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NVIDIA explode receita enquanto inflação americana reacende

A NVIDIA registrou mais um resultado histórico e, ainda assim, essa não foi a maior notícia da semana para quem acompanha o mercado global de perto. Isso porque, paralelamente ao salto nos resultados da gigante dos semicondutores, a inflação nos Estados Unidos voltou a surpreender negativamente, o Federal Reserve passou por uma mudança de liderança em momento sensível e os juros americanos seguiram pressionados. 

Some-se a isso a indefinição no Oriente Médio e os sinais de deterioração no Brasil e o quadro que emerge é de instabilidade latente. Para Rodrigo Cohen, trader e analista convidado no panorama macro global da Zero Markets Brasil, não há como disfarçar: "Os mercados estão tentando fingir normalidade… Mas tem muita coisa fora do lugar.”


NVIDIA surpreende e IA continua dominando Wall Street


O principal destaque da semana veio da NVIDIA. A empresa reportou:

  • receita de US$ 81,6 bilhões;

  • alta anual de 85%;

  • lucro líquido de US$ 58,3 bilhões;

  • crescimento de 211% no lucro;

  • e demanda ainda extremamente forte por inteligência artificial.

Mesmo sem a China participando totalmente do jogo, a NVIDIA continua liderando o setor global de IA.

O segmento de data centers sozinho gerou:

  • US$ 75,2 bilhões em receita.

Além disso:

  • a companhia anunciou recompra de ações;

  • aumento de dividendos;

  • e reforçou o domínio da linha Blackwell.

Segundo Cohen:
“Os números da NVIDIA já saíram da realidade do investidor comum.”


Inflação americana assusta novamente

Enquanto Wall Street comemorava IA, a inflação voltou a preocupar.

O CPI americano:

  • bateu 3,8%;

  • maior nível desde maio de 2023.

Já o PPI (inflação ao produtor):

  • veio quase três vezes acima do esperado.

Resultado:

  • os yields americanos dispararam;

  • principalmente os títulos de 10 e 30 anos.

Os Treasuries de 30 anos chegaram a:

  • 5,13%;

  • maior patamar desde 2007.



Novo presidente do FED muda completamente o jogo

Outro evento extremamente importante:
Kevin Warsh assumiu oficialmente o comando do FED.

Segundo Cohen, o mercado agora começa a abandonar a narrativa de cortes rápidos de juros.

O novo chairman:

  • tem postura considerada mais “hawkish”;

  • ou seja, mais dura contra inflação.

E isso muda completamente o cenário de 2026.

“O mercado queria corte de juros. Agora começa a perceber que talvez não venha nada tão cedo.”


Mercado começa a questionar dívida americana

Para Cohen, o problema atual já vai além da inflação.

Segundo ele:

  • os yields altos começam a mostrar preocupação real com o tamanho da dívida americana;

  • hoje próxima de US$ 40 trilhões.

“O mercado começa a exigir juros maiores para financiar os Estados Unidos.”

Isso:

  • pressiona o governo americano;

  • aumenta custo da dívida;

  • e dificulta futuras quedas de juros.


Brasil entra em momento delicado

Enquanto isso, no Brasil:

  • o IBC-BR (prévia do PIB) caiu 0,7%;

  • pior resultado desde o início da guerra;

  • e o Boletim Focus voltou a elevar projeções de inflação.

O IPCA projetado agora:

  • sobe para 4,92%;

  • nona alta consecutiva.

Com isso:

  • o mercado já reduz apostas de corte na Selic;

  • e a expectativa agora é de juros em 13,25% até o final do ano.


Ibovespa devolve parte da alta

Depois de meses de forte valorização, o Ibovespa entrou em correção.

Segundo Cohen:

  • o Brasil vinha sendo um dos melhores mercados emergentes do mundo;

  • mas o investidor estrangeiro começou a realizar lucros.

A combinação:

  • inflação elevada;

  • juros altos nos EUA;

  • guerra;

  • e desaceleração da atividade brasileira;

faz o capital internacional voltar para ativos mais seguros.

“O dinheiro começa a sair do Brasil e voltar para os títulos americanos.”


Guerra continua pressionando petróleo e inflação

No Oriente Médio:

  • a guerra já ultrapassa 80 dias;

  • sem acordo definitivo;

  • e com o Estreito de Hormuz ainda parcialmente travado.

Segundo Cohen:

  • normalmente passam cerca de 300 navios por dia pela região;

  • hoje, em alguns momentos, apenas um navio/dia cruza a rota.

Isso:

  • pressiona petróleo;

  • aumenta custos globais;

  • e mantém a inflação mundial viva.

O petróleo Brent:

  • segue acima de US$ 90;

  • enquanto o WTI volta a testar US$ 100


Mercado vive momento de “Risk Off”

O movimento atual mostra forte aumento de aversão ao risco.

Segundo Cohen:

  • investidores vendem bolsa;

  • compram Treasuries;

  • fortalecem o dólar;

  • e buscam proteção.

Esse movimento:

  • já começa a pressionar bolsas globais;

  • inclusive mercados emergentes como o Brasil.


Europa e Japão seguem caminhos diferentes

Enquanto a Europa:

  • ainda depende fortemente do comportamento da guerra;

  • e teme inflação energética;

o Japão surpreendeu:

  • com PIB acima do esperado;

  • mostrando recuperação econômica mais forte.


Resumo do cenário global

Segundo Rodrigo Cohen, o mercado vive hoje uma mistura extremamente difícil:

  • inflação ainda alta;

  • juros elevados;

  • guerra prolongada;

  • petróleo pressionado;

  • e dívida americana crescendo.

Ao mesmo tempo:

  • IA continua impulsionando tecnologia;

  • enquanto o resto do mercado começa a perder força.


Conclusão

Três forças seguem no centro do radar de qualquer investidor com visão global: uma inflação americana que se recusa a ceder, juros que resistem à queda e um conflito geopolítico que ainda não encontrou saída. Em paralelo, o mercado continua operando com uma aparente tranquilidade que, para analistas atentos, levanta mais dúvidas do que respostas.

Rodrigo Cohen resume com precisão o que esse cenário representa: "Às vezes o mercado não sobe porque está saudável. Ele sobe porque ainda não percebeu o tamanho do problema."

Compreender essa distinção, entre alta sustentável e alta por distração, pode ser o diferencial entre uma carteira protegida e uma exposição que o investidor ainda não dimensionou.

Aprofunde sua leitura de mercado. Assista ao panorama macro global completo com Rodrigo Cohen no canal da ZERO Markets Brasil e saia na frente com informação de qualidade.


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