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Taxa Selic hoje, inflação surpreendendo, Ibovespa disparando e mercado volta a apostar em corte dos juros

A divulgação de novos indicadores econômicos mudou as expectativas do mercado sobre a taxa Selic hoje e trouxe um cenário mais favorável para os ativos de risco. Entre os principais destaques da semana estão:
a inflação americana registrou a primeira queda em seis anos;
o IPCA brasileiro ficou muito abaixo das expectativas;
o Ibovespa avançou quase 3% em um único pregão;
os grandes bancos americanos iniciaram uma temporada positiva de resultados;
o FMI manteve uma perspectiva favorável para a economia mundial;
enquanto isso, a guerra entre Estados Unidos e Irã voltou a elevar as tensões geopolíticas.
Diante desse novo cenário, investidores passaram novamente a considerar a possibilidade de redução dos juros no Brasil. Afinal, uma inflação mais controlada pode abrir espaço para que o Banco Central reveja a taxa Selic hoje e avalie novos cortes nos próximos meses.
No novo episódio do Panorama Macro Global, da ZERO Markets Brasil, o trader e analista convidado Rodrigo Cohen explicou que, apesar dos riscos internacionais, os indicadores recentes começaram a favorecer os mercados.
Além disso, Cohen destacou que o cenário atual reforça a expectativa de queda dos juros brasileiros e de maior estabilidade na política monetária dos Estados Unidos.
“O cenário continua delicado, mas alguns dos principais indicadores econômicos começaram finalmente a jogar a favor dos mercados.”
Deflação nos Estados Unidos reduz pressão sobre os juros e impacta na taxa selic hoje

O principal destaque do cenário internacional foi a divulgação do CPI, índice que mede a inflação ao consumidor nos Estados Unidos. Segundo Rodrigo Cohen, os dados de junho trouxeram sinais mais favoráveis para os mercados:
o país registrou a primeira deflação mensal desde 2020;
o núcleo da inflação ficou em 2,8%;
o resultado veio abaixo das expectativas dos analistas.
Com a inflação americana mostrando sinais de controle, membros do Federal Reserve passaram a indicar uma redução no risco de novas altas dos juros nos Estados Unidos.
Além disso, esse cenário internacional mais favorável também influencia as expectativas sobre a taxa Selic hoje. Isso porque uma menor pressão inflacionária nos Estados Unidos pode reduzir a valorização do dólar e ampliar o espaço para cortes de juros no Brasil.
“O risco de novas altas de juros diminuiu bastante.”
Kevin Warsh mantém discurso firme
Mesmo com a melhora da inflação, o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, manteve um discurso considerado duro.
Segundo Cohen, o objetivo continua sendo garantir estabilidade de preços antes de qualquer flexibilização monetária.
O mercado, porém, passou a enxergar menor probabilidade de novas altas de juros ao longo do ano.
Brasil surpreende com IPCA muito abaixo do esperado

No Brasil, o grande destaque foi o IPCA. O índice registrou:
alta de apenas 0,16%;
contra expectativa de 0,31%.
O resultado reforçou a percepção de desaceleração da inflação doméstica.
Como consequência:
o Ibovespa subiu quase 3%;
bancos avançaram mais de 4%;
construtoras também lideraram os ganhos.
"O mercado voltou a apostar com força em um novo corte da Selic já na reunião de agosto."
Selic pode voltar a cair
Segundo Cohen, a expectativa predominante é de redução da taxa básica de juros na próxima reunião do Copom.
O mercado trabalha com:
Selic atual em 14,25%;
possibilidade de queda para 14,00% em agosto.
No entanto, ele alerta que esse cenário depende diretamente da evolução da inflação e do comportamento do petróleo.
Guerra volta a preocupar

