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S&P 500 Volta a Mirar Recordes Enquanto Ibovespa Perde Força: O Que Esperar dos Mercados no Segundo Semestre?

Depois de uma recente correção nos mercados globais, o S&P 500 e as bolsas americanas voltaram a ganhar força e, consequentemente, colocaram novamente as máximas históricas no radar. O movimento, no entanto, não é uniforme: enquanto Estados Unidos, Europa e Japão mostram sinais mais positivos, o Ibovespa perde força e pode voltar a testar a média móvel de 200 períodos.
No novo review de mercado global da Zero Markets Brasil, o analista convidado, Rodrigo Cohen, analisou o S&P 500, Nasdaq, Ibovespa, DAX, ouro, dólar, Japão, petróleo e Bitcoin. Dessa forma, ele destacou um mercado dividido entre a possibilidade de novas máximas e o risco de uma correção no segundo semestre de 2026.
“A pergunta agora é: teremos os mercados renovando máximas até o final de 2026 ou estamos próximos de um período de correção?”
S&P 500 volta a ameaçar máximas históricas

O S&P 500 chegou a renovar máximas históricas após romper uma importante região de resistência, mas perdeu força na sequência. A correção, porém, foi curta.
De acordo com Cohen, o S&P 500 voltou a demonstrar força e permanece, tecnicamente, em tendência de alta. Portanto, caso o cenário externo continue favorável, uma nova tentativa de rompimento das máximas pode acontecer no curto prazo.
Além disso, para o investidor brasileiro, Cohen lembrou que é possível obter exposição direta ao S&P 500 pela B3 por meio do ETF IVVB11. Para exemplificar, na comparação apresentada no vídeo, o ativo acumulou valorização próxima de 1.000% desde 2015, segundo o gráfico utilizado na análise.

Nasdaq depende de tecnologia e inteligência artificial
Do mesmo modo, o Nasdaq voltou a demonstrar força depois de se aproximar da média móvel de 200 períodos. Na visão de Cohen, o setor de tecnologia continua tendo um potencial catalisador importante: a inteligência artificial.
Nesse sentido, resultados corporativos positivos e novas perspectivas para as grandes empresas de IA podem ajudar a sustentar uma retomada do índice.
Em complemento, o analista cita inclusive a possibilidade futura de IPOs de empresas relevantes do setor como potenciais eventos capazes de aumentar novamente o interesse dos investidores por tecnologia.

Ibovespa vai na contramão dos Mercados Internacionais
Por outro lado, o cenário brasileiro é diferente. Depois de testar a região entre 178 mil e 180 mil pontos, o Ibovespa perdeu força e passou a apontar novamente para a média móvel de 200 períodos.
Segundo Cohen, o índice já perdeu mínimas recentes e pode retornar para patamares observados em junho, reforçando assim a percepção de lateralidade da Bolsa brasileira nos últimos dois meses.
Entre os principais fatores explicativos, destacam-se:
Incertezas domésticas;
Início do debate eleitoral;
Menor atratividade relativa do Brasil;
Dificuldade em atrair o fluxo estrangeiro que deixa ativos americanos.
“Era para nossa Bolsa se beneficiar mais desse movimento internacional. O dinheiro está saindo de alguns ativos nos Estados Unidos, mas infelizmente não está vindo para o Brasil.”

Europa Mostra Força e DAX Volta às Máximas
Em contrapartida, enquanto o Brasil encontra dificuldades, a Europa apresenta um quadro mais favorável.
O DAX, principal índice da Alemanha, também atingiu máximas históricas recentemente e voltou a demonstrar força.
Conforme a avaliação de Cohen, uma continuidade da recuperação americana pode ajudar igualmente os mercados europeus.

Ouro muda de comportamento e volta ao radar
Depois de permanecer em clara tendência de baixa, o ouro finalmente começou a apresentar sinais técnicos de recuperação. O metal voltou a romper a média móvel de 200 períodos e superou máximas anteriores.
Por isso, para Cohen, um fechamento consistente acima dessa região pode representar uma mudança importante na estrutura gráfica: “A expectativa do ouro já começa a ficar mais interessante.”
Ainda que exista a possibilidade de um pullback antes de uma eventual continuidade da alta, o comportamento técnico já é visivelmente diferente daquele observado nas últimas semanas.

