Panorama Macro da Semana

Copom sob pressão: Selic, Lula 4 e eleições nos EUA ditam o rumo dos mercados

O mercado brasileiro entra em novembro com menos otimismo do que tinha há um mês. Na semana passada, investidores desmontaram parte das posições montadas no rali do primeiro turno. Os riscos fiscais e as dúvidas sobre a política econômica do quarto mandato de Lula voltaram aos preços. Outubro terminou com o Ibovespa em queda de 9,88%, o pior mês desde junho de 2022, e com o dólar a R$ 5,44.

Agora, todas as atenções se voltam ao Copom, que decide a Selic nesta quarta-feira (04/11). A taxa está em 13,75%, e a possibilidade de interromper o ciclo de cortes ganhou força. Lá fora, o ambiente também pede cautela. A aversão ao risco atinge as empresas de tecnologia, o petróleo segue caro e o Federal Reserve endureceu o discurso. O mercado já discute a volta das altas de juros nos Estados Unidos.

Cenário Internacional e a reunião do Copom

O Fed manteve os juros americanos entre 3,75% e 4,00% em 28 de outubro, e dois membros votaram por alta. O sinal foi claro: a pausa não garante cortes. A inflação americana resiste, e o petróleo Brent acima de US$ 100 por barril reforça essa pressão. O contrato futuro subiu 15,7% em outubro com o impasse nas negociações envolvendo o Irã.

A agenda americana da semana pesa. As eleições de meio de mandato podem redesenhar o Congresso e limitar ou ampliar a margem de manobra de Donald Trump na política econômica. Em seguida, o payroll de outubro testa a força do mercado de trabalho. Um número forte tende a sustentar a postura dura do Fed. Ao mesmo tempo, o setor de tecnologia segue sob escrutínio, e cresce a dúvida sobre o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial.

Na Europa, o Banco da Inglaterra decide juros e novos dados de inflação calibram as apostas. Esse pano de fundo importa para o Copom: com o Fed duro e o petróleo caro, o Banco Central brasileiro tem menos espaço para afrouxar.

Cenário Doméstico

A reeleição de Lula, com 51,79% dos votos válidos, provocou uma reprecificação abrupta. No primeiro pregão após o segundo turno, em 26 de outubro, a B3 acionou o circuit breaker. O Ibovespa fechou em queda de 13,88% e o dólar subiu 8,21%, para R$ 5,40. O juro prefixado de 2037 avançou cerca de 230 pontos-base, para perto de 15,2%.

O mercado quer respostas sobre dois pontos: a condução da política fiscal e a composição da equipe econômica. Propostas de mudanças na política monetária elevaram a desconfiança. Na leitura das opções de Copom da B3, a manutenção da Selic em 13,75% passou a ser o cenário mais provável, com 63,1% de chance no fechamento de 26/10. Antes da eleição, o mercado apostava majoritariamente em novo corte.

A semana traz ainda o primeiro Boletim Focus pós-eleição, dados de emprego e a temporada de balanços, com destaque para o Itaú. No crédito, o pano de fundo segue delicado: a inadimplência das famílias no crédito livre chegou a 8,1% em setembro, o maior nível da série do Banco Central.

Análises Técnicas da semana

S&P500 (via ETF SPY)


O SPY intensificou a pressão vendedora e manteve o movimento corretivo iniciado após as tentativas frustradas de superar as máximas históricas. O ativo perdeu as médias móveis de curto prazo, hoje próximas de US$ 767,04 e US$ 768,72, e recuou até US$ 753,90. Nesse ponto, encontrou suporte na linha de tendência de alta (LTA) que sustenta os fundos ascendentes dos últimos meses. A recomendação é neutra, diante da volatilidade esperada com as eleições legislativas americanas. Se o suporte de US$ 753,90 se mantiver, o ativo pode buscar as médias próximas de US$ 767,00 e US$ 769,00. A perda consistente da LTA pode acelerar a correção em direção a US$ 743,00. O mais prudente é aguardar o resultado eleitoral e a confirmação de um movimento direcional.

