Panorama Macro da Semana
Petróleo em queda, bolsas em alta e Superquarta no radar pode definir os mercados

O mercado inicia a semana de 15 de junho de 2026 em clima de alívio. Após dias de tensão no Oriente Médio, a expectativa de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã reduziu o temor de uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz. Como resultado, o cenário de petróleo em queda ganhou força, favorecendo bolsas globais e melhorando o apetite por ativos de risco.
Além disso, a reação dos investidores foi rápida. Com o petróleo em queda, parte do prêmio de risco geopolítico foi retirada dos preços, permitindo que os mercados voltassem a concentrar atenção em outro tema central: a política monetária. Nesse sentido, a chamada Superquarta ganha protagonismo, já que Federal Reserve e Copom anunciam suas decisões de juros em um momento decisivo para inflação, câmbio e crescimento.
No entanto, apesar do otimismo, o ambiente ainda exige cautela. As declarações divergentes entre Washington e Teerã, somadas às exigências iranianas envolvendo compromissos formais de Israel, levantam dúvidas sobre a solidez de uma solução definitiva. Portanto, qualquer sinal de fracasso nas tratativas pode provocar uma rápida reprecificação dos mercados, com impacto direto sobre petróleo, bolsas, moedas e juros globais.
Cenário Internacional: petróleo em queda reduz pressão, mas Fed segue no centro das atenções
No cenário externo, o principal vetor de curto prazo continua sendo o Oriente Médio. A possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e Irã trouxe alívio aos mercados ao reduzir o risco de interrupção no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais sensíveis para o comércio global de energia.
Dessa forma, o movimento de petróleo em queda passou a ser interpretado como um alívio para as pressões inflacionárias globais. Afinal, a energia tem papel relevante na formação de preços, no custo de produção e nas expectativas dos bancos centrais. Assim, a queda do petróleo contribuiu para a melhora das bolsas internacionais e reduziu, ao menos temporariamente, o temor de uma nova onda inflacionária.
Por outro lado, o mercado ainda acompanha a implementação prática do acordo. O cenário de petróleo em queda depende da continuidade das negociações, da estabilidade regional e da ausência de novos ruídos militares ou diplomáticos. Caso as tratativas avancem, ativos de risco podem continuar encontrando suporte. Entretanto, se houver frustração, a resposta pode ser rápida, com alta do petróleo e aumento da volatilidade global.

Enquanto isso, o Federal Reserve volta ao centro das atenções. A decisão de juros será importante, mas o comunicado e as projeções econômicas devem ter peso ainda maior. Em um ambiente de menor pressão vinda da energia, investidores buscarão sinais de que o Fed pode adotar uma postura menos restritiva nos próximos meses. Ainda assim, uma comunicação conservadora pode limitar o avanço das bolsas e fortalecer o dólar.
A cúpula do G7, na França, também adiciona peso político à semana. Com Trump e Lula no radar dos investidores, temas como comércio, energia, diplomacia e coordenação global podem influenciar a percepção de risco internacional. Portanto, mesmo com a melhora recente, o cenário global permanece sensível a eventos políticos e monetários.
Cenário Doméstico
No Brasil, a atenção se volta ao Copom. A decisão de política monetária ganha ainda mais importância diante da melhora do ambiente externo e do cenário de petróleo em queda, que pode aliviar parte das pressões inflacionárias. Ainda assim, o Banco Central precisa equilibrar esse fator com os desafios domésticos, incluindo expectativas de inflação, atividade econômica e riscos fiscais.
O Ibovespa teve uma semana de recuperação, sustentado pela melhora do apetite ao risco e pela defesa de importantes suportes técnicos. Além disso, a queda do petróleo pode ajudar a reduzir a pressão sobre juros futuros, o que tende a favorecer ativos de risco. No entanto, o índice ainda se encontra em uma região de indefinição, comprimido entre médias móveis relevantes e aguardando um catalisador macroeconômico mais claro.
Nesse contexto, a decisão do Copom pode cumprir esse papel. Um comunicado mais duro pode pressionar a curva de juros e limitar o avanço da bolsa. Por outro lado, uma sinalização mais confortável em relação à inflação pode favorecer o mercado acionário, especialmente se vier acompanhada de um ambiente externo mais positivo.
O cenário fiscal segue como ponto de atenção. Mesmo com o alívio geopolítico e o petróleo em queda, investidores continuam monitorando riscos ligados às contas públicas, à trajetória da Selic e ao comportamento do câmbio. Assim, a semana combina fatores externos favoráveis com eventos domésticos capazes de definir a próxima direção do mercado brasileiro.
Análises Técnicas
S&P500