Payroll fraco derruba dólar e muda expectativa para juros
Ademais, um dos movimentos macroeconômicos mais importantes veio do mercado de trabalho americano. Dados recentes mostraram criação de vagas abaixo do esperado, o que acabou provocando uma forte queda do dólar.
A lógica é direta: um mercado de trabalho mais fraco reduz pressões sobre demanda e inflação e, como resultado, pode diminuir a necessidade de manter juros elevados por mais tempo. Com as Treasuries relativamente menos atraentes, parte do capital pode procurar mercados emergentes em busca de maior retorno.
Contudo, o problema para o Brasil é que, até agora, esse fluxo não aparece com a mesma intensidade na Bolsa brasileira.

Japão volta a ganhar força
Na mesma linha, depois de uma forte correção, o mercado japonês começou a se recuperar. O índice rompeu uma estrutura de baixa e voltou a apontar para cima.
Segundo Cohen, caso o movimento continue, o mercado japonês pode voltar a testar suas máximas históricas em breve.

Petróleo continua refém da geopolítica
Em contraposição, poucos ativos representam tão bem a incerteza atual quanto o petróleo. Em poucos pregões, o ativo alternou quedas e altas próximas de 5%, permanecendo ao redor da média móvel de 200 períodos.
Sob o ponto de vista técnico, Cohen identifica a possibilidade de formação de uma bandeira que poderia favorecer uma nova alta. Entretanto, existe uma variável muito mais importante que qualquer formação gráfica: a guerra.
Afinal, uma eventual retomada do conflito entre Estados Unidos e Irã poderia provocar uma nova pressão compradora sobre o petróleo.

Bitcoin permanece sem direção definida
Enquanto ouro e bolsas começam a mostrar sinais mais claros, o Bitcoin continua lateral.
A criptomoeda chegou a fazer as mínimas do ano no início de julho e depois apresentou recuperação, mas ainda não conseguiu romper regiões importantes de resistência.
Desse modo, para Cohen, neste momento o Bitcoin oferece menos clareza técnica do que os demais mercados analisados. “Por enquanto é difícil dizer para onde vai o Bitcoin.”
Em suma, a definição dos próximos fundos e topos será fundamental para determinar se a recuperação terá continuidade ou se o ativo voltará a pressionar as mínimas recentes.

Um mercado dividido no segundo semestre
Em conclusão, o cenário apresentado por Cohen mostra mercados caminhando em velocidades diferentes:
Mais fortes: Estados Unidos (S&P 500), Europa, Japão e, recentemente, ouro.
Mais frágeis: Brasil e dólar americano.
Sem direção clara: Bitcoin e petróleo, este último fortemente dependente da geopolítica.
Portanto, a grande questão para os próximos meses será descobrir se Wall Street conseguirá transformar a recuperação atual em uma nova perna de alta ou se as máximas históricas acabarão funcionando como ponto de exaustão.
Para Cohen, tecnicamente, o S&P 500 e o Nasdaq ainda mantêm uma estrutura favorável, enquanto o Ibovespa exige mais cautela.
“O mercado americano está no topo e isso aumenta o risco. Ainda assim, graficamente, por enquanto a expectativa continua mais altista.”
Para conferir esta análise de forma completa e detalhada, assista ao vídeo no nosso canal do Youtube.
DISCLAIMER:
As opiniões aqui expressas refletem o entendimento pessoal e independente do Diretor de Análise RODRIGO SANTOS COHEN, CNPI-T (6520), inclusive em relação à pessoa jurídica à qual está vinculado. Este relatório não constitui oferta nem garantia de resultado, e o investidor é o único responsável por suas decisões. A Zero Markets Brasil Consultoria e Análise de Valores Mobiliários LDTA, CNPJ 56.964.932/0001-09, credenciada perante a APIMEC Brasil, declara, nos termos do art. 22 da Resolução CVM nº 20/2021, não haver situação que afete a imparcialidade deste relatório ou configure conflito de interesses, ressalvado o que, se existente, será divulgado no próprio relatório.