Ibovespa


O choque do segundo turno tirou o Ibovespa da faixa de consolidação entre 203 mil e 210 mil pontos e levou o índice para a região dos 165 mil a 168 mil pontos. O índice negocia abaixo das médias móveis de curto e médio prazo, próximas de 195.303 e 188.070 pontos, o que confirma a deterioração do quadro técnico. A recomendação é neutra, e a decisão do Copom deve funcionar como catalisador do próximo movimento. Os suportes imediatos estão em 165.555 e 163.235 pontos. Uma recuperação teria como primeira referência a média próxima de 181.168 pontos. O mais prudente é aguardar a decisão do Banco Central e, sobretudo, a sinalização sobre os próximos passos da Selic.

Ouro (XAU/USD)


O ouro manteve a trajetória de baixa e renovou mínimas recentes na região de US$ 3.870. A tentativa de recuperação até US$ 3.917 ainda não muda o quadro. O ativo segue dentro de um canal descendente, abaixo das principais médias móveis do diário, que apontam para baixo e confirmam o domínio vendedor. A recomendação é neutra. A estrutura favorece os vendedores, mas uma escalada das tensões geopolíticas pode provocar recuperações bruscas, já que o ouro é um ativo de proteção. A perda de US$ 3.870 abre espaço para novas quedas. Uma recuperação acima de US$ 4.060 seria o primeiro sinal de alívio. O mais prudente é aguardar uma definição direcional.

EUR/USD


O par consolida em uma faixa estreita entre 1,1100 e 1,1250, após a forte desvalorização anterior. O ativo segue abaixo das principais médias móveis do diário, inclinadas para baixo, e a tendência baixista permanece dominante. Os candles colados à média de curto prazo mostram a dificuldade de o mercado definir direção. A recomendação é neutra, já que as eleições legislativas americanas podem mexer com o dólar. Um rompimento acima de 1,1250 abre espaço para correção até 1,1320. A perda de 1,1100 favorece a continuidade da queda. O mais prudente é aguardar o rompimento da faixa antes de assumir posição.

Conclusão

A semana concentra três testes em poucos dias: a eleição no Congresso americano, o payroll e o Copom. Os riscos estão claros. Um BC que sinalize Selic parada por mais tempo, um Fed disposto a voltar a subir juros e um fiscal ainda sem definição podem prolongar a pressão sobre a bolsa e sustentar o dólar.

As oportunidades exigem paciência. Os quatro ativos analisados estão em pontos de decisão técnica, e a recomendação é neutra em todos eles. Esse é o recado central: em um ambiente de alta incerteza, confirmar a direção vale mais do que antecipar o movimento. Acompanhar o comunicado do Copom, e não só a decisão, é o passo mais importante da semana.

👉 Para entender melhor como esses fatores podem impactar sua estratégia, assista ao vídeo completo com Marcos Praça no canal da ZERO MARKETS BRASIL no YouTube.

📅 Data: 03/11/2026
✍ Marcos Felipe Martins da Silva Praça – CNPI-T (EM-9505)

⚠ DISCLAIMER: As opiniões aqui expressas refletem o entendimento pessoal e independente do Diretor de Análise MARCOS FELIPE MARTINS DA SILVA PRAÇA, CNPI-T (EM-9505), inclusive em relação à pessoa jurídica à qual está vinculado. Este relatório não constitui oferta nem garantia de resultado, e o investidor é o único responsável por suas decisões. A Zero Markets Brasil Consultoria e Análise de Valores Mobiliários LDTA, CNPJ 56.964.932/0001-09, credenciada perante a APIMEC Brasil, declara, nos termos do art. 22 da Resolução CVM nº 20/2021, não haver situação que afete a imparcialidade deste relatório ou configure conflito de interesses, ressalvado o que, se existente, será divulgado no próprio relatório.



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