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Bolsas mundiais disparam até 7%, mas Brasil vai na contramão

Os mercados globais registraram uma das melhores semanas do ano, com altas expressivas nos principais índices dos Estados Unidos, Europa e Ásia. Mas enquanto o mundo comemorava, o Ibovespa caiu.
Rodrigo Cohen, trader profissional com 26 anos de experiência e analista de mercado, explica por que essa divergência importa, e o que ela pode significar para as próximas semanas.
"O mundo inteiro subiu. Quando o Brasil vai na contramão, você precisa entender o motivo antes de agir."
EUA e Europa renovam máximas históricas
A semana foi de forte alta nas bolsas internacionais:
S&P 500 subiu 5,75% e atingiu máximas históricas
Nasdaq avançou 7,45%, chegando perto de seu recorde - mas ainda sem romper
DAX (Alemanha) subiu mais de 5%, próximo de máximas históricas
CAC (França) avançou 3%
Japão (JP225) disparou 6,62%
Para Cohen, o movimento é coordenado e isso tem uma explicação.
"Esses mercados sobem juntos porque estão respondendo ao mesmo driver: a expectativa de que a guerra no Oriente Médio está chegando ao fim. Quando um sobe, tudo sobe. E o contrário também é verdade."
Brasil recua enquanto o mundo avança

O Ibovespa caiu 0,8% na semana e testou um nível técnico importante, conhecido como Fibonacci 111,8, referência gráfica que Cohen acompanha de perto.
Se o índice perder a mínima da semana anterior, o próximo suporte está em torno de 192.900 pontos. Em um cenário mais negativo, pode buscar 175.840 pontos.
Para Cohen, o desempenho fraco do Brasil tem uma causa doméstica clara:
"O mercado não gosta de incerteza política. E o Brasil está entrando em clima de eleição sem saber ainda quem são os candidatos, quem vai se unir, quem vai aparecer. Isso trava o capital."
Investidores estrangeiros retiraram bilhões da bolsa brasileira na semana, fator que Cohen aponta como sinal de alerta.
Ouro segue em alta e Bitcoin ensaia retomada

O ouro acumula valorização de 10,3% nas últimas quatro semanas e continua subindo, com alta de 0,65% no início da semana analisada. Segundo Cohen, o metal segue sendo o termômetro do medo global:
"Quando o ouro sobe com força, o mundo está com medo. Ele só vai cair de verdade quando a guerra tiver uma solução concreta."
Já o Bitcoin testou a média móvel de 200 semanas por aproximadamente dez semanas seguidas, e não perdeu esse nível em nenhuma delas. Na semana, chegou a recuar, mas reverteu e subia 2,5% no momento da análise.
"Bitcoin bateu na porta do fundo por dez semanas e não entrou. Isso é força técnica. Mas ainda precisa confirmar."
Petróleo recua com expectativa de cessar-fogo

O petróleo fechou a semana com queda de mais de 11%, impulsionado por sinais iniciais de cessar-fogo no Oriente Médio. A projeção de Cohen, caso o fim do conflito se confirme, é que o petróleo busque a faixa de US$ 73,50, recuo adicional em relação aos níveis atuais.
"O petróleo é o ativo que mais responde à guerra. Se a paz vier de verdade, ele cai mais. Se a tensão voltar, ele dispara - e arrasta todo o resto."
Dólar desacelera e encontra resistência

O dólar recuou cerca de 1% na semana, movimento considerável no mercado de câmbio global, e encontrou resistência na média móvel anual, nível técnico relevante.
Cohen avalia que a continuidade da queda do dólar depende diretamente de notícias positivas sobre o conflito geopolítico.
O risco que o mercado ainda não precificou
A principal mensagem de Cohen na análise é um alerta sobre a fragilidade do cenário atual.
Trump ora anuncia aproximação de paz, ora recua. Irã mantém posição firme. Israel não sinaliza saída do Líbano. Cessar-fogo segue instável.
"O mercado está subindo na esperança. Esperança não é fato. Quando o fato aparecer, seja ele qual for, o movimento vai ser rápido."
O cenário que Cohen chama de evento binário:
Conflito recua → bolsas continuam subindo, petróleo cai, ouro perde força
Tensão volta → correção rápida e generalizada nos mercados globais
Conclusão
A semana mostrou mercados globais em euforia, Brasil patinando por conta da política doméstica, ouro em alta, Bitcoin resiliente e petróleo no centro das atenções geopolíticas.
Para Rodrigo Cohen, o investidor que não entende o que está movendo os mercados neste momento está operando no escuro.
"Você pode até acertar a direção. Mas se não souber o motivo, não vai saber quando sair."
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