Panorama Macro da Semana
Inflação, fluxo global e superquarta: a semana que testa a sustentabilidade do rali

O mercado começou o ano com um recado claro: o fluxo manda mais do que o discurso. Em poucos pregões, ativos brasileiros passaram de ignorados a protagonistas, impulsionados por uma mudança relevante no posicionamento global. A combinação entre incerteza política nos Estados Unidos, reprecificação de risco e expectativa de política monetária mais branda criou um ambiente favorável para mercados emergentes — com o Brasil no centro desse movimento.
🌍 Cenário Internacional
No exterior, o desconforto voltou a dominar o humor dos investidores. A condução errática de Donald Trump reacendeu dúvidas sobre previsibilidade institucional nos Estados Unidos, levando grandes gestores a reduzir exposição ao eixo americano. Esse movimento coincidiu com dados de inflação mais comportados, como o PCE, e com a expectativa em torno da sucessão de Jerome Powell no comando do Fed.
Com juros mantidos, o foco da superquarta se desloca para o tom dos comunicados. O consenso segue apontando para cortes a partir de março, mas qualquer frustração — especialmente em meio à temporada de balanços das big techs — pode ampliar a volatilidade e testar os valuations elevados em Wall Street.
🇧🇷 Cenário Doméstico
O Brasil se beneficiou diretamente desse reposicionamento global. Em apenas cinco pregões, o Ibovespa avançou 8,5%, enquanto o dólar rompeu abaixo de R$ 5,30. No campo político, pesquisas eleitorais indicando avanço da candidatura de Flávio Bolsonaro reduziram parte do prêmio de risco local.
No radar da semana estão o IPCA-15 de janeiro, dados fiscais, setor externo e mercado de trabalho. Esses números serão fundamentais para calibrar as expectativas em relação à política monetária, especialmente diante da crescente aposta de que o Copom sinalize o início do ciclo de cortes da Selic.reet.
Análises Técnicas
S&P 500

O principal índice americano atingiu a média móvel de 50 períodos no gráfico diário e ganhou tração após a divulgação do PCE. O índice abre a semana próximo da máxima histórica, com o mercado atento ao teste da resistência psicológica dos 7 mil pontos.
Ibovespa

O índice saiu da região dos 165 mil para os 180 mil pontos sem correções relevantes. Após um movimento tão esticado e diante da dificuldade de romper um número redondo, o cenário técnico passa a sugerir uma possível retração, com alvos projetados pelas linhas de Fibonacci.
Ouro (XAU/USD)

O ouro rompeu com facilidade a região dos US$ 4.700 e buscou os US$ 5.100 por onça. O movimento reflete forte demanda por proteção. Apesar de retrações técnicas estarem no radar, operações de venda só fazem sentido após confirmação clara de reversão, dado o apetite comprador ainda dominante.
EUR/USD

O par euro/dólar fechou no topo da consolidação e testou uma resistência relevante, observada apenas em setembro de 2024 e setembro de 2021. A perda de força compradora nessa região abre espaço para uma correção, com venda especulativa condicionada a stop acima da máxima recente e alvo no topo do quadrante anterior.
Conclusão
A semana concentra riscos e oportunidades. O fluxo internacional segue favorecendo mercados emergentes, mas a sustentabilidade desse movimento depende do tom dos bancos centrais e da capacidade dos dados confirmarem o cenário de desaceleração inflacionária. Mais do que antecipar cortes de juros, o investidor precisa acompanhar sinais de consistência — técnica e macroeconômica — para navegar um ambiente ainda sensível a reprecificações abruptas.
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