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Dados de emprego americano acima do esperado pressionam bolsas, enquanto Ibovespa acumula 11 altas seguidas

Os mercados globais entram na segunda semana de setembro com sinais mistos e, sobretudo, com forte sensibilidade aos próximos dados econômicos e aos desdobramentos geopolíticos. Nesse cenário, o payroll dos Estados Unidos volta ao centro das atenções dos investidores por seu impacto direto sobre as expectativas para juros, inflação e comportamento das bolsas.
Nos Estados Unidos, os dados do payroll e do mercado de trabalho vieram acima do esperado. Como consequência, as bolsas sofreram pressão, enquanto o dólar reagiu diante da possibilidade de que os juros americanos permaneçam elevados por mais tempo.
No Brasil, porém, o movimento foi diferente. O Ibovespa seguiu na direção oposta aos mercados internacionais e acumulou 11 pregões consecutivos de alta, impulsionado, entre outros fatores, pela aproximação das eleições e pela melhora recente do fluxo de capital para os ativos locais.
Além disso, os efeitos do payroll sobre o mercado financeiro não se limitam às bolsas americanas. Dados de emprego mais fortes podem influenciar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve, alterar o comportamento do dólar e dos juros e, consequentemente, provocar movimentos em ativos como Ibovespa, Bitcoin, ouro e petróleo.
No novo Panorama Macro Global da Zero Markets Brasil, o trader e analista convidado Rodrigo Cohen avalia que a combinação entre payroll forte, expectativas para os juros nos Estados Unidos, tensões geopolíticas, petróleo e cenário eleitoral brasileiro pode definir os próximos movimentos dos mercados.
“Emprego forte parece uma boa notícia, mas para o mercado financeiro pode significar inflação mais resistente e juros altos por mais tempo.”
Dados de emprego americano pode significar juros altos por mais tempo
O raciocínio passa diretamente pelo mercado de trabalho americano. Quando a criação de vagas vem acima do esperado, a leitura inicial é de uma economia forte. Mas existe um segundo efeito.
Mais emprego significa mais renda disponível, maior consumo e potencial pressão sobre preços. Se a inflação volta a ganhar força, o Federal Reserve pode ter menos espaço para reduzir juros ou até precisar manter uma política monetária mais restritiva.
Com juros mais altos, os títulos do Tesouro americano ficam mais atraentes e parte do capital pode sair de bolsas e mercados emergentes para buscar retorno nos Estados Unidos.
S&P 500 entra em fase mais lateral

Depois de sucessivas máximas históricas, o S&P 500 perdeu força. Na análise apresentada por Cohen, o índice passou a trabalhar dentro de uma faixa aproximada entre 7.637 e 7.750 pontos.
A tentativa de renovar máximas no fim de agosto não encontrou força suficiente e, nas sessões seguintes, o índice voltou a recuar. Além dos dados econômicos, o mercado voltou a incorporar maior risco geopolítico diante de novos episódios envolvendo Estados Unidos e Irã.
Para Cohen, o resultado é um ambiente mais instável e menos direcional.
Nasdaq mostra comportamento diferente
O Nasdaq, por outro lado, conseguiu apresentar desempenho melhor. Segundo Cohen, o índice acumulou três sessões consecutivas de alta, embora os últimos candles tenham mostrado pavios superiores, sinalizando dificuldade em sustentar preços mais elevados.
Esse comportamento sugere uma divergência importante entre os grandes índices americanos. Enquanto o S&P demonstra maior pressão, o Nasdaq ainda tenta manter força.

Ibovespa acumula 11 pregões consecutivos de alta
O grande destaque positivo do período está no Brasil. O Ibovespa registrou uma sequência de 11 pregões consecutivos de valorização, repetindo uma sequência semelhante observada entre o fim de março e meados de abril.
Durante esse movimento, chegou a testar a região dos 188.815 pontos, mas encontrou resistência e devolveu parte da alta. Na sessão seguinte, formou um doji, candle geralmente associado a indecisão.
Mesmo assim, Cohen mantém, por enquanto, uma leitura mais positiva para a Bolsa brasileira.
“A expectativa continua sendo de manutenção da alta, mas agora a volatilidade eleitoral começa a pesar cada vez mais.”

