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Entenda por que a alta da dominância pode esconder uma fuga das criptomoedas

O Bitcoin ganhou participação no mercado de criptomoedas durante outubro, aproximando sua dominância dos maiores níveis do ano. À primeira vista, o movimento poderia ser interpretado como sinal de força da principal moeda digital do mundo. Mas existe um detalhe importante: o Bitcoin caiu aproximadamente 7% no mesmo período.

O Ethereum, por sua vez, recuou cerca de 16%, enquanto diversas outras criptomoedas registraram perdas ainda mais expressivas. No novo conteúdo da Zero Markets Brasil, o trader e analista convidado Rodrigo Cohen explica por que o aumento da dominância do Bitcoin não significa necessariamente que investidores estejam otimistas com o ativo.

“A dominância subiu, mas o Bitcoin caiu. Isso não é necessariamente força. Pode ser simplesmente o mercado fugindo das criptomoedas mais arriscadas.”

Para Cohen, compreender essa diferença é fundamental para quem pretende investir em Bitcoin, Ethereum, Solana ou qualquer outra criptomoeda.

O que é a dominância do Bitcoin?


A dominância é um dos indicadores mais acompanhados no mercado de criptomoedas. Seu cálculo é relativamente simples. O indicador mede qual o percentual do valor total do mercado cripto pertence ao Bitcoin.

Segundo os números apresentados por Cohen, a distribuição aproximada do mercado está atualmente assim:

  • Bitcoin: 60%;

  • Ethereum: entre 10% e 11%;

  • Demais criptomoedas: aproximadamente 29% a 30%.

Isso significa que milhares de ativos digitais dividem menos de um terço do valor total do mercado. Para Cohen, essa concentração ajuda a compreender o peso que o Bitcoin ainda exerce sobre todo o universo das criptomoedas.

“De todo o dinheiro que existe no mercado cripto, aproximadamente 60% está concentrado no Bitcoin. Milhares de outras moedas disputam o restante.”

Criptomoedas: dominância subindo não significa Bitcoin valorizando

Esse é o principal equívoco que Cohen procura esclarecer. Quando a dominância do Bitcoin sobe, muitos investidores concluem que a criptomoeda está recebendo mais dinheiro e que seu preço necessariamente deverá subir.

Mas não é assim que o indicador funciona. A dominância mede uma participação relativa. Ela pode aumentar mesmo quando o preço do Bitcoin está caindo, desde que o restante do mercado perca valor em velocidade maior.

Foi justamente o que aconteceu em outubro.

Indicador

Comportamento

Bitcoin

Queda de aproximadamente 7% em outubro

Ethereum

Queda de aproximadamente 16%

Dominância do Bitcoin

Aumento

Dominância próxima do pico anual

Cerca de 60%

“A fatia do Bitcoin aumentou porque as altcoins encolheram mais rápido. Não porque o Bitcoin estivesse necessariamente recebendo uma onda de compras.”

Outubro revelou um movimento defensivo

Para Cohen, o comportamento de outubro indica que parte dos investidores buscou reduzir sua exposição às criptomoedas consideradas mais arriscadas. Em momentos de maior otimismo, altcoins podem apresentar valorizações superiores às do Bitcoin.

Entretanto, durante períodos de aversão ao risco, esses mesmos ativos podem sofrer quedas mais intensas. O Ethereum, por exemplo, perdeu aproximadamente 16% em outubro, mais que o dobro da queda registrada pelo Bitcoin. Com isso, a participação relativa da principal criptomoeda aumentou.

“Não foi necessariamente uma corrida para comprar Bitcoin. Foi uma saída mais intensa das outras criptomoedas.”

Esse movimento pode ser interpretado como uma postura defensiva dentro do próprio mercado cripto.

