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Payroll surpreende, inflação americana alivia e mercado volta atenções para a Super Quarta

A economia americana voltou ao centro das atenções nesta semana, principalmente após uma sequência de dados que aumentou a volatilidade nos mercados globais. De um lado, o Payroll surpreendeu positivamente, com a criação de empregos muito acima das expectativas. Esse resultado reforçou a percepção de que o mercado de trabalho dos Estados Unidos segue aquecido, o que poderia manter a pressão sobre a política monetária americana.
Por outro lado, o núcleo da inflação americana veio mais comportado. Com isso, parte dos temores sobre uma nova alta de juros nos Estados Unidos perdeu força, trazendo alívio momentâneo aos investidores. Na prática, esse contraste entre emprego forte e inflação americana mais controlada passou a influenciar diretamente as apostas do mercado sobre os próximos passos do Federal Reserve.
A análise foi apresentada por Rodrigo Cohen, analista convidado, no Panorama Macro Global da Zero Markets Brasil.
Payroll esmaga expectativas
O principal destaque da semana foi o relatório de empregos dos Estados Unidos. Segundo os dados divulgados:
Foram criadas 172 mil vagas de trabalho.
O consenso de mercado esperava apenas 85 mil vagas.
O resultado mostrou uma economia americana muito mais resiliente do que o esperado.
Inicialmente, o número elevou os receios de que o Federal Reserve pudesse adotar uma postura mais dura em relação aos juros.

Núcleo da inflação americana traz alívio
Se o Payroll assustou, o CPI divulgado nesta quarta-feira trouxe uma leitura mais tranquila. O índice cheio veio exatamente dentro das projeções:
Inflação anual: 4,2%.
Mas o destaque ficou para o núcleo da inflação (Core CPI):
Crescimento mensal de 0,2%.
Mercado esperava 0,3%.
Segundo Cohen, esse foi o dado mais importante da divulgação, pois sugere desaceleração inflacionária sem necessidade imediata de novos aumentos de juros.

Fed ganha espaço para manter juros
Com o núcleo da inflação mais comportado, o mercado passou a enxergar menor pressão sobre o Federal Reserve. Na visão apresentada por Cohen:
O cenário atual favorece manutenção dos juros.
Uma alta de juros perdeu força após os dados da inflação.
Ainda assim, o mercado continua sem enxergar cortes relevantes no curto prazo.
A próxima decisão do Fed ocorrerá na próxima semana e seguirá sendo o principal evento macroeconômico do mês.
Guerra continua dominando os mercados
Apesar dos dados econômicos, o principal fator de risco segue sendo o conflito envolvendo Irã e Estados Unidos. Segundo a análise:
O Irã derrubou um helicóptero norte-americano.
O governo americano endureceu o discurso.
O Estreito de Hormuz continua parcialmente bloqueado.
O mercado ainda não vê perspectiva clara de acordo.
Para Cohen, a guerra continua sendo o maior vetor de volatilidade para ativos globais.

Dólar dispara após os dados
O fortalecimento da economia americana fez o dólar ganhar força globalmente. Os efeitos observados foram:
Valorização do índice DXY.
Pressão sobre moedas emergentes.
Real perdendo força frente ao dólar.
Dólar chegando à região de R$ 5,19.
Segundo Cohen, o movimento foi impulsionado principalmente pelo Payroll acima das expectativas.
Ibovespa sofre com saída de capital
O mercado brasileiro também sentiu os efeitos do ambiente internacional. Segundo a análise:
O Ibovespa acumulou cinco sessões consecutivas de queda.
O índice caiu para a região de 168 mil pontos.
Vale, Petrobras e bancos lideraram parte das perdas.
Além do fortalecimento do dólar, o movimento reflete a redução do apetite global por ativos de risco.

Super Quarta será decisiva
A próxima semana promete ser uma das mais importantes do ano para os mercados. No mesmo dia teremos:
Brasil
Decisão do Copom sobre a taxa Selic.
Estados Unidos
Decisão do Federal Reserve sobre os juros americanos.
Segundo Cohen, mais importante que a decisão em si será o tom dos comunicados divulgados pelos bancos centrais.

