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IPO de gigantes da IA: o que OpenAI e Anthropic ensinam sobre valuation, risco e carteira

O termo IPO voltou ao centro das conversas do mercado financeiro. E, desta vez, o motivo não é pequeno: empresas ligadas à inteligência artificial, como OpenAI e Anthropic, passaram a ser discutidas como possíveis candidatas a aberturas de capital bilionárias. Com isso, o mercado passou a encarar uma pergunta difícil: estamos diante de uma nova fase de crescimento ou de um excesso de expectativa?
Em 2026, OpenAI e Anthropic protocolaram pedidos de abertura de capital com poucos dias de diferença, mirando avaliações na casa do trilhão de dólares. Como consequência, o movimento gerou entusiasmo em quem acredita na inteligência artificial como uma das maiores transformações econômicas da geração. Por outro lado, também acendeu alertas sobre preços altos, prejuízos relevantes e concentração de mercado.
No entanto, a grande questão não é apenas “vale a pena investir?”. Na verdade, a pergunta mais inteligente é: você entende o que está por trás de um IPO, quais expectativas estão embutidas no preço e qual exposição sua carteira já tem a esse tema?
O que é IPO?
IPO é a sigla para Initial Public Offering, ou oferta pública inicial. Em outras palavras, é o momento em que uma empresa passa a ter suas ações negociadas em bolsa pela primeira vez. E você pode entender de forma mais didática em outro artigo nosso que explica melhor clicando aqui.
Antes do IPO, a empresa costuma captar recursos com fundos privados, investidores institucionais ou rodadas fechadas. Depois da abertura de capital, qualquer investidor que tenha acesso à bolsa onde aquela ação é negociada pode comprar ou vender os papéis.
Ainda assim, existe um ponto importante: um IPO não é um “selo automático de qualidade”. Ele é, antes de tudo, uma etapa de mercado. A empresa pode ser promissora, crescer muito e, mesmo assim, chegar à bolsa com um preço exigente demais.
Além disso, uma companhia pode ter uma tecnologia revolucionária, mas ainda não gerar lucro suficiente para justificar seu valuation. Portanto, entender um IPO exige olhar além da manchete e analisar o que sustenta aquela expectativa.
Por que os IPOs de IA chamam tanta atenção?

O mercado não está olhando apenas para novas empresas de tecnologia. Na prática, está olhando para negócios que podem redefinir produtividade, consumo, infraestrutura digital, atendimento, criação de conteúdo, automação e análise de dados.
No caso de OpenAI e Anthropic, o debate ganha ainda mais força porque as duas empresas aparecem ligadas diretamente à corrida da inteligência artificial generativa. Entretanto, apesar de serem colocadas lado a lado nas manchetes, as manchetes mostram que elas contam histórias financeiras diferentes: a OpenAI combina crescimento acelerado de receita, escala de usuários e necessidade intensiva de capital; já a Anthropic apresenta um discurso de disciplina financeira, mas com alertas sobre a sustentabilidade de determinados resultados.
Esse detalhe, portanto, muda tudo. Quando duas empresas semelhantes vão ao mercado em um período próximo, elas acabam servindo como comparação uma para a outra. Nesse sentido, se uma mostra um caminho mais claro para lucro, pode influenciar o quanto o mercado aceita pagar pela outra. Da mesma forma, se uma estreia abaixo do esperado, pode afetar o humor dos investidores com todo o setor.
Em outras palavras: no IPO, a empresa não vende apenas ações. Ela vende, também, uma narrativa de futuro.
Valuation alto não significa, necessariamente, empresa cara
Um dos maiores erros de quem acompanha um IPO é olhar apenas para o número absoluto.
Quando alguém diz que uma empresa “vale US$ 1 trilhão”, isso não significa que ela tem esse dinheiro em caixa. Na verdade, significa que o mercado está atribuindo esse valor à companhia com base no preço das ações multiplicado pela quantidade de ações. Ou seja, é uma expectativa coletiva sobre o futuro, não uma fotografia exata do presente.
Esse é o coração do valuation. Uma empresa pode parecer cara porque vale muito. No entanto, tecnicamente, o investidor precisa perguntar: ela vale muito em relação a quê? Receita? Lucro? Margem? Crescimento esperado? Geração de caixa? Vantagem competitiva?
Por isso, os profissionais olham múltiplos. Uma empresa avaliada em muitas vezes sua receita está sendo precificada por um futuro que ainda não aconteceu. Assim, quanto maior o múltiplo, maior a expectativa. E, consequentemente, quanto maior a expectativa, menor o espaço para erro.
Uma analogia simples ajuda a entender: comprar uma empresa em IPO com valuation muito alto é como comprar uma muda de árvore pagando o preço de uma floresta madura. Pode fazer sentido se a árvore crescer exatamente como esperado. Porém, se o crescimento atrasar, o preço pago pode virar um problema.
IPO, bolha e inteligência artificial: onde está o risco?
Sempre que um setor sobe muito, a palavra “bolha” aparece. Com inteligência artificial, portanto, não seria diferente.
O ponto é que esse debate não deve ser tratado de forma rasa. Afinal, há argumentos dos dois lados. De um lado, empresas de tecnologia atuais têm receitas reais, lucro em muitos casos e capacidade de financiar investimentos com geração de caixa. Por outro lado, há preocupações com múltiplos elevados, concentração excessiva e possíveis relações circulares entre empresas de chips, nuvem e inteligência artificial.
Dessa forma, o problema não está, necessariamente, na tecnologia. A inteligência artificial pode, sim, ser uma transformação real. O risco, muitas vezes, pode estar no preço pago por essa transformação.
Além disso, a história do mercado mostra que uma empresa pode ser excelente, lucrativa e participar de uma revolução verdadeira e, ainda assim, entregar retornos ruins para quem pagou caro demais no momento errado. O ebook usa a Cisco como exemplo: mesmo sendo lucrativa e relevante na revolução da internet, sua ação caiu fortemente após o pico da bolha pontocom.
Essa é uma das lições mais importantes para qualquer IPO: boa empresa e bom investimento não são sempre a mesma coisa.

