo estrangeiro.
A temporada de balanços entra no radar com JPMorgan, Goldman Sachs, Citigroup, Bank of America e Morgan Stanley, além de ASML e TSMC, termômetros da cadeia global de semicondutores. Na China, os dados de inflação e de balança comercial ajudam a medir a força da atividade.
Na geopolítica, o acordo entre Donald Trump e Vladimir Putin para o fornecimento de diesel russo aos Estados Unidos reduziu o temor de suspensão das exportações americanas do combustível. Ao mesmo tempo, abriu uma nova frente de tensão em torno da guerra na Ucrânia, o que mantém o petróleo entre os vetores de risco da semana.
Cenário doméstico: o trade eleitoral encontra a agenda de Brasília

Em poucos pregões, a bolsa renovou recordes, os juros longos recuaram com força e o câmbio voltou para baixo de R$ 5. Ainda em setembro, Marcos Praça descrevia ao Money Times o trade eleitoral "já batendo na porta e fazendo preço". Agora ele fez preço e a dúvida mudou: quanto dessa leitura ainda se sustenta até o segundo turno, em 25 de outubro?
A agenda doméstica começa na terça, quando o Boletim Focus e as novas pesquisas eleitorais voltam a testar o rali. Cada pesquisa recalibra o trade eleitoral, para cima ou para baixo. Ao longo da semana, os dados de serviços, de vendas no varejo e o IBC-Br mostram a intensidade da desaceleração econômica e ajudam a calibrar as expectativas para os próximos passos do Copom.
Em Brasília, a agenda política continua carregada. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tenta avançar com a votação da PEC que extingue a escala 6x1. Somada ao noticiário eleitoral, essa pauta mantém a capital federal no centro da formação de preços.
Análise técnica do Ibovespa, S&P 500, ouro e EUR/USD
S&P 500 (SPY)
O SPY, ETF que replica o S&P 500, manteve a trajetória de recuperação e encerrou os pregões perto da máxima histórica, na região de US$ 779,42. Esse nível funciona como resistência e vem limitando o avanço dos preços. A tendência de alta segue preservada, com o ativo negociado acima das principais médias móveis do gráfico diário, mas o mercado ainda não mostrou força suficiente para sustentar o rompimento. Para esta semana, Marcos Praça mantém a recomendação neutra e aguarda a reabertura do mercado americano após o feriado para identificar um movimento direcional mais consistente. Um rompimento confirmado da máxima pode abrir espaço para uma nova pernada de valorização. Já uma rejeição na resistência pode levar a uma correção em direção às médias móveis, inicialmente na região de US$ 767,48. A postura mais prudente é esperar a definição antes de estabelecer um novo gatilho operacional.
Ibovespa
O Ibovespa ganhou volatilidade depois da forte valorização puxada pelo trade eleitoral e alcançou a região dos 210 mil pontos. Perto das máximas, porém, a força compradora perdeu fôlego e o gráfico diário formou um candle do tipo Doji, padrão que marca indecisão entre compradores e vendedores. Quando aparece depois de uma sequência de altas, ele pode antecipar uma reversão ou correção de curto prazo, sobretudo após um movimento de caráter especulativo. Por isso, a recomendação de Marcos Praça para a semana é de venda, considerando a possibilidade de realização de lucros. A confirmação do sinal depende da perda da mínima do Doji, o que pode abrir espaço para uma correção até a região dos 200 mil pontos, importante suporte técnico. Mesmo com o viés corretivo, o índice segue acima das principais médias móveis do gráfico diário e preserva a tendência primária de alta.
Ouro (XAU/USD)
O ouro entrou em lateralização e consolidou os preços em uma faixa estreita entre US$ 4.100 e US$ 4.225, depois da sequência de quedas anterior. Apesar da tentativa de recuperação nos últimos pregões, o metal segue abaixo das principais médias móveis do gráfico diário e se aproxima de uma linha de tendência de baixa (LTB), que continua atuando como resistência dinâmica. A recomendação é neutra: o ativo ameaça romper a LTB, mas ainda não confirmou um movimento direcional consistente. O rompimento da linha, acompanhado da superação da resistência em US$ 4.225, pode favorecer uma recuperação em direção às médias móveis. Por outro lado, a perda do suporte próximo de US$ 4.100 reforçaria a pressão vendedora e abriria espaço para um novo teste da região de US$ 3.976. Para o analista, o ideal é aguardar a definição do movimento antes de assumir uma posição direcional.
EUR/USD
O euro tenta se estabilizar frente ao dólar depois de uma forte sequência de quedas e passou a oscilar perto do suporte em 1,12138. A pressão vendedora ainda predomina, mas o movimento de baixa dá sinais de cansaço, com candles de menor amplitude e tentativas de recuperação na região de suporte. O preço segue abaixo das principais médias móveis do gráfico diário, o que mantém a tendência de curto prazo baixista. Para esta semana, Marcos Praça mantém a recomendação de compra, em busca de uma recuperação técnica em direção às retrações de Fibonacci. O primeiro objetivo está entre 1,13266 e 1,13485, a retração de 38,2% do movimento anterior. Uma recuperação mais consistente pode levar o par a 1,14066 (50%) e, depois, a 1,14648 (61,8%). Trata-se de uma operação contra a tendência predominante, apoiada na possibilidade de um repique técnico. A manutenção do suporte em 1,12138 sustenta o cenário, enquanto a perda de 1,11451 enfraqueceria a tese e exigiria reavaliação da recomendação.
Conclusão: o trade eleitoral pede estratégia, não pressa
A semana reúne três ingredientes que costumam ampliar a volatilidade: liquidez reduzida no início, um dado de inflação capaz de mexer nas apostas para o Fed e uma agenda política intensa em Brasília. Depois de um rali concentrado em poucos pregões, o trade eleitoral entra na fase em que o preço já antecipou boa parte do cenário e qualquer pesquisa pode mexer com ele. A realização de lucros deixa de ser hipótese e passa a ser cenário de trabalho, como mostra a recomendação de venda para o Ibovespa.
O risco está em confundir tendência com momento. A tendência primária do índice segue de alta, mas o curto prazo pede respeito aos níveis técnicos. A oportunidade está nos gatilhos já mapeados: a mínima do Doji no Ibovespa, a máxima de US$ 779,42 no SPY, a faixa entre US$ 4.100 e US$ 4.225 no ouro e o suporte de 1,12138 no EUR/USD. Com eles no radar, a decisão sai do ruído e volta para o plano.
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📅 Data: 12 de outubro de 2026
✍ Marcos Felipe Martins da Silva Praça – CNPI-T (EM-9505)
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