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Inflação no Brasil segue cedendo, enquanto guerra no Oriente Médio pressiona petróleo e Ásia lidera mercados

A semana foi marcada por um cenário de fortes contrastes nos mercados globais.
Enquanto a guerra entre Estados Unidos e Irã voltou a elevar as tensões no Oriente Médio e impulsionou os preços do petróleo, a inflação no Brasil apresentou um sinal positivo, com uma nova queda nas expectativas do mercado.
Além disso, as bolsas asiáticas surpreenderam com uma forte recuperação, impulsionadas, principalmente, pelo apoio do governo chinês ao setor de tecnologia.
Nesse contexto, no novo Panorama Macro Global da Zero Markets Brasil, o trader e analista convidado por nós, Rodrigo Cohen, destacou que os mercados atravessam um momento em que decisões políticas, conflitos geopolíticos e movimentos dos bancos centrais continuam exercendo mais influência do que os próprios indicadores econômicos.
Segundo Cohen:
“Hoje, o mercado está muito mais sensível às manchetes do que aos gráficos.”
Guerra faz petróleo voltar a subir e acende alerta para a inflação no Brasil
O principal fator de risco da semana voltou a ser o Oriente Médio.
Segundo Rodrigo Cohen, os Estados Unidos ampliaram as ações militares na região. Ao mesmo tempo, o Irã voltou a sinalizar disposição para negociar, embora ainda não tenham ocorrido avanços concretos.
Além disso, novas ameaças envolvendo o Estreito de Hormuz mantiveram os mercados em alerta. Relatos de ataques contra embarcações na região também aumentaram a preocupação dos investidores com possíveis impactos sobre o transporte e o abastecimento global de petróleo.
Como consequência, o petróleo Brent voltou a ser negociado próximo de US$ 92 por barril, enquanto o mercado passou a acompanhar com mais atenção os riscos de interrupção no fornecimento da commodity.
Nesse cenário, uma alta persistente do petróleo também pode colocar a inflação no Brasil no radar, principalmente por seus possíveis reflexos sobre combustíveis, transporte, produção e preços ao consumidor.

Boletim Focus reforça melhora da inflação

No Brasil, a principal notícia veio do Boletim Focus.
Pela segunda semana consecutiva, o mercado reduziu suas projeções para a inflação de 2026. Segundo o levantamento:
a projeção do IPCA voltou a cair;
assim como a expectativa para o IGP-M.
Na avaliação de Cohen, esse movimento confirma que o processo de desinflação continua acontecendo.
Selic ainda limita maior recuperação da Bolsa

Apesar da melhora nas projeções para a inflação, a expectativa para a taxa Selic praticamente não mudou. O mercado continua projetando juros próximos de 14% no encerramento do ano.
Segundo Cohen, isso ajuda a explicar por que o Ibovespa continua enfrentando dificuldades para iniciar um movimento mais consistente de alta.
"A inflação melhora, mas os juros continuam elevados. Isso reduz parte do entusiasmo do mercado."
Ibovespa acumula sequência de quedas
A Bolsa brasileira atravessou uma sequência de cinco pregões consecutivos de baixa.
Segundo Cohen, parte desse movimento reflete:
realização de lucros;
juros ainda elevados;
e o aumento das incertezas externas provocadas pela guerra.
Mesmo assim, o analista destaca que a região dos 170 mil pontos permanece como um importante suporte técnico para o índice.

Ásia surpreende positivamente
Enquanto parte dos mercados ocidentais enfrentou maior volatilidade, as bolsas asiáticas tiveram uma semana bastante positiva. Os destaques foram:
Japão (+3,3%);
Coreia do Sul (+3,6%);
China (+3%).
Segundo Cohen, o movimento foi impulsionado principalmente pelas medidas adotadas por Pequim para estimular o setor de tecnologia.
Além disso, o índice Nikkei continua sendo um dos grandes destaques de 2026, acumulando valorização próxima de 27% no ano.

Temporada de balanços entra no radar
A semana marca também o início da divulgação dos resultados de grandes empresas globais.
Entre os principais destaques estão:
Alphabet;
Tesla;
Microsoft.
Segundo Cohen, esses balanços poderão aumentar significativamente a volatilidade dos mercados nas próximas sessões, principalmente nas bolsas americanas.
Europa mantém recuperação
Na Europa, os índices seguiram relativamente firmes. Segundo Cohen:
Alemanha;
França;
Itália;
continuaram apresentando desempenho positivo, enquanto a inflação alemã permaneceu próxima de 2,3%, reforçando um cenário mais confortável para a política monetária da região.

Commodities seguem sensíveis ao cenário internacional
Além do petróleo, outros ativos continuam sendo influenciados pela conjuntura global.
Segundo Cohen:
o ouro voltou a ganhar força como ativo de proteção;
o minério de ferro permaneceu relativamente estável;
enquanto a Petrobras continua sendo beneficiada pelo petróleo em níveis elevados.
Conclusão: a inflação no Brasil recua, mas guerra e petróleo mantêm mercados globais em alerta
Segundo Rodrigo Cohen, o mercado atravessa uma combinação de fatores que dificulta a definição de uma tendência mais clara para os ativos. Entre os principais pontos de atenção estão:
guerra no Oriente Médio;
pressão sobre os preços do petróleo;
inflação no Brasil em trajetória de queda;
juros ainda elevados;
recuperação das bolsas asiáticas;
início da temporada de balanços das grandes empresas globais.
Diante desse cenário, Rodrigo Cohen avalia que o investidor precisa manter cautela e disciplina na tomada de decisões.
Embora a inflação no Brasil continue apresentando sinais de melhora, o ambiente internacional permanece altamente sensível aos acontecimentos geopolíticos, sobretudo às tensões no Oriente Médio. Além disso, possíveis oscilações no petróleo podem voltar a pressionar custos, expectativas econômicas e o comportamento dos mercados.
Por esse motivo, a gestão de risco ganha ainda mais importância em períodos marcados por incerteza e volatilidade. Segundo Cohen:
“Hoje, basta uma manchete sobre guerra para mudar completamente o humor dos mercados. Por isso, a gestão de risco continua sendo mais importante do que tentar adivinhar a próxima direção da Bolsa.”
Confira o vídeo completo dessa análise no canal da ZERO Markets Brasil no Youtube.
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