Artigo
Saída dos Emirados da OPEP, juros indefinidos e guerra elevam tensão global, enquanto bolsas sobem

A semana foi marcada por uma combinação rara de eventos que, à primeira vista, parecem contraditórios: bolsas globais em forte alta, petróleo pressionado por tensões geopolíticas e decisões de juros que reforçam a incerteza no cenário econômico.
No panorama macro da Zero Markets Brasil, Rodrigo Cohen, trader profissional e analista convidado, destaca que o mercado vive um momento de leitura difícil onde os sinais não apontam todos na mesma direção.
“Você tem ativos subindo, outros sinalizando risco, e decisões de política econômica que mostram divisão. Esse é o tipo de cenário que exige atenção redobrada.”
Emirados Árabes anunciam saída da OPEP e surpreendem o mercado
Um dos fatos mais relevantes da semana foi o anúncio de que os Emirados Árabes Unidos deixarão a OPEP, o cartel de p
aíses produtores de petróleo, após quase seis décadas.

Segundo Cohen, esse pode ser um dos eventos mais subestimados do momento.
A saída de um dos maiores produtores globais pode:
aumentar a competição no mercado de petróleo
reduzir a coordenação entre produtores
aumentar a volatilidade dos preços
Em um cenário já pressionado pela guerra, essa mudança adiciona mais uma camada de incerteza.
Bancos centrais divergem e reforçam dúvida sobre juros
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve os juros inalterados, mas o destaque ficou na votação:
8 votos a favor da manutenção
4 votos divergentes
Foi a maior divisão interna em mais de 30 anos.
Para Cohen, esse dado é mais importante do que a decisão em si.

“Quando o próprio comitê está dividido, significa que o cenário está indefinido.”
Além disso, Jerome Powell confirmou que permanecerá no Fed, mas deixará a presidência, enquanto Kevin Walsh segue em processo de confirmação no Senado.
No Brasil, Copom corta juros mesmo com inflação pressionada
No Brasil, o Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto, para 14,75% ao ano, mesmo com a inflação acima da meta.
A decisão já era esperada, mas levanta questionamentos sobre os próximos passos.

Segundo Cohen, o cenário é delicado:
inflação ainda elevada
expectativas desancoradas
pressão política por cortes
ambiente externo instável
“O Banco Central está tentando equilibrar técnica e realidade. Não é uma decisão simples.”
Guerra pressiona economia global e aumenta custos
O conflito entre Estados Unidos e Irã segue como o principal fator de risco.
Alguns números ilustram o impacto:
custo da guerra para os EUA já supera US$ 18 bilhões
estimativa de impacto para o Irã ultrapassa US$ 300 bilhões
mais de 60 dias de conflito ativo
Além disso:
o Estreito de Hormuz segue parcialmente bloqueado
navios estão sendo desviados
tensões continuam sem solução definitiva

Bolsas sobem mesmo com cenário adverso
Apesar do contexto tenso, os mercados reagiram positivamente:
S&P 500 subiu mais de 8% em abril
Nasdaq avançou cerca de 8%
Ibovespa renovou máximas, mas depois corrigiu cerca de 5%
Essa alta, segundo Cohen, reflete expectativa de melhora futura, não necessariamente a realidade atual.

“O mercado está comprando um cenário que ainda não aconteceu.”
Petróleo se mantém elevado e continua pressionando inflação
O petróleo segue em níveis elevados:
Brent acima de US$ 110
WTI acima de US$ 100
Isso mantém pressão sobre a inflação global e dificulta cortes de juros mais agressivos.
Ao mesmo tempo, o bloqueio logístico e a tensão no Oriente Médio continuam sendo determinantes para o preço da commodity.
Dólar e Bitcoin mostram estabilidade relativa
O dólar no Brasil se manteve abaixo de R$ 5, indicando entrada de capital e menor aversão ao risco no curto prazo.
Já o Bitcoin permaneceu lateral, próximo dos US$ 75 mil, sem definir uma tendência clara.
Esse comportamento reforça a ideia de que o mercado ainda está tentando encontrar direção.
O que definiu a semana
Na visão de Rodrigo Cohen, três fatores resumem o momento atual:
Divisão no Federal Reserve, indicando incerteza sobre juros
Corte de juros no Brasil, mesmo com inflação elevada
Saída dos Emirados da OPEP, que pode alterar o equilíbrio do petróleo
Esses três elementos, somados à guerra, criam um ambiente altamente sensível.
Conclusão
O mercado vive um momento de transição, onde:
bolsas sobem
inflação pressiona
juros seguem indefinidos
petróleo permanece elevado
e a guerra continua sem solução
Para Cohen, o investidor precisa evitar decisões impulsivas.
“Quando o cenário fica confuso, a melhor estratégia não é adivinhar o próximo movimento. É se proteger dele.”
Confira o vídeo completo sobre o assunto no nosso canal do Youtube.