Após um breve período de redução das tensões, o conflito entre Estados Unidos e Irã voltou a ganhar intensidade. Segundo Cohen:
os confrontos escalaram pela terceira noite consecutiva;
novas negociações permanecem indefinidas;
Trump voltou a endurecer o discurso sobre o Irã.
"O mercado percebe rapidamente qualquer aumento da tensão geopolítica, principalmente através do petróleo."
Petróleo registra maior alta diária em seis anos
Com a retomada do conflito, o petróleo voltou a disparar.
Segundo Cohen:
foi registrada a maior alta diária em seis anos;
Petrobras foi uma das principais beneficiadas.
Ao mesmo tempo, ele alerta que petróleo elevado pode voltar a pressionar a inflação mundial.
Bancos americanos iniciam temporada forte de balanços
A temporada de resultados corporativos começou positiva nos Estados Unidos.
Entre os destaques:
Goldman Sachs avançou cerca de 9% após divulgar resultados;
JPMorgan e Bank of America também apresentaram números fortes, com altas superiores a 2%.
Os resultados reforçam a resiliência do setor financeiro americano mesmo em um ambiente de juros elevados.
FMI mantém projeções positivas
Outro ponto destacado foi a atualização das projeções do Fundo Monetário Internacional.
Segundo o FMI:
crescimento global de 2026 foi mantido em 3%;
projeção para 2027 foi revisada para cima.
Entre os fatores que sustentam esse cenário estão:
investimentos em inteligência artificial;
maior resiliência das economias diante dos conflitos geopolíticos.
Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros preocupa

No cenário doméstico, Cohen destacou a expectativa em torno da definição das tarifas americanas sobre produtos brasileiros.
Segundo ele:
o mercado ainda aposta em um acordo;
por isso, parte do cenário positivo já está refletida nos preços dos ativos.
Entretanto, caso a tarifa de 25% seja mantida, o impacto pode ser significativamente mais negativo para o Brasil do que para os Estados Unidos.
"O mercado precificou o melhor cenário. Se vier uma decisão pior, o ajuste pode ser rápido."
Dólar cai e Bolsa ganha força
Com a combinação de inflação mais baixa e expectativa de queda dos juros, o mercado brasileiro apresentou melhora significativa.
Os destaques foram:
dólar recuando para R$ 5,07, menor nível em aproximadamente um mês;
Ibovespa alcançando 176 mil pontos, maior patamar desde maio;
melhora nas perspectivas para bancos e construtoras.
Resumo do cenário global
Segundo Rodrigo Cohen, o mercado vive um momento de equilíbrio entre fatores positivos e riscos importantes.
Entre os principais destaques da semana:
inflação americana surpreendeu positivamente;
inflação brasileira veio abaixo das expectativas;
mercado voltou a apostar em corte da Selic;
bancos americanos iniciaram uma forte temporada de resultados;
guerra no Oriente Médio voltou a pressionar o petróleo;
FMI manteve projeções otimistas para o crescimento global;
investidores aguardam a definição das tarifas comerciais envolvendo Brasil e Estados Unidos.
Conclusão: o que pode influenciar a taxa Selic hoje?
Para Rodrigo Cohen, a melhora recente dos indicadores econômicos trouxe um ambiente mais favorável para os mercados. No entanto, os riscos políticos e geopolíticos ainda permanecem como os principais fatores de incerteza.
De um lado, a inflação começa a apresentar sinais positivos tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Esse movimento pode fortalecer as expectativas de redução da taxa Selic hoje e diminuir a pressão por novas altas dos juros americanos.
Por outro lado, decisões relacionadas à guerra entre Estados Unidos e Irã, às negociações comerciais e ao comportamento do petróleo ainda podem mudar rapidamente as projeções para inflação, câmbio e juros.
Por isso, embora os fundamentos econômicos tenham melhorado, o mercado continua sensível às decisões políticas e aos acontecimentos internacionais.
“O mercado melhorou bastante nas últimas semanas, mas ainda depende muito mais das decisões políticas e geopolíticas do que dos próprios fundamentos econômicos.”
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