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Juros altos turbinaram o lucro dos bancos e guerra impulsionou Petrobras, Vale e Gerdau

O primeiro trimestre de 2026 confirmou um movimento importante na economia brasileira: os bancos seguem registrando lucro recorde em um ambiente de juros elevados, enquanto empresas ligadas a petróleo, metais e infraestrutura surfam os efeitos indiretos da guerra e da corrida global por inteligência artificial.
Nesse contexto, o lucro dos bancos continua sendo um dos termômetros mais relevantes para compreender o ciclo econômico atual. Afinal, em períodos de juros mais altos, as instituições financeiras ampliam suas margens de intermediação, e os resultados do primeiro trimestre reforçam essa dinâmica com clareza.
No novo panorama macro da Zero Markets Brasil, Rodrigo Cohen, trader profissional e analista convidado, destaca que o cenário atual está criando vencedores muito claros. Segundo ele, além do lucro dos bancos, setores como petróleo, mineração e siderurgia também têm se beneficiado de fatores estruturais globais.
"Quando os juros ficam altos, os bancos ganham mais. Quando o petróleo sobe e a IA acelera, commodities e infraestrutura disparam junto."
Vale destacar que as análises e interpretações apresentadas têm caráter exclusivamente educacional e informativo. Portanto, não devem ser interpretadas como recomendação de compra ou venda de qualquer ativo financeiro. Rentabilidade passada, além disso, não é garantia de retorno futuro.
Forte lucro dos bancos com juros elevados
O destaque inicial da análise ficou para os grandes bancos brasileiros.
Itaú Unibanco
O maior banco privado do país registrou:
R$ 12,3 bilhões de lucro no trimestre
crescimento de aproximadamente 10% no ano
melhor primeiro trimestre da história da instituição
Segundo Cohen, o principal motor foi o chamado spread bancário — a diferença entre:
quanto o banco cobra para emprestar;
e quanto paga para quem investe.
Com a Selic ainda em patamares elevados, esse spread continua extremamente lucrativo.
“Juros altos deixam o dinheiro mais caro. E quem vende dinheiro é o banco.”

Bradesco mostra recuperação após período difícil
O Bradesco também apresentou melhora importante:
lucro recorrente de R$ 6,8 bilhões
crescimento de aproximadamente 16%
nono trimestre consecutivo de recuperação
Segundo Cohen, o mercado enxergou os resultados como um sinal de que o pior período de inadimplência ficou para trás.
Ainda assim, o banco aumentou provisões para calotes em mais de 26%, mostrando que o risco de crédito continua elevado no país.
“Os bancos melhoraram, mas ainda estão se protegendo de um cenário econômico difícil.”

Guerra e petróleo impulsionam Petrobras
No setor de commodities, a guerra no Oriente Médio voltou a beneficiar diretamente empresas ligadas ao petróleo.
A Petrobras registrou:
produção recorde de 3,23 milhões de barris por dia
lucro líquido de aproximadamente R$ 32,7 bilhões
crescimento impulsionado pelo petróleo acima dos US$ 100
Os campos do pré-sal, especialmente Búzios e Mero, foram os principais responsáveis pelo desempenho.
Segundo Cohen, enquanto o petróleo permanecer elevado, a Petrobras continua favorecida.
“O barril acima de US$ 100 muda completamente a geração de caixa dessas empresas.”

Vale se beneficia da explosão da inteligência artificial
Outro destaque veio da Vale, que apresentou:
EBITDA de aproximadamente US$ 1,9 bilhões
crescimento de 21%
lucro avançando cerca de 36%
Mas o ponto mais importante foi o cobre. O metal teve valorização significativa por causa da demanda explosiva gerada pela inteligência artificial.
Segundo Cohen:
data centers;
servidores;
cabos;
transformadores;
sistemas de refrigeração;
todos dependem fortemente de cobre.
“Cada novo data center de IA no mundo consome uma quantidade gigantesca de cobre. E isso está beneficiando diretamente empresas como a Vale.”

Gerdau surfa boom industrial dos Estados Unidos
A Gerdau também apareceu entre os destaques positivos.
A companhia:
registrou EBITDA próximo de R$ 3 bilhões
crescimento anual de 23%
lucro subindo cerca de 34%
Segundo Cohen, aproximadamente 75% do resultado veio da América do Norte, impulsionado pela expansão industrial americana.
Com a corrida global por inteligência artificial:
fábricas;
data centers;
infraestrutura elétrica;
e construção pesada
continuam crescendo fortemente nos Estados Unidos — aumentando a demanda por aço.
“A IA não está mudando só software. Está mudando infraestrutura física no mundo inteiro.”

Inteligência artificial já impacta empresas brasileiras
Um dos pontos centrais da análise foi justamente esse:
a inteligência artificial deixou de ser apenas tema de tecnologia e passou a movimentar:
mineração;
siderurgia;
energia;
petróleo;
logística;
infraestrutura.
Segundo Cohen, empresas brasileiras expostas ao mercado americano estão surfando
Mercado global segue sensível à guerra
Apesar dos bons resultados corporativos, o cenário continua cercado de incerteza.
A guerra no Oriente Médio mantém:
petróleo elevado;
inflação pressionada;
e juros em níveis altos.
Isso cria um ambiente em que:
bancos seguem lucrando com crédito caro;
empresas de commodities se beneficiam da alta de preços;
e infraestrutura ligada à IA continua acelerando.
O grande tema: quem vai ganhar dinheiro com a nova economia?
Para Cohen, o mercado já entrou em uma nova fase.
A inteligência artificial não está mais concentrada apenas em empresas de software. Ela já afeta:
consumo de energia;
produção de metais;
construção;
petróleo;
e crédito.
“O investidor que ainda acha que IA é só ChatGPT talvez esteja olhando pequeno demais.”
Conclusão
O primeiro trimestre de 2026 deixou uma divisão bastante clara entre os vencedores do atual cenário econômico. Em síntese, três grandes forças estão moldando o mercado neste momento, e cada uma delas está gerando oportunidades em setores específicos.
Em primeiro lugar, os juros elevados continuam impulsionando o lucro dos bancos. As grandes instituições financeiras seguem como principais beneficiadas de um ambiente de taxa Selic alta, ampliando suas margens e consolidando resultados expressivos trimestre após trimestre.
Em segundo lugar, a guerra e a valorização do petróleo colocaram a Petrobras em posição de destaque. A volatilidade geopolítica, longe de ser apenas um risco, tornou-se um vetor de resultado para empresas do setor energético.
Por fim, a corrida global pela inteligência artificial está movimentando toda uma cadeia de infraestrutura. Nesse sentido, Vale e Gerdau aparecem como beneficiadas indiretas: a demanda por metais e aço para data centers, cabos e estruturas físicas da IA segue crescendo em escala global.
Para Rodrigo Cohen, portanto, o mercado hoje está sendo moldado por três forças simultâneas: juros, guerra e inteligência artificial. Quem compreender essa combinação com antecedência, segundo o analista, tende a tomar decisões mais bem fundamentadas.
Quer entender mais sobre este assunto? Confira o vídeo completo(2) no canal da ZERO Markets Brasil no Youtube.
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