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Mercados Globais: Ouro Dispara, Bitcoin Reage e Ibovespa em Máximas

A análise semanal mostra volatilidade intensa nos mercados globais, com ativos de proteção em alta e decisões cruciais no horizonte. Além disso, vale destacar que, na semana seguinte, haverá feriado de Carnaval no Brasil, o que pode afetar a liquidez e o comportamento dos mercados locais.
A semana que se encerrou trouxe, sem dúvida, uma verdadeira montanha-russa de emoções para investidores ao redor do mundo. O Rodrigo Cohen, trader profissional e analista convidado da ZERO Markets Brasil (CNPI-6520), destaco os principais movimentos que definiram os mercados neste período, marcado por tensões geopolíticas, expectativas em torno da política monetária e sinais técnicos relevantes em diversos ativos.
Ouro: O refúgio que voltou com força
O grande destaque da semana ficou, indiscutivelmente, com o ouro, que disparou praticamente 6% em meio às crescentes tensões de guerra no cenário global. Esse movimento se tornou ainda mais expressivo quando analisado em perspectiva: na semana anterior, o metal precioso havia sofrido um sell-off intenso, com queda de 7,7%.
Agora, em um movimento quase matemático, o ouro recuperou exatamente o mesmo percentual perdido, eliminando completamente a queda da semana passada. “É aquela sensação de déjà vu”, observa Cohen, ao se referir ao padrão recorrente de quedas acentuadas seguidas de recuperações igualmente fortes.
Sob o ponto de vista técnico, o ouro formou um padrão gráfico bastante construtivo. Após registrar um topo, seguido de um fundo, voltou a testar máximas com um fundo mais alto, uma configuração clássica de continuidade de tendência de alta. Dessa forma, a projeção técnica indica a busca por novos topos, desde que o ativo não perca o suporte do fundo anterior, o que poderia levá-lo novamente à média móvel de 200 períodos.

Dólar: Forças opostas em jogo
O índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de moedas, apresentou um comportamento particularmente interessante. Depois de formar um pavio de recuperação de 1,5% na semana anterior, um movimento relevante para uma moeda,, nesta última semana voltou a ensaiar uma recuperação, caminhando possivelmente em direção à média móvel de 200.

Cohen explica a dinâmica complexa que envolve o dólar: “Tanto o ouro quanto o dólar são ativos de segurança. Além disso, o dólar está muito atrelado à economia norte-americana. Se existe pressão para queda via juros ou por declarações de Trump querendo tornar o dólar mais competitivo, ele tende a cair. Por outro lado, quando há tensão geopolítica, guerra, instabilidade e medo, o dólar costuma subir junto com o ouro.”
Petróleo: Volatilidade sem direção
O petróleo Brent, por sua vez, manteve-se praticamente estável na semana, embora com volatilidade significativa. Ao longo do período, chegou a subir 2,5% e, em outro momento, caiu 3,6%, encerrando a semana sem grandes alterações no preço.

Operando abaixo da média móvel de 200 períodos, o petróleo segue, sobretudo, à mercê do principal driver do momento: a tensão entre Estados Unidos e Irã. “Agora, é aguardar os próximos capítulos”, pondera Cohen.
Bitcoin: O ponto nevrálgico da semana
O Bitcoin foi, sem dúvida, um dos grandes protagonistas do debate da semana. Após cair 8,6% no período, o ativo testou exatamente a região dos US$ 60 mil, patamar que representa a mínima de 2024. Desde então, no entanto, recuperou impressionantes 17%, incluindo uma alta de 12% apenas na sexta-feira, acompanhando a recuperação das bolsas globais.
A grande pergunta que surge é direta: vale a pena comprar agora? Estamos diante de um repique técnico ou de uma reversão mais consistente? Cohen apresenta uma análise técnica detalhada com base em Fibonacci. No gráfico diário, ele traça dois cenários principais:
Cenário 1 (Alta): recuperação até a região dos US$ 105 mil, partindo da mínima recente.

Cenário 2 (Mais provável): a retração de Fibonacci sugere que o Bitcoin deveria retornar ao nível de 61,8% (em torno de US$ 80 mil) para, posteriormente, buscar a região dos US$ 44 mil.

No gráfico semanal, a leitura se torna ainda mais interessante. “O Bitcoin voltou perfeitamente no 61,8% de Fibonacci. Minha expectativa é que ele venha buscar os 100%, ou seja, US$ 80 mil, ou os 111,8%, em torno de US$ 77 mil, e depois busque o ponto de 200, na faixa entre US$ 39.455 e US$ 40 mil.”
Cohen, que se declara “Bitcoin lover” e early adopter, tendo comprado seu primeiro Bitcoin em 2017, encara uma possível queda com otimismo. “Eu ficaria feliz se viesse até essa região, não porque o ativo vai se desvalorizar, mas porque isso criaria uma oportunidade de compra muito boa.”
No longo prazo, a perspectiva segue ambiciosa. “A expectativa do Bitcoin, como muitos dizem, é buscar US$ 250 mil talvez ainda este ano ou no próximo. E um milhão de dólares? Daqui a 5, 7 ou 10 anos. Quem comprou a US$ 40 mil… será que chega lá? Não estou dizendo que vai acontecer, mas não custa nada. E, se acontecer, é um investimento que vale.”
Para quem opera no Brasil, Cohen destaca o QBTC11, ETF que replica o Bitcoin na B3. O ativo retornou aos patamares de 2024, entre R$ 19 e R$ 20. “Quem comprou chegou a ter lucro de 100%, dobrou o patrimônio. A grande dúvida agora é: será que é um ponto de compra interessante?”
Vale lembrar que, desde 2022, o ativo já acumulou valorização próxima de 700%, mesmo tendo passado por quedas de até 80% em determinados períodos. “O Bitcoin, ao longo dos anos, entrega valorizações relevantes. Porém, existem fases em que ele também cai — e muito.”
Bolsas Americanas: Rotação Setorial Clara
Em Wall Street, o movimento foi de clara divergência setorial, indicando rotação de portfólios:
Dow Jones: teve desempenho expressivo na sexta-feira, com alta de 2,73%, renovando máximas históricas. No gráfico semanal, após três semanas de correção, “arrebentou a boca do balão”, com forte movimento de alta.
Nasdaq: apesar da recuperação na sexta-feira, segue cerca de 5% abaixo de suas máximas históricas, com gráfico semanal indicando forte lateralização.
(S&P 500: mantém-se próximo das máximas históricas, apresentando um gráfico semanal robusto.

