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Mercados batem recordes mesmo com guerra e inflação pressionada

Mesmo em meio a tensões geopolíticas, inflação acima da meta e incertezas sobre juros, os mercados globais continuam surpreendendo. Nos últimos dias, S&P 500, Nasdaq e Ibovespa renovaram máximas históricas, enquanto o dólar caiu no Brasil e o petróleo seguiu volátil com o cenário no Oriente Médio.

No novo panorama macro da Zero Markets Brasil, Rodrigo Cohen, trader profissional e analista convidado, destaca que o mercado atual está sendo guiado mais por expectativa do que por dados concretos.

“O mercado está comprando um futuro que ainda não aconteceu. A pergunta é: ele está certo ou está se antecipando demais?”


Bolsas globais renovam máximas mesmo com cenário instável

O destaque da semana foi a continuidade da alta nos principais índices:

  • S&P 500 atingiu nova máxima histórica

  • Nasdaq também renovou recordes

  • Ibovespa chegou próximo dos 199 mil pontos

Segundo Cohen, o movimento chama atenção porque acontece mesmo com fatores que normalmente pressionariam o mercado, como guerra e inflação elevada.

Isso reforça uma característica importante: o mercado antecipa cenários futuros, e não reage apenas ao presente.


Inflação sobe no Brasil e pressiona decisões do Banco Central

No Brasil, o Boletim Focus indicou projeção de inflação (IPCA) para 2026 em 4,8%, marcando a sexta semana consecutiva de alta nas expectativas.

Além disso, o IPCA atual já se encontra acima do centro da meta, o que cria um dilema para o Banco Central.

Segundo Cohen, a situação é clara:

  • inflação pressionada → dificulta queda de juros

  • economia mais fraca → pede juros menores

Ou seja, o Banco Central precisa equilibrar forças opostas.


Juros no Brasil: três caminhos possíveis

Com a próxima reunião do Copom se aproximando, Cohen aponta três cenários principais:

  1. Manutenção dos juros

    • sinal de cautela diante da inflação e da guerra

  2. Corte de 0,25 ponto percentual

    • cenário mais provável, com discurso mais conservador

  3. Corte de 0,50 ponto

    • mais agressivo, mas com maior risco em um ambiente instável

O mercado, por enquanto, ainda não tem consenso claro.


Guerra continua sendo o principal fator de risco

Apesar de momentos de alívio, o conflito entre Estados Unidos e Irã segue sem solução definitiva.

Segundo Cohen, o mercado já percebeu um padrão:

  • Trump ameaça → mercado cai

  • prazo é estendido → mercado sobe

  • tensão volta → mercado recua

Esse ciclo tem criado uma espécie de “jogo psicológico” que impacta diretamente os preços dos ativos.

Além disso, o controle do Estreito de Hormuz continua sendo um ponto crítico, já que a região concentra uma parcela significativa do transporte global de petróleo.


Petróleo segue volátil e sensível ao conflito

O petróleo permanece na faixa dos US$90 a US$95, com fortes oscilações conforme o andamento da guerra.

Para Cohen, esse é um dos ativos mais importantes do momento porque influencia diretamente:

  • inflação global

  • decisões de juros

  • custo de produção

  • crescimento econômico

“Se o petróleo disparar, ele puxa o resto da economia junto.”


Dólar em queda e Brasil atrai capital

No Brasil, o dólar chegou a cair abaixo de R$5, refletindo entrada de capital estrangeiro e busca por retornos mais altos.

Segundo Cohen, o país continua sendo beneficiado por:

  • juros elevados (Selic em 14,75%)

  • percepção de ativos baratos

  • menor exposição direta ao conflito

Isso ajuda a explicar por que o Ibovespa tem performado bem mesmo em um cenário global desafiador.


Estados Unidos: economia forte dificulta corte de juros

Nos Estados Unidos, o cenário segue robusto:

  • mercado de trabalho forte

  • desemprego baixo

  • crescimento ainda consistente

Isso reduz a pressão imediata por cortes de juros pelo Federal Reserve.

Além disso, a transição de liderança no Fed, com a possível entrada de Kevin Walsh no lugar de Jerome Powell, adiciona mais uma camada de incerteza ao cenário.


Mercado vive momento de “evento binário”

Para Cohen, o momento atual pode ser resumido como um evento binário:

  • ou a guerra desacelera → mercados continuam subindo

  • ou o conflito escala → mercados corrigem com força

O problema é que ninguém sabe qual desses caminhos vai se confirmar.


Conclusão

O cenário atual combina fatores contraditórios:

  • bolsas em máximas históricas

  • inflação pressionada

  • juros elevados

  • guerra sem solução definitiva

  • petróleo ainda volátil

Para Rodrigo Cohen, isso exige uma postura mais estratégica do investidor.

“Não é momento de apostar tudo em uma direção só. É momento de entender o risco e se posicionar com inteligência.”


Para saber mais sobre o assunto, confira o vídeo completo no nosso canal do Youtube.


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