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Rodrigo Cohen analisa cenário global: CPI nos EUA, PIB fraco no Japão e fluxo estrangeiro sustentando a Bolsa brasileira

O mercado financeiro global inicia a semana sob um ambiente de transição macroeconômica. Nos Estados Unidos, o CPI (Consumer Price Index) veio abaixo do esperado, reforçando a narrativa de desinflação gradual. No Japão, o PIB decepcionou, indicando desaceleração econômica relevante. No Brasil, o forte fluxo estrangeiro segue sendo o principal vetor de sustentação da Bolsa.
Para Rodrigo Cohen, trader profissional e analista convidado da Zero Markets Brasil, o momento exige leitura integrada entre macroeconomia, fluxo de capital e análise técnica.
Estados Unidos: CPI abaixo do esperado reforça expectativa sobre juros
O CPI americano veio ligeiramente abaixo das projeções, indicando arrefecimento na inflação ao consumidor. O dado fortalece a percepção de que o Federal Reserve pode iniciar ou intensificar cortes de juros ao longo do ano, caso a tendência de desaceleração se confirme.
Segundo o FedWatch da CME, o mercado precifica alta probabilidade de manutenção dos juros na próxima reunião, mas já considera ao menos uma ou duas reduções até o fim do ciclo.

Ainda nesta semana, a divulgação do PCE (Personal Consumption Expenditures), indicador preferido do Fed, pode alterar as expectativas.
“O mercado não reage apenas ao número divulgado. Ele reage ao que acredita que o Fed fará com esse número”, destaca Cohen.
Nos principais índices americanos, o cenário é de consolidação. O S&P 500 opera dentro de um range técnico de aproximadamente 3%, enquanto o Dow Jones mantém estrutura de alta. Já o Nasdaq acumula correção mais expressiva, refletindo ajuste no setor de tecnologia e empresas ligadas à inteligência artificial.
Japão: PIB fraco pressiona mercado, mas política monetária pode inverter leitura
No Japão, o PIB abaixo do esperado trouxe preocupação quanto ao ritmo de crescimento da terceira maior economia do mundo.
O índice JP225 iniciou movimento de realização após ter atingido máximas históricas no ano anterior. Entretanto, Cohen faz um alerta sobre a complexidade da leitura fundamentalista isolada.

“Um PIB fraco pode gerar estímulo fiscal ou monetário. E o mercado sobe antes da melhora aparecer nos dados oficiais.”
A expectativa agora recai sobre possíveis ações do Banco do Japão, especialmente no campo de política monetária, que podem redefinir o movimento nas próximas semanas.
Brasil: fluxo estrangeiro é o principal motor
No mercado brasileiro, o fator determinante continua sendo o fluxo de capital internacional.
Entraram aproximadamente US$ 30 bilhões no primeiro mês e uma semana do ano, volume superior ao registrado em todo o ano anterior. Esse movimento tem sustentado o Ibovespa mesmo diante de sinais técnicos mistos.

No gráfico diário, o índice formou um martelo após queda pré-feriado, sugerindo possível continuidade de alta caso haja rompimento de resistência. Já no gráfico semanal, três pavios superiores consecutivos e a possível formação de uma cunha ascendente indicam que o mercado pode enfrentar uma correção técnica no curto prazo.
“Enquanto o fluxo continuar entrando, a tendência estrutural permanece construtiva”, afirma Cohen.
Dólar, ouro e petróleo no radar
O dólar futuro no Brasil permanece lateralizado, refletindo equilíbrio entre fluxo externo e expectativa de política monetária nos Estados Unidos.
O índice DXY testa a média móvel de 200 períodos no gráfico diário, região tecnicamente relevante.

O ouro, após realização recente de cerca de 6%, mantém tendência estrutural de alta no gráfico semanal, sendo favorecido por incertezas geopolíticas e demanda por proteção.

O petróleo Brent voltou a subir após romper e retestar a média móvel de 200 períodos. Movimentações estratégicas dos Estados Unidos no Oriente Médio adicionam componente geopolítico que pode impactar a commodity nas próximas semanas.

Bitcoin: correção pode representar ajuste saudável
O Bitcoin segue em movimento corretivo no curto prazo, formando topos descendentes no gráfico diário e testando região técnica importante no gráfico semanal.

Rodrigo Cohen projeta possível teste da faixa entre US$ 35 mil e US$ 40 mil, região que poderia representar ponto estratégico de acumulação no longo prazo, caso confirmada estabilização técnica.
Conclusão
O cenário atual combina:
Desinflação gradual nos EUA (CPI abaixo do esperado)
PIB fraco no Japão
Forte fluxo de capital para o Brasil
Tensões geopolíticas impactando commodities
Correção técnica em ativos de risco como Bitcoin
Para Rodrigo Cohen, o investidor deve entender que mercado é antecipação.
“Os preços se movem pela expectativa da próxima decisão — não pelo dado isolado.”
Em um ambiente de transição macroeconômica, disciplina, gestão de risco e leitura de fluxo continuam sendo determinantes para navegar a volatilidade.
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