Artigo
Petróleo volta ao centro da economia global

O petróleo voltou ao centro do debate econômico mundial. Em meio às tensões geopolíticas envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, o preço da commodity apresentou forte volatilidade e reacendeu discussões sobre seu impacto na economia global.
No novo panorama semanal da Zero Markets Brasil, Rodrigo Cohen, trader profissional e analista convidado, relembra uma frase histórica que continua atual mais de um século depois.
No final do século XIX, o empresário John Rockefeller, fundador da Standard Oil e considerado o primeiro bilionário do mundo, afirmou:
“O melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo bem administrada. O segundo melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo mal administrada.”
Segundo Cohen, mesmo com o surgimento de novas tecnologias e setores econômicos, o petróleo ainda possui capacidade de mudar o rumo da economia mundial.
“Quando o petróleo sobe muito, ele não mexe apenas com empresas de energia. Ele impacta inflação, juros, transporte, produção e crescimento econômico”, explica.
Volatilidade do petróleo aumenta com tensões no Oriente Médio
Nos últimos dias, o petróleo chegou a registrar movimentos extremamente fortes. De sexta-feira para a abertura dos mercados no domingo à noite, o Brent chegou a subir mais de 15%, chegando a tocar momentos de alta próximos de 26% no pico da tensão.

Posteriormente, parte desse movimento foi devolvida após declarações do ex-presidente americano Donald Trump indicando a possibilidade de uma resolução mais rápida do conflito.
Para Cohen, esse comportamento mostra como o petróleo reage diretamente à percepção de risco geopolítico.
“Quando o mercado teme interrupções na produção ou no transporte de petróleo, o preço dispara rapidamente. Basta o risco existir.”
Posteriormente, parte desse movimento foi devolvida após declarações do ex-presidente americano Donald Trump indicando a possibilidade de uma resolução mais rápida do conflito.
Petrobras e Bolsa brasileira acompanham o movimento da energia
O impacto do petróleo também foi sentido na Bolsa brasileira.
A Petrobras, uma das ações mais importantes do Ibovespa, chegou a registrar alta superior a 5% durante o pregão, embora tenha devolvido parte do movimento ao longo do dia.

Mesmo assim, a valorização da empresa ajudou a puxar o índice brasileiro para cima.
Cohen explica que isso ocorre porque empresas ligadas à energia e commodities costumam se beneficiar quando o petróleo sobe.
“Quando o preço da commodity sobe, a expectativa de receita das empresas produtoras também aumenta.”
Ouro perde força enquanto investidores aguardam desfecho da guerra
Enquanto o petróleo reagia com força, o ouro apresentou comportamento mais lateral.
Após uma forte valorização ao longo do ano — impulsionada pela busca por segurança em meio às tensões globais — o metal agora mostra um período de consolidação.
Segundo Cohen, isso acontece porque parte do mercado já comprou ouro como proteção anteriormente.

Caso o cenário geopolítico se estabilize, não está descartada uma realização de preços.
“Se o risco diminuir, o ouro pode corrigir parte da alta que teve.”
Bolsas globais testam níveis técnicos importantes
Nos mercados acionários, os principais índices mundiais testaram regiões técnicas relevantes.
O S&P 500 e o Nasdaq, principais índices dos Estados Unidos, voltaram a tocar a chamada média móvel de 200 períodos, um dos indicadores mais acompanhados pelos analistas técnicos.
SP500

NASDAQ

Esse nível não era testado desde maio de 2025.
Historicamente, quando o índice toca essa média, o mercado pode reagir de duas maneiras:
iniciar um novo movimento de alta;
ou confirmar uma tendência de queda mais ampla.
Por enquanto, segundo Cohen, o cenário ainda permanece em aberto.
Europa mostra sinais de maior fragilidade
Diferente do comportamento americano, a bolsa da Alemanha chegou a perder a média móvel de 200 períodos, indicando um cenário técnico mais frágil.
Ainda assim, o índice conseguiu recuperar parte das perdas no pregão analisado, encerrando o dia com leve alta.

Esse tipo de comportamento reflete um mercado global que ainda tenta digerir os acontecimentos recentes.
Dólar e criptomoedas reagem às expectativas sobre guerra
No mercado cambial, o índice do dólar (DXY) voltou a testar níveis importantes. O comportamento da moeda americana dependerá, segundo Cohen, do tom do discurso político e da evolução do conflito.

Se houver sinais de redução da tensão, o dólar pode perder força.
Já no mercado de criptomoedas, Bitcoin, Ethereum e Solana registraram recuperação relevante, após quedas provocadas pelo aumento do risco global.
O Bitcoin, por exemplo, voltou a subir mais de 4% no dia, e pode tentar buscar regiões entre 85 mil e 95 mil dólares em um movimento de recuperação técnica.

FOTO 08
Cohen ressalta, porém, que sua visão de longo prazo inclui a possibilidade de novas correções.
“Às vezes o investidor quer que o preço suba. Eu, muitas vezes, torço para cair um pouco mais para comprar melhor.”
Se houver sinais de redução da tensão, o dólar pode perder força.
Já no mercado de criptomoedas, Bitcoin, Ethereum e Solana registraram recuperação relevante, após quedas provocadas pelo aumento do risco global.
O Bitcoin, por exemplo, voltou a subir mais de 4% no dia, e pode tentar buscar regiões entre 85 mil e 95 mil dólares em um movimento de recuperação técnica.
O que observar nos próximos dias
Entre os fatores que podem mover os mercados nas próximas semanas estão:
evolução da guerra no Oriente Médio
declarações de líderes políticos globais
comportamento do petróleo
reação dos índices americanos nas médias técnicas
Para Cohen, momentos de incerteza costumam gerar grandes movimentos de preço — e também oportunidades para investidores atentos.
Conclusão
Apesar da evolução tecnológica e do crescimento de novos setores econômicos, o petróleo continua sendo um dos ativos mais influentes do planeta.
Como lembrou Rockefeller há mais de cem anos, energia ainda está no coração da economia.
E, em períodos de guerra, essa realidade fica ainda mais evidente.
DISCLAIMER: Nenhuma parte do conteúdo deste canal deve ser interpretada como oferta, negociações ou solicitações de valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Também não configura garantia de resultados ou compromisso de retorno sobre qualquer ativo analisado. As opiniões expressas neste vídeo refletem exclusivamente (I) o entendimento independente e pessoal do Analista Convidado da ZERO Markets Brasil, RODRIGO SANTOS COHEN, CNPI-T (6520); (II) não constituem recomendações de compra e/ou venda de qualquer ativo ou valor mobiliário; e (III) as informações, estimativas e projeções utilizadas para reformar o entendimento do analista refletem a data de publicação e estão sujeitas a alterações, sem a obrigação de comunicação para atualizações ou revisões, uma vez que não constituem recomendações de investimento ou desinvestimento. O investidor que, de algum modo, utilizar as informações e opiniões ou abstenção de investimento, não tendo a ZERO Markets Brasil nem o Analista qualquer responsabilidade sobre os resultados ou prejuízos eventualmente obtidos. Nem o Analista nem a ZERO Markets Brasil receberam qualquer benefício ou retorno financeiro em razão das opiniões aqui veiculadas, o que foi feito de modo absolutamente independente e livre de qualquer conflito de interesses, nos termos da Resolução CVM 20/2021.


