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Cessar-fogo entre EUA e Irã alivia mercados, petróleo despenca e bolsas reagem forte

Após semanas de tensão extrema no Oriente Médio, o anúncio de um cessar-fogo temporário entre Estados Unidos e Irã trouxe alívio imediato aos mercados globais. A trégua, inicialmente prevista para duas semanas, provocou uma reprecificação rápida dos ativos: petróleo caiu com força, bolsas subiram e o sentimento de risco diminuiu.

No panorama macro global da Zero Markets Brasil, Rodrigo Cohen, trader profissional e analista convidado, destaca que o mercado reagiu não ao fim da guerra, mas à possibilidade de pausa.

“O mercado não precisa da paz definitiva. Ele precisa de previsibilidade. E duas semanas de trégua já mudam completamente o jogo.”


Petróleo despenca e muda narrativa global

O impacto mais imediato foi no petróleo. Após semanas pressionado pela possibilidade de bloqueio no Estreito de Hormuz, responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo, o mercado reagiu com força à reabertura da rota.

O Brent chegou a cair cerca de 16%, revertendo parte da alta acumulada durante o conflito. Esse movimento tem efeito direto na economia global:

  • queda no petróleo → alívio na inflação

  • inflação menor → espaço para corte de juros

  • juros menores → estímulo à economia

Segundo Cohen, a mudança de narrativa é clara:

“O foco do mercado deixou de ser ‘até onde a inflação pode subir’ e passou a ser ‘até onde ela pode cair agora’.”


Bolsas globais disparam após semanas de queda

Com o alívio geopolítico, as bolsas globais reagiram de forma expressiva:

  • S&P 500: alta de aproximadamente 3,4% na semana

  • Nasdaq: avanço de cerca de 3,9%

  • Dow Jones: subida próxima de 3%

Foi a primeira semana positiva após uma sequência de perdas, marcando uma possível virada de humor no mercado.

Todos os setores do S&P 500 fecharam no positivo, algo que não acontecia há semanas.


Brasil acompanha movimento e se aproxima de máximas

No Brasil, o impacto também foi imediato.

O Ibovespa abriu acima dos 193 mil pontos, consolidando uma sequência de altas e se aproximando novamente de suas máximas históricas.

Além disso, o dólar recuou para a região de R$ 5,15, refletindo entrada de capital e menor busca por proteção.

Segundo Cohen, o Brasil tem se beneficiado por estar relativamente “descorrelacionado” do conflito direto.

“O capital global precisa de destino. E, nesse momento, o Brasil continua atraente.”


Payroll surpreende e complica decisão do Fed

Apesar do alívio geopolítico, um dado importante trouxe complexidade ao cenário: o Payroll.

O relatório de emprego dos Estados Unidos veio muito acima do esperado:

  • 278 mil vagas criadas, contra expectativa de 60 mil

  • taxa de desemprego caiu para 4,3%

  • salários desaceleraram para 3,5% ao ano

Esse conjunto de dados cria um dilema para o Federal Reserve.

Por um lado, o mercado esperava cortes de juros.
Por outro, uma economia forte reduz a necessidade, e até a urgência, desses cortes.

“O Fed ficou sem argumento fácil. A economia está forte demais para cortar juros rapidamente.”


Ouro volta a subir após forte queda

Outro destaque da semana foi o ouro.

Após uma queda histórica de cerca de 17% no mês anterior, o metal voltou a subir 6,1% na semana, recuperando parte das perdas.

O movimento reflete dois fatores:

  • ainda existe risco global;

  • investidores continuam buscando proteção, mesmo com a trégua.


Empresas e tecnologia seguem resilientes

Mesmo com o cenário instável, empresas ligadas à tecnologia e inteligência artificial seguem mostrando força.

Um exemplo foi a Intel, que subiu cerca de 16,8% após recomprar participação relevante em sua fábrica na Irlanda.

Segundo Cohen, esse tipo de movimento mostra que o mercado ainda está disposto a pagar por crescimento, mesmo em meio à incerteza.


Japão e Ásia ainda sentem os efeitos da crise

Nem todos os mercados reagiram da mesma forma.

O Nikkei (Japão) registrou o pior mês desde 2008, com queda superior a 13%, refletindo forte dependência energética da região.

Agora, começa a apresentar recuperação parcial, mas ainda sob pressão.


O que acontece daqui para frente?

Segundo Cohen, o mercado entra agora em uma fase decisiva. O cessar-fogo tem prazo: duas semanas. E esse prazo coincide com eventos importantes:

  • decisão de juros do Fed

  • decisão do Copom no Brasil

Ou seja: o mercado terá que responder duas perguntas ao mesmo tempo:

  1. A guerra vai realmente desacelerar?

  2. Os bancos centrais vão voltar a cortar juros?

Se o cessar-fogo se mantiver:
→ petróleo pode continuar caindo
→ inflação pode aliviar
→ mercados podem subir

Se o conflito voltar:
→ petróleo dispara novamente
→ inflação volta a pressionar
→ bolsas podem corrigir


Conclusão

O cenário global mudou, mas ainda não se resolveu.

Para Rodrigo Cohen, o investidor precisa entender que o mercado está reagindo a um alívio temporário, não a uma solução definitiva.

Os principais pontos do momento são:

  • petróleo em queda após forte alta

  • bolsas retomando força

  • dólar enfraquecendo

  • inflação podendo aliviar

  • Fed pressionado por dados fortes de emprego

Mas tudo isso ainda depende de um único fator: a continuidade (ou não) do cessar-fogo.

“O mercado respirou. Mas ainda não relaxou.”


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