Banco Central brasileiro pode cortar juros
O mercado continua trabalhando com expectativa de:
Corte de 0,25 ponto percentual na Selic.
Porém, o grande debate é o que acontecerá depois. Segundo Cohen:
Se o Banco Central sinalizar continuidade dos cortes, o mercado pode reagir positivamente.
Se indicar interrupção do ciclo, a reação pode ser mais negativa.
A comunicação da autoridade monetária será fundamental.
SpaceX prepara IPO bilionário
Outro assunto que movimentou o mercado foi a confirmação do prospecto de IPO da SpaceX. Segundo a análise:
O valuation estimado está entre US$ 350 bilhões e US$ 400 bilhões.
A listagem está entre as mais aguardadas dos últimos anos.
Investidores brasileiros poderão acessar as ações por meio de corretoras internacionais ou futuramente via BDRs.

Apple Intelligence também chamou atenção
A semana também foi marcada pelo evento da Apple. A companhia apresentou avanços em sua estratégia de inteligência artificial por meio do Apple Intelligence 2.0, gerando reação positiva nas ações da empresa.

Europa e Japão seguem no radar
Na Europa, o Banco Central Europeu ainda mantém espaço para futuras reduções de juros, especialmente se os preços de energia continuarem estáveis. Esse movimento é importante porque a energia tem peso direto sobre a inflação no continente e pode influenciar as próximas decisões de política monetária.
Além disso, em um cenário em que os investidores acompanham de perto a inflação americana e os juros nos Estados Unidos, qualquer sinal de alívio na Europa também ganha relevância para os mercados globais.
Enquanto isso, no Japão, a bolsa japonesa segue próxima das máximas históricas, mesmo diante de um cenário global turbulento. Esse desempenho demonstra a resiliência do mercado japonês em meio às tensões geopolíticas, à desaceleração global e às incertezas sobre os próximos passos dos principais bancos centrais.
Na prática, enquanto parte do mercado ainda reage aos dados da inflação americana e às expectativas para os juros nos Estados Unidos, o Japão continua chamando atenção pela força dos seus ativos e pela capacidade de sustentar ganhos mesmo em um ambiente externo mais desafiador.

O que acompanhar agora?
Segundo Rodrigo Cohen, os principais fatores para os próximos dias serão:
✅ Decisão de juros do Fed
✅ Decisão de juros do Copom
✅ Evolução da guerra entre Estados Unidos e Irã
✅ Comportamento do dólar globalmente
✅ Reação das bolsas após a Super Quarta
✅ Impactos do IPO da SpaceX no mercado de tecnologia
Inflação americana, juros e guerra: o equilíbrio delicado que pode definir os mercados
O mercado entrou em uma fase delicada de equilíbrio, marcada por sinais mistos na economia global. De um lado, a economia americana continua forte, sustentada por um mercado de trabalho aquecido e por dados de atividade que ainda mostram resistência. Esse cenário reforça a percepção de que os Estados Unidos seguem em ritmo sólido, mesmo após um longo ciclo de juros elevados.
Por outro lado, a inflação americana ainda exige atenção. Embora alguns indicadores tenham vindo mais comportados, os investidores seguem cautelosos, já que qualquer nova pressão nos preços pode mudar as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve.
Além disso, a guerra continua pressionando ativos globais, aumentando a busca por proteção e elevando a incerteza nos mercados. Nesse contexto, os bancos centrais enfrentam decisões cada vez mais difíceis, tentando equilibrar crescimento econômico, inflação e estabilidade financeira.
Para Rodrigo Cohen, a próxima semana pode ser decisiva para definir a direção dos mercados no restante do trimestre, especialmente em um ambiente onde a inflação americana, os juros nos Estados Unidos e os riscos geopolíticos continuam no centro das atenções. Se gostou deste conteúdo, você pode gostar também dele detalhado pelo analista convidado no nosso canal do Youtube. Confira!
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