Panorama Macro da Semana
Petróleo a US$120 e guerra no Oriente Médio: inflação volta ao radar global

A nova semana começa com os mercados globais em forte estado de alerta. A escalada do conflito no Oriente Médio impulsionou o preço do petróleo para perto de US$120 por barril, reacendendo preocupações inflacionárias justamente quando os bancos centrais começavam a discutir o início de ciclos de cortes de juros.
O movimento ocorre em um momento particularmente delicado para a economia global. Nos Estados Unidos, o mercado foi surpreendido por um payroll muito mais fraco do que o esperado, indicando desaceleração no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, a alta das commodities energéticas ameaça reacender pressões inflacionárias.
Esse ambiente cria um dilema claro para as autoridades monetárias: estimular o crescimento ou conter a inflação. E essa decisão pode definir o rumo dos mercados nas próximas semanas.
🌍 Cenário Internacional
O principal fator de instabilidade vem da escalada do conflito envolvendo o Irã. A tensão geopolítica rapidamente se traduziu em forte alta no petróleo, elevando os riscos de um novo choque inflacionário global.
Embora o ataque não tenha sido exatamente inesperado, já que declarações recentes de Donald Trump vinham sinalizando o aumento das tensões, o impacto nos mercados foi imediato.
Mas o que realmente pegou os investidores de surpresa foi o payroll de fevereiro, que mostrou a criação de apenas 92 mil vagas, bem abaixo das expectativas. O dado mudou significativamente a leitura do cenário econômico nos Estados Unidos.
Com isso, o Federal Reserve passa a enfrentar um cenário mais complexo:
De um lado, o enfraquecimento do mercado de trabalho aumenta a pressão por estímulos.
De outro, a inflação ainda resiliente pode ganhar força novamente com o choque no petróleo.
Essa combinação eleva o risco de que a alta da energia volte a contaminar as expectativas inflacionárias, justamente no momento em que o mercado começava a discutir quando o Fed poderia iniciar um ciclo de cortes de juros.
Nesta semana, dois indicadores serão decisivos para calibrar essas expectativas:
CPI (quarta-feira)
PCE (sexta-feira)
Ambos serão analisados com grande atenção para avaliar se a inflação continua desacelerando ou se a alta do petróleo começa a aparecer nos dados.
🇧🇷 Cenário Doméstico
No Brasil, o impacto do cenário externo também foi imediato.
A escalada das tensões no Oriente Médio e a disparada do petróleo praticamente retiraram do radar a possibilidade de um corte de 0,5 ponto percentual na Selic na reunião do Copom do dia 18.
Agora, o mercado passa a considerar três cenários:
corte mais cauteloso de 0,25 ponto
manutenção dos juros
ou sinalização de postura mais conservadora do Banco Central
Quando o BC indicou em janeiro a possibilidade de iniciar o afrouxamento monetário, o ambiente internacional era muito mais favorável. A guerra e o choque nas commodities mudaram completamente esse equilíbrio.
A semana também traz dados importantes da economia brasileira:
IPCA de fevereiro (quinta-feira)
Vendas no varejo
Pesquisa mensal de serviços
Além da agenda econômica, o mercado acompanha desdobramentos políticos, incluindo o caso envolvendo o Banco Master e a repercussão da nova pesquisa Datafolha, que pode trazer novos sinais sobre o cenário eleitoral.
Análises Técnicas
S&P 500

O principal índice americano perdeu o suporte da zona de consolidação e inicia a semana em forte queda, refletindo o aumento da aversão ao risco global.
O próximo suporte relevante está na média móvel de 200 períodos no gráfico diário, seguido pelo suporte anterior próximo dos 6.550 pontos. A perda dessas regiões pode intensificar o movimento corretivo.
Ibovespa

O Ibovespa rompeu a linha de tendência de baixa na semana passada, mas passou por correção até a região dos 180 mil pontos, nível que voltou a atuar como suporte importante.
Nesta segunda-feira o índice confirma o rompimento, sendo sustentado pela média móvel de 50 períodos do gráfico diário. Caso perca essa região, o próximo alvo de correção pode aparecer próximo dos 165 mil pontos.
Apesar da volatilidade, as tendências primária e secundária ainda permanecem de alta, e uma recuperação acima dos 180 mil pontos pode abrir espaço para retomada gradual do movimento positivo.
Ouro (XAU/USD)

O ouro não conseguiu sustentar as máximas recentes e entrou em um movimento de consolidação de curto prazo, refletindo a indecisão dos investidores sobre o papel do ativo como proteção neste momento.
Ao mesmo tempo, uma nova linha de tendência de alta continua pressionando o ativo para cima, mantendo a estrutura altista.
Caso ocorra o rompimento da região de consolidação atual, o movimento pode configurar um pullback clássico, abrindo espaço para novas máximas.
EUR/USD

O par euro/dólar segue em movimento de baixa dentro de uma ampla zona de consolidação de longo prazo.
A aproximação da média móvel de 200 períodos do gráfico diário das demais médias reforça o cenário de compressão e indecisão no par.
O movimento atual sugere a possibilidade de teste do fundo da faixa de consolidação, região que pode representar um ponto estratégico para a montagem de posições.
Conclusão
A combinação de choque geopolítico, petróleo em forte alta e sinais de desaceleração econômica nos Estados Unidos cria um ambiente de elevada incerteza para os mercados.
Os próximos dados de inflação nos EUA serão decisivos para definir o ritmo da política monetária global. Ao mesmo tempo, o Brasil entra em uma semana crucial com a divulgação do IPCA e expectativas crescentes sobre a decisão do Copom.
Em momentos como este, a palavra-chave para os investidores tende a ser cautela. O cenário ainda oferece oportunidades, mas a volatilidade deve permanecer elevada enquanto o mercado tenta calibrar os efeitos da guerra, da inflação e das decisões dos bancos centrais.
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