O investidor brasileiro pode já estar exposto a esses IPOs sem perceber
Muita gente pensa que só terá exposição à inteligência artificial se comprar diretamente ações de empresas como Nvidia, OpenAI, Anthropic ou outras gigantes do setor. No entanto, isso nem sempre é verdade.
O investidor brasileiro que compra ETFs ligados ao mercado americano, especialmente os que replicam grandes índices como o S&P 500 ou Nasdaq, pode já estar exposto a empresas de tecnologia de forma relevante. Isso acontece porque muitos índices são ponderados por valor de mercado: quanto maior a empresa, maior seu peso no índice.
Na prática, comprar um ETF amplo não significa, necessariamente, dividir o risco igualmente entre centenas de empresas. Pelo contrário, uma parcela relevante do dinheiro pode estar concentrada em poucas gigantes.
Por isso, antes de perguntar “devo entrar no IPO?”, talvez a pergunta mais estratégica seja:
quanto da minha carteira já depende dessa mesma tese?
É importante reforçar esse ponto ao mostrar que o investidor pode já carregar exposição à história da inteligência artificial por meio de ETFs internacionais negociados no Brasil, muitas vezes sem perceber.
Portanto, antes de buscar uma nova oportunidade, vale olhar para dentro da própria carteira. Afinal, em muitos casos, o investidor não precisa “entrar” na tese porque ele já está parcialmente exposto a ela.
Rotação de carteira: o que fazer quando um tema fica grande demais?
Quando um setor cresce muito dentro da carteira, surge outro conceito importante: rotação de carteira.
Rotação de carteira é a realocação de recursos entre grupos de ativos. Ou seja, não significa “adivinhar o topo” nem abandonar uma tese vencedora. Significa, principalmente, reequilibrar o risco quando uma posição, setor ou narrativa passa a dominar demais o portfólio.
No contexto dos IPOs de inteligência artificial, alguns investidores podem decidir manter a exposição e acompanhar o crescimento. Outros, por sua vez, podem ajustar pesos para evitar concentração excessiva. Além disso, há quem prefira diversificar para outros setores, regiões ou classes de ativos.
Nenhuma dessas posturas é automaticamente certa ou errada. Pelo contrário, a decisão depende de prazo, perfil, objetivos e tolerância a risco.
Nesse sentido, o ponto central é: educação financeira não serve para terceirizar decisões. Serve para dar clareza antes delas.
Como analisar um IPO com mais consciência?
Antes de se deixar levar pela euforia de um IPO, vale observar alguns pontos.
1. Entenda o modelo de negócio
Antes de tudo, a empresa ganha dinheiro de forma recorrente? Depende de poucos clientes? O crescimento é sustentável?
2. Olhe o valuation com calma
Além disso, o preço reflete resultados atuais ou depende de um futuro muito otimista?
3. Avalie lucro, caixa e necessidade de capital
Da mesma forma, empresas intensivas em infraestrutura podem crescer muito, mas também consumir muito dinheiro.
4. Compare com outras empresas do setor
Quando várias companhias parecidas chegam ao mercado, uma vira régua para a outra. Portanto, comparar é essencial.
5. Veja sua carteira antes de comprar mais risco
Antes de aumentar a exposição, entenda se você já está ligado ao mesmo tema por meio de ETFs, fundos, BDRs ou ações internacionais.
6. Não confunda narrativa com garantia
Por fim, lembre-se: toda grande tese de investimento começa com uma boa história. Mas nem toda boa história vira bom retorno.
Conclusão: no IPO, clareza vale mais do que opinião forte
Os possíveis IPOs de empresas ligadas à inteligência artificial mostram como o mercado pode ser fascinante e perigoso ao mesmo tempo. Fascinante porque revela negócios capazes de mudar a economia global. Perigoso porque grandes expectativas costumam vir acompanhadas de grandes riscos.
Um IPO pode abrir portas para novas oportunidades. No entanto, também pode colocar o investidor diante de preços altos, volatilidade intensa e narrativas sedutoras demais. Por isso, a melhor postura não é entrar em euforia nem fugir por medo. É entender.
Entender o que é IPO.
Entender o valuation.
Entender a concentração.
Entender o que você já tem na carteira.
E, principalmente, entender que investir bem não é ter certeza sobre o futuro, mas tomar decisões mais conscientes no presente.
Como resume Marcos Praça (CNPI-T EM-9505), nosso diretor de análises da ZERO Markets Brasil, valuation alto mede expectativa, concentração amplia ganhos e quedas, e rotação de carteira é uma ferramenta de equilíbrio, não uma promessa de acerto.
Quer entender melhor como os IPOs de tecnologia podem impactar sua carteira? Confira nossas análises semanais por especialistas no canal da ZERO Markets Brasil no Youtube.
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