Bitcoin continua distante da máxima histórica


Outro dado reforça a necessidade de interpretar a dominância com cautela. Segundo Cohen, mesmo com sua participação próxima dos maiores níveis do ano, o Bitcoin ainda estava:

  • aproximadamente 36% abaixo da máxima histórica;

  • acumulando queda próxima de 27% em 12 meses.

Ou seja, o ativo ganhou participação relativa enquanto seu preço permanecia significativamente abaixo dos recordes anteriores. Essa combinação mostra por que analisar apenas um indicador pode produzir conclusões equivocadas.

“A dominância mede a fatia do mercado. Ela não mede, sozinha, a saúde do Bitcoin.”

A segunda bússola: o índice de temporada das altcoins

Além da dominância, Cohen destaca outro indicador que considera importante para compreender o comportamento das criptomoedas. É o chamado Altcoin Season Index, ou índice de temporada das altcoins.

O indicador compara o desempenho das principais criptomoedas alternativas com o Bitcoin durante um período de 90 dias. A metodologia apresentada considera as 100 maiores criptomoedas elegíveis, excluindo o Bitcoin e as stablecoins.

A pergunta é simples: Quantas dessas criptomoedas conseguiram superar o desempenho do Bitcoin nos últimos 90 dias? A resposta ajuda a identificar se o mercado está favorecendo o Bitcoin ou os demais ativos digitais.

Quando começa uma altseason?

O mercado costuma utilizar duas referências principais. 75 pontos ou mais: indica uma temporada das altcoins, conhecida como altseason. Isso significa que pelo menos 75% das criptomoedas consideradas superaram o Bitcoin no período analisado.

25 pontos ou menos: indica uma temporada de maior desempenho relativo do Bitcoin. Entre essas duas regiões, o mercado não apresenta uma liderança tão ampla de nenhum dos grupos. Segundo Cohen, o indicador estava em 47 pontos no momento da gravação.

Portanto, não havia confirmação de uma altseason.

“Estamos em uma região intermediária. Não existe uma liderança clara e generalizada das altcoins sobre o Bitcoin.”

Altcoin Season Index mostra um mercado sem liderança definida

Para contextualizar o indicador, Cohen apresenta também os extremos observados no período recente.

  • Máxima de 2026: 64 pontos, registrada em setembro;

  • Mínima recente: 14 pontos, em dezembro do ano anterior;

  • Leitura atual: 47 pontos.

A leitura de 47 mostra que o mercado está distante do nível normalmente utilizado para caracterizar uma temporada generalizada de altcoins. Entretanto, também não indica uma dominância absoluta do Bitcoin em termos de desempenho.

Para Cohen, essa região intermediária exige atenção.

“Indecisão também é informação. Nem sempre o mercado precisa estar claramente comprador ou vendedor para mostrar alguma coisa.”

Mais da metade das altcoins superou o Bitcoin no ano

Existe ainda uma aparente contradição. Mesmo com a dominância do Bitcoin elevada, Cohen destaca que mais da metade das maiores altcoins apresentou desempenho superior ao da principal criptomoeda no acumulado de 2026.

Isso acontece porque os dois indicadores medem coisas diferentes. A dominância acompanha a participação relativa no valor total do mercado. Já o índice de altseason mede quantas criptomoedas superaram o Bitcoin em determinado intervalo de tempo.

Além disso, as janelas de comparação podem ser diferentes. Uma criptomoeda pode apresentar valorização percentual superior à do Bitcoin sem representar uma parcela significativa do mercado total. Por isso, os indicadores não precisam apontar na mesma direção.

“Uma bússola mostra a concentração do dinheiro. A outra mostra quem está ganhando a corrida. São informações diferentes.”

O perigo de analisar criptomoedas com apenas um indicador


Para Cohen, um dos erros mais comuns entre investidores é tentar transformar um único indicador em uma regra automática de compra ou venda. Dominância subindo não significa necessariamente que seja hora de comprar Bitcoin.