O ETF SPY, que replica o S&P500, seguiu exatamente o cenário traçado na semana anterior. Após a forte realização, o ativo encontrou suporte na média móvel de 50 períodos no gráfico diário e reagiu com força compradora. Esse movimento mostra que os compradores seguem defendendo os principais níveis técnicos da tendência.
Além disso, a recuperação reforça a leitura de que a queda recente foi apenas uma correção dentro de uma tendência primária de alta. O ativo permanece acima da média móvel de 200 períodos, que segue inclinada para cima e confirma a manutenção da estrutura positiva de longo prazo.
Para esta semana, o foco volta para a região da máxima histórica. O movimento de recuperação ganhou força suficiente para levar o preço novamente ao teste dessa resistência. Um rompimento consistente pode abrir espaço para continuidade da tendência de alta e busca por novas máximas.
No entanto, a confirmação desse cenário dependerá dos desdobramentos da Superquarta. Caso o Federal Reserve traga sinais favoráveis aos ativos de risco, o SPY pode ganhar impulso para romper a máxima histórica. Por outro lado, uma comunicação mais conservadora pode gerar volatilidade e manter o ativo em consolidação próximo da resistência.
Ibovespa

O Ibovespa teve uma semana de recuperação e confirmou a importância da média móvel de 200 períodos, que voltou a atuar como suporte para o índice. Após testar essa região, os compradores reagiram e conduziram o preço novamente para cima, afastando o risco de uma correção mais profunda no curto prazo.
Apesar da recuperação, o índice segue em uma zona de compressão entre médias móveis importantes. A média de 21 períodos continua funcionando como resistência imediata, enquanto a média de 200 períodos sustenta os preços por baixo. Esse estreitamento reduz o espaço para oscilações e costuma anteceder movimentos mais fortes de direção.
Para esta semana, o mercado permanece em compasso de espera pela Superquarta, quando Fed e Copom divulgarão suas decisões de juros. Esses eventos podem ser o catalisador necessário para que o índice defina sua próxima direção.
Assim, um rompimento da média curta pode abrir espaço para uma recuperação mais consistente. Já a perda da média de 200 períodos recolocaria pressão vendedora sobre o mercado. No momento, o cenário segue de indefinição no curto prazo, com o Ibovespa preso entre suportes e resistências dinâmicas.
Ouro (XAU/USD)

O ouro encontrou suporte na região dos 4.000 pontos, nível que já havia sido destacado como uma das principais referências gráficas do ativo. Após testar esse suporte, os compradores voltaram a atuar, formando um fundo relevante no curto prazo e interrompendo temporariamente a sequência de mínimas descendentes.
Apesar da recuperação recente, a estrutura principal ainda permanece dentro de um triângulo descendente. O padrão é caracterizado por topos cada vez mais baixos e por uma linha de tendência de baixa que limita os avanços desde fevereiro. Enquanto essa região não for superada, o padrão segue válido e exige atenção.
Para esta semana, o ativo ganha um componente adicional de leitura com a redução das tensões no Oriente Médio. Caso o cenário geopolítico continue evoluindo positivamente e os mercados interpretem a Superquarta de forma favorável, o ouro pode ganhar força para ampliar a recuperação e buscar a linha de tendência que limita os preços.
No curto prazo, o suporte em 4.000 pontos segue como principal nível de defesa dos compradores. Acima dele, o ativo mantém a possibilidade de construir uma recuperação dentro da estrutura atual. O rompimento da linha de tendência de baixa seria o primeiro sinal técnico de fortalecimento mais consistente.
UR/USD

O par EUR/USD continua apresentando forte consolidação no gráfico diário. Nas últimas semanas, o ativo permaneceu oscilando dentro de um amplo retângulo, respeitando tanto a região de suporte quanto a de resistência, sem conseguir estabelecer uma tendência clara de curto ou médio prazo.
Durante a semana passada, o par voltou a negociar próximo da região central dessa estrutura, onde também se concentram as principais médias móveis. Esse comportamento reforça a ausência de direção predominante e demonstra equilíbrio entre compradores e vendedores, característica típica de mercados laterais.
Para esta semana, o cenário permanece praticamente inalterado. Enquanto o preço continuar dentro do retângulo, os movimentos tendem a apresentar menor previsibilidade e maior risco de falsos rompimentos. Por isso, o mais prudente é aguardar aproximações dos extremos da consolidação, onde a relação risco-retorno costuma ser mais favorável.
No momento, não há gatilho técnico que justifique uma leitura direcional mais forte. O foco segue no acompanhamento dos limites superior e inferior do retângulo, que continuam definindo a estrutura principal do ativo.
Conclusão
A semana começa com os mercados comprando a paz, mas a sustentabilidade desse movimento ainda será testada. O cenário de petróleo em queda e bolsas em alta reflete o alívio com o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã. No entanto, a direção dos mercados dependerá da implementação do acordo e da comunicação dos bancos centrais.
Além disso, Fed e Copom assumem protagonismo. As decisões de juros e, principalmente, o tom dos comunicados podem definir o comportamento de bolsas, dólar, juros e commodities nos próximos dias.
Portanto, o ambiente oferece oportunidades, mas exige cautela. Em semanas de alta concentração de eventos, a estratégia deve priorizar confirmação técnica, controle de risco e atenção aos principais suportes e resistências.
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