Eleição entra definitivamente no radar
Com aproximadamente um mês até as eleições, o cenário político começa a influenciar diretamente o comportamento do mercado.
Segundo Cohen, candidatos percebidos como mais favoráveis ao mercado tendem a provocar reações positivas nos ativos quando melhoram nas pesquisas, enquanto movimentos contrários podem gerar pressão sobre a Bolsa.
Além disso, questões institucionais e decisões do STF também podem aumentar a volatilidade. Para o analista, o desafio agora é separar o movimento estrutural de valorização do ruído político crescente.
Alemanha devolve parte da alta
Na Europa, o DAX tentou retomar uma trajetória positiva depois de uma correção, mas devolveu boa parte do movimento.
Segundo a leitura apresentada, a intensificação das tensões geopolíticas e novos problemas envolvendo o Estreito de Hormuz voltaram a pressionar o mercado alemão.
Nos últimos pregões, porém, o índice voltou a demonstrar alguma recuperação. Mesmo assim, Cohen considera o mercado europeu ainda bastante lateral e difícil de projetar.

Ouro volta para a média de 200
O ouro também entrou em uma região técnica importante. Depois de uma valorização relevante, o metal voltou a encostar na média móvel de 200 períodos.
Para Cohen, essa média funciona como uma espécie de zona de equilíbrio bastante observada por investidores. Enquanto o ouro permanecer acima dela, o viés continua mais positivo. Mas o momento é de compressão.
“O mercado contrai e expande. Agora o ouro está contraído próximo da média de 200. Em algum momento vai sair forte para um dos lados.”
Segundo Cohen, o ouro continua sendo um ativo importante de proteção, embora a decisão de exposição dependa do perfil de risco de cada investidor.

Dólar reage ao Payroll, mas menos do que o esperado
O comportamento do dólar também chamou atenção. Na quinta-feira, o DXY apresentou uma queda relevante e perdeu sua média móvel de 200 períodos.
Na sexta-feira, após os dados de emprego, recuperou parte das perdas, mas menos do que Cohen esperava diante da força do Payroll. Para ele, a reação relativamente contida mostra que o mercado ainda não possui uma leitura completamente definida sobre juros e risco.
Caso o ambiente volte a favorecer ativos mais arriscados, o dólar pode continuar pressionado.

Japão segue sem direção clara
O Nikkei, no Japão, permanece lateral. Depois de uma forte valorização entre março e junho, o índice perdeu direção e passou a oscilar sem tendência clara. Cohen prefere não estabelecer uma projeção para o momento.
“Foi um investimento interessante nos últimos meses, mas agora está muito lateral. Não tenho opinião formada sobre o próximo movimento.”

Petróleo volta a subir com tensão geopolítica
A volta das tensões no Oriente Médio trouxe novamente o petróleo para o centro das atenções.
Segundo Cohen, o Brent formou uma estrutura técnica de continuação de alta e pode inicialmente buscar o fechamento de um gap próximo de US$ 98,45.
Caso a guerra volte a se intensificar, o analista não descarta uma tentativa de buscar novamente a região de US$ 112 a US$ 114. O problema é o efeito dessa alta sobre a economia global.
Petróleo mais caro aumenta custos de transporte e produção, pode pressionar a inflação e reduzir o espaço dos bancos centrais para cortar juros.
“Petróleo subindo é ruim para a economia mundial porque pode trazer inflação de volta e obrigar os juros a permanecerem altos.”

Bitcoin volta a mostrar microestrutura de baixa
O Bitcoin também entrou em uma região decisiva. Depois de uma forte recuperação, o ativo chegou a uma área de resistência identificada por Cohen como order block, próxima das máximas anteriores.
As notícias sobre possíveis compras de Bitcoin pelo governo americano ajudaram no movimento de valorização, mas o Payroll forte voltou a pressionar o ativo.
Segundo Cohen, o Bitcoin começou a apresentar uma microestrutura de baixa. O nível mais importante no curto prazo está próximo de: US$ 75.600. Se perder essa região, o próximo teste pode ocorrer na média móvel de 200 períodos. E, caso essa média também seja perdida, Cohen considera possível uma volta às mínimas do ano.

Segunda semana de setembro pode definir direção
A fotografia atual dos mercados é de divergência.
S&P 500 perde força.
Nasdaq ainda resiste.
Ibovespa acumula uma sequência rara de 11 altas.
Ouro trabalha próximo da média de 200.
Dólar reage com menos intensidade do que o esperado.
Petróleo volta a subir com a guerra.
E o Bitcoin ameaça perder uma região técnica importante.
Para Rodrigo Cohen, o principal ponto da semana é observar se o cenário de emprego forte nos Estados Unidos continuará pressionando a expectativa de juros — e como isso se combinará com a escalada geopolítica e a volatilidade pré-eleitoral no Brasil.
“A segunda semana de setembro começa com bastante coisa em jogo. O importante agora é acompanhar o que realmente está acontecendo nos preços e não apenas as manchetes.”
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