(DJI nas máximas)
A expectativa, segundo Cohen, permanece positiva. “A tendência é de manutenção da alta. Não há, por enquanto, motivos claros para uma queda. Os Estados Unidos seguem divulgando bons dados e, mesmo sem expectativa de cortes de juros no curto prazo, as bolsas continuam subindo.”
Brasil: Ibovespa em Máximas Apesar do Ruído político
No Brasil, o Ibovespa enfrentou uma semana de forte volatilidade, mas ainda assim encerrou com alta de 0,87%, renovando máximas históricas.
A segunda-feira começou com avanço de 0,8%. Ao longo da semana, o índice chegou a subir mais de 3%, devolveu os ganhos e chegou a operar no campo negativo, para então fechar próximo da estabilidade, ainda em território positivo.

O principal fator de turbulência veio do cenário político, especialmente em torno do Banco Central. Rumores sobre a possível indicação de Guilherme Mello para a diretoria do BC aumentaram a instabilidade, levando o mercado a especular sobre maior influência do governo na instituição.
Além disso, declarações feitas na sexta-feira pelo novo líder do PT na Câmara, sugerindo a revisão da autonomia do Banco Central, também pesaram no humor dos investidores.
Apesar disso, Cohen mantém uma visão construtiva. “Minha expectativa é que a bolsa brasileira continue subindo.” Ainda assim, ele faz ressalvas técnicas importantes. “Graficamente, o Ibovespa começa a mostrar sinais de defesa ou cansaço, com pavios superiores longos. Isso não significa, obrigatoriamente, queda, mas indica dificuldade em romper novas máximas. Se não rompe para cima, pode tentar romper para baixo.”
O dólar futuro no Brasil, por sua vez, seguiu sua trajetória de desvalorização. Após tentar uma correção na semana anterior sem sucesso, fechou próximo da estabilidade e acumulou queda de cerca de 1% na última semana.

Atenção: Feriado de Carnaval na Próxima Semana
Cohen faz um alerta importante para os operadores brasileiros. Na próxima semana, nos dias 16 e 17 (segunda e terça-feira), não haverá pregão no Brasil devido ao feriado de Carnaval. A bolsa só reabre na quarta-feira, dia 18, no período da tarde.
“É fundamental estar preparado para possíveis mudanças no mundo nesse intervalo”, alerta. Ele relembra um episódio marcante: “Em 2020, quando a pandemia foi anunciada globalmente, a bolsa brasileira estava fechada. O mercado despencava lá fora e, aqui, ninguém podia fazer nada.”
A lição é clara. “Não é uma data fácil de lembrar, mas serve como aprendizado. Se você vai ficar sem operar por um período prolongado, é essencial estar protegido.”
Para os dias que antecedem o feriado, especialmente a sexta-feira, a expectativa é de cautela. “A bolsa pode cair ou se estabilizar. Não vejo espaço para uma alta forte em um cenário instável. Ambientes assim aumentam a busca por segurança, com saída de ativos de risco e entrada em ativos de proteção, como dólar e ouro.”
Agenda Econômica Crucial
A próxima semana promete forte volatilidade, com indicadores relevantes que podem impactar diretamente os mercados:
Segunda-feira (8h25): Boletim Focus, com expectativas para juros, inflação, dólar e PIB no Brasil.
Terça-feira 9h: IPCA, principal índice de inflação Tá
do Brasil, divulgado na abertura do mercado.
Terça-feira 10h15: possível divulgação do ADP, sobre empregos privados nos EUA.
Vendas no varejo brasileiro.
Quarta-feira 10h30: Payroll (relatório de emprego não-agrícola dos EUA), considerado o indicador mais importante da semana.
Quinta-feira: sem indicadores relevantes programados.
Sexta-feira 7h: PIB da Zona do Euro.
CPI/IPC dos Estados Unidos, indicador de inflação.
“Fique atento especialmente às 10h30 da manhã”, reforça Cohen. “Esse é o horário em que o mercado costuma tremer. A semana promete muita emoção.”
Reflexão Final: Sempre preparado
Cohen encerra a análise reforçando a importância da gestão de risco e do alinhamento com o perfil do investidor. “Dentro do perfil adequado, é saudável ter uma pequena parcela alocada em ativos de maior risco. Mas isso precisa respeitar, acima de tudo, o seu perfil de investidor e o seu nível de tolerância ao risco. Se você não tem esse perfil, por favor, não entre.”
A mensagem final é objetiva e atemporal: em mercados voláteis, preparo, proteção e consciência são tão importantes quanto a busca por oportunidades.
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