Da mesma forma, dominância caindo não garante que as altcoins entrarão em uma fase de valorização. O comportamento precisa ser interpretado em conjunto com outros fatores, como:

  • evolução dos preços;

  • volatilidade;

  • comportamento das principais altcoins;

  • participação relativa de mercado;

  • desempenho em diferentes períodos;

  • e cenário macroeconômico global.

“Quem olha apenas uma bússola corre o risco de se perder.”

O objetivo não é descobrir uma fórmula infalível, mas compreender melhor o contexto antes de tomar decisões financeiras.

Altcoins podem subir mais, mas também cair muito mais

Outra característica importante do mercado cripto é a diferença de volatilidade entre os ativos. Altcoins frequentemente apresentam oscilações percentuais superiores às do Bitcoin.

Durante períodos de forte valorização, isso pode gerar retornos expressivos. Mas o movimento contrário também acontece. Quando o mercado entra em uma fase de maior aversão ao risco, muitas criptomoedas alternativas sofrem quedas mais intensas.

Foi esse comportamento que ajudou a elevar a dominância do Bitcoin em outubro. Para Cohen, o investidor precisa compreender que maior potencial de retorno normalmente vem acompanhado de maior exposição a perdas.

Criptomoedas são apenas uma parte da diversificação

Apesar de o vídeo de hoje, no canal da ZERO Markets Brasil, se concentrar no mercado cripto, Cohen ressalta que a discussão sobre investimentos precisa ser mais ampla. Bitcoin, Ethereum e outras moedas digitais representam apenas uma das possíveis classes de ativos dentro de um patrimônio.

Uma estratégia diversificada pode envolver, conforme o perfil do investidor:

  • renda fixa;

  • ações brasileiras;

  • investimentos internacionais;

  • exposição ao dólar;

  • fundos e ETFs;

  • imóveis;

  • e criptomoedas.

O objetivo é evitar que todo o patrimônio dependa do comportamento de um único mercado, país ou moeda.

“Criptomoeda é uma fatia de uma conversa muito maior. Não é o mapa inteiro.”

Novidade chegando: treinamento sobre investimentos

Nós, da ZER Markets Brasil, preparamos uma novidade voltada à diversificação de investimentos. A proposta é apresentar conceitos de maneira acessível, ajudando investidores a compreender diferentes mercados e formas de estruturar o patrimônio.

O objetivo é ampliar a capacidade de análise do investidor, reduzindo a dependência de opiniões isoladas e previsões de terceiros.

“Mais importante do que alguém dizer qual moeda comprar é você aprender a interpretar os indicadores e tirar suas próprias conclusões.”

Conclusão

O comportamento do Bitcoin em outubro trouxe uma lição importante para o mercado de criptomoedas. Mesmo com uma queda de aproximadamente 7%, sua dominância aumentou, aproximando-se de 60%.

O motivo não foi necessariamente uma entrada expressiva de novos compradores, mas o desempenho ainda pior de outras criptomoedas, como o Ethereum.

Ao mesmo tempo, o Altcoin Season Index permaneceu em 47 pontos, sem confirmar uma temporada generalizada das altcoins. Para Rodrigo Cohen, os dois indicadores precisam ser analisados em conjunto.

A dominância mostra quanto do mercado pertence ao Bitcoin. O índice de altseason mostra quantas criptomoedas estão conseguindo superá-lo. Nenhum dos dois, isoladamente, determina o momento ideal de comprar ou vender.

“Você não precisa depender do palpite de alguém para investir. Precisa entender o que os números estão dizendo. A dominância mostra a fatia, mas não necessariamente a força. E aprender essa diferença já muda a forma de olhar para o mercado.”

O principal aprendizado, segundo o analista, é que investir melhor começa antes da escolha do ativo: começa pela capacidade de interpretar informações, compreender riscos e construir uma estratégia de patrimônio que não dependa de uma única aposta.

Confira o vídeo completo do assunto no canal da ZERO Markets Brasil.

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