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Bitcoin caiu 51%, mas histórico mostra que recuperação pode levar anos

O Bitcoin já atravessou quedas superiores a 70% diversas vezes e voltou a renovar suas máximas depois de cada grande ciclo de baixa. Agora, porém, existe uma diferença importante.
Desde a máxima histórica de aproximadamente US$ 126 mil, registrada em outubro de 2025, o Bitcoin chegou a acumular uma queda de cerca de 51%.
É uma queda enorme para praticamente qualquer ativo financeiro. Mas, comparada aos grandes ciclos anteriores do próprio Bitcoin, é a menor correção entre os bear markets analisados.
No novo conteúdo da Zero Markets Brasil, o trader e analista convidado Rodrigo Cohen chama atenção para uma questão que considera mais importante do que tentar adivinhar o fundo:
“A pergunta não é apenas quanto o Bitcoin ainda pode cair. É quanto tempo o seu dinheiro pode precisar ficar parado até ele voltar.”
Bitcoin já caiu mais de 70% quatro vezes
O histórico dos grandes ciclos de baixa mostra a dimensão da volatilidade do Bitcoin. Segundo os dados apresentados por Cohen:

O episódio de 2020 foi excepcionalmente rápido, marcado pelo choque provocado pela pandemia.
Nos demais grandes ciclos apresentados, entretanto, o processo até encontrar o fundo levou aproximadamente um ano.
“Quando alguém disser que nunca foi tão ruim, os números mostram o contrário. O Bitcoin já passou por quedas muito maiores.”
Mas essa tabela permite duas interpretações completamente diferentes.
Bitcoin amadureceu ou ainda falta cair?
A primeira tese é otimista.
Ao longo dos ciclos, as grandes quedas do Bitcoin teriam se tornado progressivamente menos severas. A entrada de investidores institucionais, ETFs, fundos, empresas listadas e um mercado muito maior poderia estar reduzindo a volatilidade estrutural do ativo.
Se essa leitura estiver correta, a queda atual de 51% poderia representar um mercado mais maduro e o fundo talvez já tenha ocorrido. Mas existe uma segunda interpretação.
Nenhum dos grandes ciclos anteriores analisados terminou com uma queda de apenas 51%. Todos ultrapassaram 70%. Nesse cenário, a recuperação atual poderia representar apenas um repique dentro de um bear market ainda não concluído.
Para Cohen, os dados históricos, isoladamente, não permitem escolher uma das duas teses com segurança.
“Se alguém disser com muita convicção que sabe qual das duas vai acontecer, eu desconfiaria. Os dados ainda não permitem essa convicção.”
A segunda tabela talvez seja mais importante que a primeira
Existe outro número menos discutido pelos investidores: quanto tempo o Bitcoin levou para recuperar suas máximas anteriores? Segundo os dados apresentados:

Mesmo na recuperação mais rápida dos ciclos analisados, foram necessários aproximadamente 28 meses, dois anos e quatro meses, para uma nova máxima.
E isso muda completamente a discussão. A pergunta deixa de ser apenas: “Bitcoin está barato?” E passa a incluir: “Por quanto tempo eu posso deixar esse dinheiro investido?”
Perder 50% exige ganhar 100% para recuperar
Existe ainda uma questão matemática frequentemente ignorada. Se um investimento de R$ 100 cai 50%, passa a valer R$ 50.
Para retornar aos R$ 100 iniciais, ele não precisa subir outros 50%. Precisa subir 100%. Esse efeito explica por que grandes drawdowns são tão difíceis de recuperar.
“Quem entra numa queda achando que recupera rápido pode estar fazendo a conta errada antes mesmo de colocar o dinheiro.”
Quanto maior a perda, maior o retorno percentual necessário apenas para voltar ao ponto inicial.
O indicador técnico que Cohen acompanha
Em vez de tentar antecipar o próximo movimento apenas com notícias, Cohen destaca dois sinais que acompanha no gráfico.
O primeiro é a média móvel de 200 dias. Nos ciclos anteriores analisados, depois da formação do fundo, o Bitcoin levou entre 65 e 166 dias para recuperar essa média.
Para Cohen, uma recuperação consistente acima da média de 200 dias pode ser um sinal técnico relevante de mudança estrutural da tendência. O segundo sinal é ainda mais simples: a formação ou não de uma nova mínima.
Caso o Bitcoin perca o fundo atual e faça uma nova mínima, ganha força a tese de que o ciclo de baixa ainda não terminou. Enquanto isso não acontecer, permanece possível que o pior já tenha ficado para trás.
Manchetes não substituem preço
Para Cohen, esse é justamente um dos maiores erros de quem acompanha criptomoedas. O investidor tenta interpretar:
declarações de governos;
compras institucionais;
influenciadores;
previsões;
notícias sobre ETFs;
expectativas de adoção.
Mas acaba deixando em segundo plano aquilo que efetivamente está acontecendo com o preço.
“Não é manchete de jornal nem influenciador. Quero saber se o Bitcoin está acima ou abaixo da média de 200 e se está ou não fazendo novos fundos.”
O maior risco pode não estar no Bitcoin
A principal conclusão do conteúdo, entretanto, não é sobre prever o próximo preço da criptomoeda. É sobre compatibilidade entre prazo e investimento.
Se o investidor precisa daquele dinheiro daqui a três meses, está colocando capital de curto prazo em um ativo cujo ciclo histórico mais rápido de recuperação apresentado levou 28 meses. Isso cria um problema independentemente de a tese sobre Bitcoin estar correta no longo prazo.
Por outro lado, para alguém com horizonte de cinco anos ou mais, a análise é completamente diferente.
“O erro não é necessariamente comprar ou não comprar Bitcoin. O erro é colocar dinheiro de prazo curto em um ativo de prazo longo.”
Histórico não é previsão
Os ciclos anteriores ajudam a entender o comportamento do Bitcoin, mas não determinam o próximo.
O fato de todas as grandes correções anteriores terem ultrapassado 70% não significa que a atual também precisará chegar lá. Da mesma forma, o fato de o Bitcoin ter recuperado suas máximas nos ciclos anteriores não garante que os mesmos prazos ou retornos se repetirão.
É justamente aí que Cohen diferencia duas perguntas: “Onde estamos?” e “O que devemos fazer?”
Dados históricos podem ajudar a responder a primeira. A segunda depende de patrimônio, prazo, tolerância ao risco e estratégia de cada investidor.
Conclusão
O atual ciclo do Bitcoin apresenta uma situação incomum. A queda de aproximadamente 51% é, até agora, consideravelmente menor do que as grandes correções dos ciclos anteriores analisados.
Isso pode significar duas coisas radicalmente diferentes:
o Bitcoin amadureceu e seus drawdowns estão diminuindo; ou a correção atual simplesmente ainda não terminou. Para Rodrigo Cohen, tentar resolver essa dúvida apenas escolhendo uma narrativa é justamente o erro.
“Nenhuma dessas tabelas diz se é hora de comprar. Elas dizem onde você está. E saber onde você está é diferente de saber o que você vai fazer.”
Mais importante do que tentar acertar exatamente o fundo pode ser responder uma pergunta anterior: se o Bitcoin levar novamente dois ou três anos para recuperar sua máxima, esse dinheiro pode continuar investido durante todo esse período?
Assista ao video completo no nosso canal do Youtube.
DISCLAIMER:
As opiniões aqui expressas refletem o entendimento pessoal e independente do Diretor de Análise RODRIGO SANTOS COHEN, CNPI-T (6520), inclusive em relação à pessoa jurídica à qual está vinculado. Este relatório não constitui oferta nem garantia de resultado, e o investidor é o único responsável por suas decisões. A Zero Markets Brasil Consultoria e Análise de Valores Mobiliários LDTA, CNPJ 56.964.932/0001-09, credenciada perante a APIMEC Brasil, declara, nos termos do art. 22 da Resolução CVM nº 20/2021, não haver situação que afete a imparcialidade deste relatório ou configure conflito de interesses, ressalvado o que, se existente, será divulgado no próprio relatório.

